COP30 ilumina oportunidades e desafios –inclusive de infraestrutura – na Amazônia

COP30 ilumina oportunidades e desafios –inclusive de infraestrutura – na Amazônia

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Acostumada a superlativos como “pulmão do planeta”, produtora dos chamados rios voadores que influenciam o clima no hemisfério sul, celeiro da futura bioeconomia global e maior banco genético da Terra, a Amazônia voltou ao centro do palco internacional com a realização da COP 30, em Belém do Pará.

Nesse contexto, a M3 Editorial, responsável pelas revistas O Empreiteiro e Minérios & Minerales, teve o privilégio de lançar o livro Amazônia no espaço do Consórcio Interestadual da Amazônia, primeira parceira local a aderir à iniciativa.

Livro destaca protagonismo das comunidades da floresta

Na roda de bate-papo que marcou o lançamento, foram apresentados relatos comoventes de protagonistas das comunidades amazônicas. Eles compartilharam como programas simples de apoio, desenvolvidos por empresas parceiras, transformaram suas vidas por meio da geração de renda, profissionalização e recuperação da autoestima.

A COP 30 evidenciou tanto as oportunidades quanto os grandes desafios da Amazônia, região que enfrenta o avanço de atividades ilegais, a presença rarefeita do Estado, dificuldades de transporte fluvial durante os períodos de seca, além da carência de internet e energia limpa em áreas remotas. Soma-se a isso a histórica ausência de demarcação das terras indígenas, um tema recorrente e ainda não resolvido.

Cultura dos povos originários e incentivo à produção editorial

Dentro da Green Zone da COP 30, foi lançado o livro “Amazônia: A cultura dos povos originários mantém vivo o saber da floresta”, resultado de dois anos de trabalho conduzido pela jornalista Juliana Sampaio. A publicação contou com apoio da Lei Rouanet, além de patrocínio da Suzano e recursos privados de Hydro, Alcoa, Agropalma, Benevides Madeiras, Grupo Lucena e Urucum.

Amazônia como nova fronteira para a Engenharia brasileira

A Amazônia também se consolida como uma nova fronteira estratégica para a Engenharia nacional. Durante a COP 30, o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento anunciou um fundo de US$ 1 bilhão voltado às cidades da Amazônia, com apoio do Brasil, Bolívia, Equador, Peru e Suriname. O objetivo é tornar a infraestrutura urbana mais resiliente a eventos climáticos extremos, abrangendo áreas como segurança hídrica, saneamento, energia limpa, telecomunicações e transporte.

Déficit de infraestrutura nas áreas protegidas

Dados oficiais do IBGE, presentes no estudo “Áreas Protegidas na Amazônia Legal”, revelam que 75% da população das unidades de conservação — cerca de 4,725 milhões de habitantes — vivem com serviços precários de água, esgoto ou coleta de lixo. Em áreas similares do restante do País, esse índice é de 40%.

Quando somadas às terras indígenas e quilombolas, essas áreas totalizam 2,336 milhões de km², o equivalente a 27,5% do território nacional.

Programa Amazônia Sempre e financiamento para municípios

O fundo anunciado integra o programa “Amazônia Sempre”, do BID, e contará com mecanismos financeiros inovadores, como financiamento misto, concessões baseadas em desempenho, mitigação de risco cambial e garantias de substituição de crédito. O pacote inclui ainda assistência técnica para estruturação e operação dos projetos.

O Ministério do Planejamento destacou que a linha de crédito terá juros e prazos diferenciados, com garantia da União para os financiamentos destinados aos municípios brasileiros.

Em paralelo, o Ministério das Cidades oferece o programa Pró-Cidades, com orçamento de R$ 6,4 bilhões para o período de 2025 a 2028, voltado à implantação de Centros de Controle e Operações Urbanas. Um exemplo é o COR-Rio, que integra serviços públicos essenciais para respostas rápidas a eventos climáticos extremos.

Convite às entidades de Engenharia

Diante desse cenário, a M3 Editorial convida as entidades de Engenharia a formarem uma força-tarefa para propor soluções que aumentem a resiliência da infraestrutura das cidades amazônicas. A atuação envolve desde a formatação dos projetos e concorrências públicas, quando necessárias, até funding, estudos de Engenharia e execução das obras.

A Engenharia precisa avançar nessa nova fronteira e apoiar administrações locais que carecem de estrutura técnica para gerir iniciativas dessa magnitude.

Nova edição do livro sobre a Amazônia

A editora também anuncia a busca por empresas parceiras para a 3ª edição do livro sobre a Amazônia, com foco em iniciativas que envolvam comunidades da floresta e dos núcleos urbanos. A produção ocorrerá ao longo de 2026, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2027, em evento público na região amazônica, ainda a ser definido, com a presença dos protagonistas locais.

Engenharia, infraestrutura e impacto social

O propósito é ampliar a visão sobre o papel da Engenharia, indo além de balanços contábeis e projetos em execução — como os destaques do Ranking 2025, que apresentou as Empresas de Engenharia do Ano nesta edição — para evidenciar o impacto da infraestrutura na qualidade de vida das pessoas, no meio ambiente e no desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Artigo: Joseph Young


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