Arteris aposta na expansão de concessões rodoviárias e reforça capacidade de investimento

Compartilhe esse conteúdo

Angelo Lodi, diretor de Operações da Arteris, foi direto ao comentar as perspectivas do setor durante entrevista concedida à Revista O Empreiteiro, na sede da empresa, em São Paulo.

“Queremos ampliar nossa rede de rodovias concessionadas pelo país, tanto no âmbito federal quanto estadual”, afirmou.

Questionado sobre o fato de as rodovias federais sob gestão da Arteris serem frequentemente elogiadas pelos usuários em razão do valor mais baixo das tarifas de pedágio, em comparação a outras concessões, o executivo foi categórico:

“As nossas concessões atuais são lucrativas”.

Segundo Lodi, esses ativos foram originalmente conquistados em licitações pela antiga OHL e, posteriormente, incorporados ao portfólio da Arteris.


DNA rodoviário e atuação global dos acionistas

O diretor destaca que operar rodovias está no DNA da Arteris, reflexo direto de sua estrutura societária. Um dos controladores é a Abertis, da Espanha, que detém 50% do capital e é hoje a maior operadora de rodovias concedidas do mundo, administrando cerca de 8.300 km de estradas em 12 países da Europa e das Américas.

Além do Brasil, a Abertis atua em mercados como França, Chile, Argentina, Colômbia, Porto Rico e Estados Unidos. Aproximadamente dois terços da receita global do grupo são gerados fora da Espanha, com destaque para França, Brasil e Chile. Em 2015, a Abertis registrou receita de € 4,378 bilhões e EBITDA de € 2,692 bilhões.

O outro sócio da Arteris é o grupo Brookfield, com presença no Brasil há mais de 116 anos, atuando em segmentos como empreendimentos imobiliários, shoppings, rodovias, ferrovias e geração de energia.


Capacidade de investimento e portfólio de infraestrutura

No setor de energia, a Brookfield possui participação relevante em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e parques eólicos, totalizando cerca de 1.200 MW de capacidade instalada. Em logística, detém 26,5% da VLI, ao lado da Vale, Mitsui e do FI-FGTS, empresa que opera mais de 4 mil km de ferrovias, além de portos e terminais intermodais.

Leia tambem: Alstom Hydro inaugura primeiro centro para operações remotas de pequenas centrais hidrelétricas no Brasil

Segundo Lodi, a holding Arteris apresenta sólida capacidade de investimento, evidenciada pelos programas de obras em andamento nas atuais concessões, que somam quase R$ 6 bilhões, além de um pacote de obras extracontratuais estimado em R$ 5 bilhões, atualmente em fase final de aprovação na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).


Expansão em São Paulo e obras estratégicas

A Arteris demonstra forte interesse em expandir sua atuação no Estado de São Paulo, onde recentemente entregou o maior trevo rodoviário da América Latina, em Ribeirão Preto. A empresa também executa obras relevantes, como o Contorno de Mogi-Mirim e intervenções na SP-218, ligando Ribeirão Preto, Araraquara e São Carlos.

Leia também: Ponte Salvador – Itaparica será a maior da América Latina

Apesar do portfólio diversificado, Lodi reconhece que a principal vitrine da companhia é a duplicação da rodovia Regis Bittencourt, no trecho da Serra do Cafezal (SP). A obra, aguardada há décadas, tem 30 km de extensão, dos quais 17 km já estavam em operação, com conclusão prevista para março de 2017.

Para os milhares de motoristas que ainda enfrentam congestionamentos frequentes, especialmente em finais de semana e feriados, a entrega total da duplicação representa um alívio esperado — e um marco relevante para a infraestrutura rodoviária brasileira.


Compartilhe esse conteúdo

Deixe um comentário