No Galeão investimentos iniciais serão de R$ 2 bilhões
Concessionárias dão início à Operação de Transição, última fase antes de assumirem administração sem o auxílio da Infraero
Lúcio Mattos
Dois campos de aviação concedidos pelo Governo Federal à iniciativa privada entraram em agosto na última fase antes de passar a ser administrados definitivamente pelas concessionárias: o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão-Tom Jobim e o Aeroporto Internacional de Confins-Tancredo Neves, de Belo Horizonte. A chamada Operação de Transição, período em que os terminais ainda são operados com assistência da Infraero, teve início em agosto e deve durar no mínimo três e no máximo seis meses. Depois disso, as novas concessionárias dos aeroportos passam a ter independência na administração.
Mesmo assumidos pelas concessionárias, os dois aeroportos recebem obras de melhoria e ampliação, a cargo da Infraero, que serão seguidas pelos planos de investimento para o período de concessão, de 25 anos (Galeão) e 30 anos (Confins), que pode ser estendido por mais cinco.
No Aeroporto do Galeão, a Infraero tinha investimentos de R$ 354,7 milhões previstos entre 2011 e 2014, dinheiro do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento 2) e do Governo Federal, para obras nos dois terminais de passageiros. O Terminal 1 recebeu de fato R$ 105,6 milhões em obras até agosto, 53% dos R$ 198,3 milhões programados, enquanto o Terminal 2 teve R$ 95,6 milhões em trabalhos executados, 61% dos R$ 156,4 milhões previstos, de acordo com a empresa estatal.
Em junho, a Infraero entregou uma nova área de embarque do Terminal 2, com 11,1 mil m², incluindo duas novas ilhas de check-in, disponibilizando 32 posições adicionais. Foi inaugurado um novo sistema de esteiras de bagagem, que permite a inspeção de 100% das malas em cinco níveis de segurança. Também foram instalados seis novos pórticos com raio X, para examinar bagagem de mão, e um sétimo exclusivo para as mercadorias das lojas localizadas dentro da área de embarque.
Ainda no Terminal 2, foi concluída a obra na área de desembarque internacional, com a entrega de quatro novas esteiras de bagagem (que segundo a Infraero irão duplicar a capacidade de restituição das malas aos passageiros), além da instalação de novos banheiros, bebedouros e monitores com informação sobre os voos. Ainda no desembarque internacional, a Polícia Federal recebeu 16 novas cabines para inspeção de passaportes.
No Terminal 1, onde é realizado o desembarque doméstico, o Setor A foi reformado, com a instalação de quatro novas escadas rolantes e cinco esteiras adicionais de restituição de bagagens.
Ainda há obras em andamento no aeroporto. No Terminal 1, a conclusão do terceiro pavimento (destinado a áreas comerciais) e a reforma da sala de embarque têm prazo previsto para dezembro, segundo a Infraero. As reformas nos setores B e C serão reavaliadas em conjunto com a concessionária do Galeão, a Aeroporto Rio de Janeiro. No Terminal 2, os trabalhos nas áreas para onde serão transferidas a Receita Federal e a empresa Duty Free também serão concluídas após a entrega definitiva do aeroporto à concessionária. Até lá, ambas as operações seguirão onde estão, no atual setor de desembarque.
Ações imediatas
Além das obras da Infraero, outros trabalhos já estão a cargo da concessionária, definidos no Plano de Ações Imediatas, entregue pela Aeroporto Rio de Janeiro à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e aprovado em maio. Foram instaladas 250 novas placas de sinalização, 150 pontos adicionais de energia e 4 mil lâmpadas, parte da revitalização do sistema de iluminação do complexo. Também foram revisados elevadores, escadas rolantes, esteiras de bagagem e o sistema de combate a incêndios. Outras melhorias, como disponibilização de internet wi-fi gratuita de alta velocidade nos terminais de passageiros e instalação de câmeras de segurança nos estacionamentos, tinham prazo de entrega para final de agosto.
A concessionária tem um plano de investimento a ser cumprido até abril de 2016, a tempo dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no valor de R$ 2 bilhões, ampliando a capacidade do Galeão dos atuais 17,3 milhões de passageiros anuais para 20 milhões ao ano. O projeto contempla a construção de um novo prédio ao lado do Terminal 2, 26 novas pontes de embarque (hoje há 23), 68 novas posições de check-in (passando das 227 atuais a 295) e 47 novas posições de aeronaves (ampliando o número das 50 de hoje a 97). O pátio de aeronaves aumentará para 500 mil m² (80% maior que o atual), e o estacionamento ganhará 2.765 vagas adicionais, passando a 7.049. Até o final da concessão, a Aeroporto Rio de Janeiro planeja investir R$ 5 bilhões ao todo.
O Aeroporto do Galeão foi concedido em leilão pelo Governo Federal em novembro de 2013 ao consórcio formado por Odebrecht TransPort (60%) e Changi Airports International (40%), controladora do Aeroporto de Cingapura, por R$ 19 bilhões. A concessionária pagou um ágio de 294% e passou a ter 51% das ações do terminal (os outros 49% seguem nas mãos da Infraero), com o direito de administrar o complexo por 25 anos, com opção de extensão por mais cinco.
Reavaliação em Confins
No Aeroporto de Confins, a Infraero entregou em maio parte das obras previstas para a reforma, modernização e ampliação do terminal de passageiros, mas o cronograma dos trabalhos está sendo reavaliado em razão da proximidade da entrega da estrutura à concessionária, segundo a Infraero.
Em maio, a Infraero terminou a ampliação e reforma do saguão de embarque, com a substituição de nove pontes de embarque. Na área de desembarque doméstico, cinco esteiras de bagagem foram substituídas, e foram trocados piso e forro do setor. Cinco novos elevadores e sete escadas rolantes foram instalados, um novo acesso viário foi entregue, e o estacionamento foi ampliado para 2.560 vagas.
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A transformação do antigo Terminal de Aviação Geral em terminal de passageiros, disponibilizando uma área adicional de 5.400 m², prevista para estar pronta em maio, seguia em obras previstas para terminar no final de agosto, segundo a Infraero. Já a ampliação do pátio de aeronaves (de 113 mil m² para 369 mil m²) foi parcialmente concluída e aguarda homologação da Anac – o restante dos trabalhos, porém, terá cronograma redefinido junto com a concessionária. A ampliação da pista de pousos e decolagens, dos atuais 3.000 m para 3.600 m, também terá prazos reavaliados em parceria com os novos operadores.
A concessionária BH Airport arrematou o Aeroporto de Confins também em novembro de 2013, por R$ 1,82 bilhão (ágio de 66%). O consórcio é formado por CCR (75%), Zurich Airport International AG (24%), controladora do Aeroporto de Zurique (Suíça), e Munich Airport International Beteiligungs GMBH (1%), que administra o terminal de Munique (Alemanha). Pela concessão, a BH Airport tem 51% das ações de Confins (os outros 49% continuam com a Infraero) por 30 anos.
A concessionária tem um plano de investimento de R$ 3,5 bilhões para Confins, que inclui a construção de um novo terminal de passageiros, uma pista de pousos e decolagens adicional, 14 pontes de embarque e a ampliação da área de estacionamentos. O programa aumentaria a capacidade do aeroporto dos atuais 17,1 milhões de passageiros por ano para 43 milhões anuais em 2043.
Primeiros 33 veículos contra incêndio são entregues
Augusto Diniz – São Bernardo do Campo (SP)
A Lavrita Engenharia firmou uma parceria com duas gigantes multinacionais: a sueca Scania e a austríaca Rosenbauer. A aliança proporcionou à empresa brasileira participar e ganhar no ano passado a licitação da Secretaria de Aviação Civil (SAC) de carros de combate a incêndio para atender aeroportos regionais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País. Em julho último, fez a entrega dos primeiros 33 carros produzidos.
O resultado da operação fez Wilson Molina, diretor técnico da Lavrita, se emocionar já que exigiu da empresa convencer a Scania a produzir o chassi de um veículo especial e customizado que ela não fazia em sua unidade brasileira e a Rosenbauer, empresa que atende 70% do mercado global de veículos contra incêndio, a fornecer os principais componentes.
“O veículo é o único caminhão 4×4 produzido no País que atende as exigências das normas contra incêndio de aeródromos e pode ser usado em qualquer aeroporto das Américas”, destaca Rogério Rezende, diretor de Assuntos Institucionais e Governamentais da Scania América Latina.
O carro de combate a incêndio fornecido é do tipo ataque principal 2, no modelo Fênix, fabricado de acordo com normas internacionais de incêndio. O volume de reservatório de água é de 6.100 l, o do reservatório de líquido gerador de espuma (LGE) é de 780 l e o reservatório de pó químico seco (PQS) é de 200 kg. A bomba de água tem vazão de 5.500 l por minuto e os canhões monitores (que podem lançar água, espuma ou pó químico), o instalado no teto tem vazão de 4 mil l por minuto, alcançando 70 m, e o outro no para-choque frontal possui vazão de 1 mil por minuto e alcança 46 m.
A bomba de água e os canhões são da Rosenbauer e foram importados. O veículo tem 85% de nacionalização. A Lavrita tem duas unidades no ABC paulista: uma em Mauá (com 6 mil m²), onde faz a usinagem das peças, e uma em São Bernardo do Campo (com cerca de 4,5 mil m²), na qual faz a montagem do veículo. Em média, a empresa monta 15 carros de combate a incêndio por mês.
O caminhão precisa ser rápido e forte para alcançar rapidamente o local de incêndio, em caso de necessidade. Seu motor tem potência de 440 cv, tração 4×4, com transmissão automática com divisor de potência eletrônico. A velocidade alcança de 0 a 80 km em 35 segundos e a velocidade final é de 113 km/h.
Os 33 veículos de combate a incêndio da Lavrita estão sendo entregues a aeroportos regionais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, assim distribuídos: Cruzeiro do Sul (AC), Tabatinga, Tefé (AM), Marabá, Altamira e Santarém (PA), Macapá (AP), Imperatriz (MA), Ilhéus, Paulo Afonso, Juazeiro do Norte (BA), Araguaína (TO), Ji-Paraná, Cacoal (RO), Alta Floresta, Sinop, Rondonópolis (MT), Bonito (MS), Barreiras (MS), Vitória da Conquista (BA), Caruaru (PE) e Fernando de Noronha. Alguns veículos estão sendo entregues para substituir obsoletos carros ou incorporar à frota.
De acordo com o ministro da Secretaria de Aviação Civil Moreira Franco, a produção desse tipo de veículo vem atender uma demanda de projeção de crescimento da aviação regional fruto do Programa de Investimento em Logística no setor aeroportuário, que prevê recursos para melhoria de 270 aeroportos regionais pelo País. “A modernização não é somente para a infraestrutura, mas também para integrar o País. A integração no Brasil começa pelos aeroportos”, disse no evento que apresentou os veículos.
A Lavrita tem 40 anos de existência e sempre trabalhou no setor de mineração. Mas há quatro anos começou também a atuar na área aeroportuária, com veículos para realização de limpeza em pista de pouso e decolagem. A empresa irá entregar um segundo lote com mais 31 veículos que serão levados a aeroportos das mesmas regiões do primeiro lote. A licitação dos 64 veículos alcança cerca de R$ 100 milhões. Também está previsto da Lavrita fornecer a Infraero 10 caminhões para remoção de borracha de pistas de aeroportos no País.
Fonte: GTA