Brasil poderá antecipar para 2012 a produção na reserva de Tupi

O Brasil dispõe hoje de condições tecnológicas para se chegar, em 2012 – e não em 2015 como prevê a Petrobras, a uma produção inicial de 500 mil barris/dia no megacampo de Tupi, localizado abaixo da camada de sal da Bacia de Santos. A viabilidade econômica do projeto estaria garantida mesmo que, hipoteticamente, o preço do barril de petróleo caísse abruptamente do atual patamar de US$ 100 para US$ 35. A avaliação, de um experiente executivo do setor, leva em consideração, porém, a manutenção da lei 9.478/97 (lei do Petróleo) sem alterações. Do contrário, adverte, as discussões poderiam levar até 10 anos para serem concluídas, uma vez que envolveriam o Congresso Nacional.

A antecipação da produção só do campo de Tupi, de acordo com o executivo, pode ocorrer sem mudanças no cronograma de implantação do projeto-piloto do pré-sal, previsto para 2010. Embora a Petrobras projete atingir 500 mil barris de produção nessa área apenas em 2015, o executivo a tecnologia hoje disponível permitiriam antecipar tal meta.

Com relação às mudanças no marco regulatório, esse mesmo executivo defende apenas pequenos ajustes nas regras de remuneração das participações governamentais, as contribuições que incidem sobre a produção dos campos do País. Só assim, justifica, seria possível tornar mais ágil o início da produção das áreas do pré-sal – aí incluído o novo reservatório batizado preliminarmente de Carioca. Por depender de decreto ministerial, e não de mudanças na lei, tais ajustes não só evitariam uma paralisia dos investimentos no setor, como também afastariam o que o embaixador Sebastião do Rego Barros, ex-diretor da ANP, classifica de pressões para favorecer a Petrobras em detrimento das operadoras privadas. Embora tenha evitado usar o termo reestatização, Barros identifica no próprio governo quem prefira preservar o pré-sal intacto, em lugar de colocá-lo em produção. Especialistas do setor que partiparam ontem de evento no Rio de Janeiro, como o consultor Marco Tavares, da Gás Energy, cobraram pressa no início da produção do pré-sal, independentemente das dimensões de Carioca.

Fonte: Estadão

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