A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu adiar para janeiro de 2021 o início da operação das usinas termelétricas a GNL de Rio Grande (RS) e Nova Tempo (PE), atendendo a um pedido do Grupo Bolognesi.
Juntas, as duas termelétricas somam cerca de 2.500 MW de capacidade instalada, representando um volume relevante de energia contratado no sistema elétrico brasileiro.
Projetos a GNL e desafios de implantação
As usinas foram contratadas no Leilão de Energia A-5 de 2014, quando analistas do setor já alertavam para os riscos associados à concentração de grande capacidade de geração em projetos complexos, especialmente por envolverem:
- Termelétricas a gás natural liquefeito (GNL)
- Implantação de unidades de regaseificação
- Operação logística integrada entre porto, navios e geração de energia
À época do leilão, o fato de os empreendimentos estarem sob responsabilidade de uma empresa ainda novata nesse tipo de operação também foi apontado como um fator de risco adicional.
Busca por investidores e estruturação financeira
O Grupo Bolognesi informou que está em processo de busca por investidores para estruturar o funding necessário à conclusão e operação das termelétricas. A expectativa é reforçar a estrutura financeira dos projetos para viabilizar sua entrada em operação dentro do novo cronograma aprovado pela Aneel.
Impacto no setor elétrico
O adiamento reforça os desafios enfrentados por projetos termelétricos a GNL no Brasil, que exigem:
- Elevados investimentos iniciais
- Estrutura logística complexa
- Garantia de suprimento contínuo de combustível
Ao mesmo tempo, as usinas seguem sendo consideradas estratégicas para a segurança energética, especialmente em cenários de escassez hídrica.
Contexto
O uso de termelétricas a GNL tem ganhado relevância na matriz elétrica brasileira como complemento à geração hidrelétrica, mas casos como o das usinas de Rio Grande e Nova Tempo mostram que o sucesso desses projetos depende de robustez financeira, experiência operacional e coordenação regulatória.

