Chengdu recria espaço público ao invés de outro arranha-céu

Com o nome peculiar de “quarteirão de porosidade fatiada”, projeto do edifício preferiu se interconectar com o restante do espaço urbano e seus usuários, aproveitando a luz natural ao máximo com as fachadas recortadas

Não é fácil resistir à tentação de desenhar outro megaedifício na China, porque as cidades competem para sediar os prédios cada vez mais altos, cujo recordista por ora é o Shanghai World Financial Center, com 101 andares e 492 m.  Dos vinte megaedifícios mais altos em operação no mundo, nove estão na China e Hong Kong. No centro da cidade histórica de Chengdu, esse projeto imobiliário de 278.709 m2 buscou sua forma recortada de modo que cada um dos blocos residenciais tenha pelo menos duas horas de insolação diária e abundante luz natural o dia todo.  São cinco torres com escritórios, apartamentos com serviço, lojas, um hotel, café e restaurantes e uma extensa praça pública. A torre maior tem 29 pisos e quatro pisos no subsolo.
 

O escritório norte-americano Steven Holl Architects, juntamente com China Academy of Building Research, que atuou como arquiteto executivo e legal, além de responder pelo cálculo estrutural, cumpriu a exigência sobre insolação ao desenhar ângulos geométricos precisos no exoesqueleto estrutural de concreto dos prédios. A estrutura executada com concreto branco possui aberturas de 2 m de altura com elementos diagonais contra abalos sísmicos, conforme a legislação, e as seções recortadas das fachadas são revestidas de vidro, alcançando 123  m de altura nos edifícios de escritórios.

 

As fachadas de concreto revelam o sistema estrutural, com elementos diagonais que suportam cargas verticais e sísmicas cruzando a grade de colunas e vigas, com uma densidade que reflete as aberturas e balanços multiandares dos prédios.  A mistura do concreto utiliza uma alta taxa de material reciclado.  Rompendo o predomínio do concreto e vidro, o pavilhão da História, de uso público, tem fachada de bambu bruto e aço Cor-ten.

 

 

Ao posicionar a estrutura nas fachadas, o projeto criou espaços livres de colunas nos prédios. Considerando o clima de Chengdu, a massa térmica no interior deles  serve para manter uma temperatura agradável e fresca no verão, enquanto no inverno terá um ambiente mais aquecido que o exterior.  

 

  

 

O amplo espaço público no centro do conjunto é formado por três vales, inspirados num poema do poeta renomado da localidade, Du Fu (713-770). Os três níveis de praça são adornados por jardins aquáticos  nomeados segundo diferentes conceitos de tempo.  Existe a Fonte do Ano Calendário Chinês, a Fonte dos 12 meses, e a Fonte de 30 dias, que funcionam como skylight do shopping de seis andares localizado abaixo desse nível. Os visitantes de deslocam entre os vários níveis dessa praça pública através de escadarias e uma esteira rolante inclinada.

 

Os arquitetos sustentam a escala humana neste espaço por meio de “microurbanismo” valendo-se de lojas com duas frentes que se abrem para a rua e o shopping center. Há três grandes aberturas esculpidas na massa das torres verticais, onde se encontram o pavilhão da História, projetado por Steven Holl Architects, o pavilhão da Luz de Lebbeus Woods, e o pavilhão da Arte Local.

 

O conjunto Porosidade Fatiada é aquecido e resfriado por 468 poços geotermais, com os espelhos d’água como coletores de água de chuva a ser reciclada, e os gramados e floreiras gerando um efeito de resfriamento natural. O uso de vidro de alto desempenho nas fachadas, equipamentos eficientes em consumo energético, e materiais de origem natural possibilitou a certificação LEED Gold. Sua construção, iniciada em 2008, foi concluída em 2012. Foi considerado o Melhor Edifício da Ásia e Australásia de 2013 pelo CTBUH-Conselho de Edifícios Altos e Hábitat Urbano.

 

Fonte: Revista O Empreiteiro

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