China se associa a portos em regiões estratégicas do mundo

Como um sinal cristalino da sua economia voltada para o mercado global, a China está adquirindo participação em empresas operadoras de portos ao redor do mundo. Um exemplo é o porto de Colombo, em Sri Lanka, a 360 km do extremo sul da Índia, onde uma empresa chinesa construiu um terminal de contêineres, a ser operado por outra firma chinesa. Ao atingir plena capacidade em abril de 2014, estará entre os 20 maiores portos de contêineres do mundo.

Colombo faz parte de uma rede de portos com participação chinesa em volta da Índia, que inclui Gwadar e Karachi, ambos no Paquistão, um terminal de contêineres em Chittagong, em Bangladesh, e portos em Mianmar, para desconforto dos indianos. A China afirma que o interesse é comercial, enquanto a Índia suspeita que pode ser um movimento estratégico camuflado. Entretanto, a CICT, que opera o terminal novo em Colombo, tem 85% de participação da China Merchants Holdings, de Hong Kong, empresa controlada pelo governo chinês. A operadora alega que o comércio entre países pobres tende a crescer e o fluxo de navios nos corredores entre a Ásia Oriental, Europa e África também, com a chegada de uma nova geração de supernavios com quase 500 m de comprimento — e Colombo está bem posicionado como porto de apoio.
A crescente influência marítima da China decorre da sua posição como maior exportador do mundo e o segundo maior importador de bens. Diversos dos maiores portos de contêineres em operação estão no país. Empresas estatais de navegação controlam um quinto da frota global de navios porta-contêiner. Uma observação: 41% da tonelagem dos navios entregues em 2012 foi construída na China.

O país começou construindo portos no exterior — em 2012, a estatal China Harbour Engineering tinha US$ 12 bilhões em contratos de obras portuários em diversos países. Em seguida, passou a adquirir participação em portos mundo afora. A pioneira foi a Cosco, apontada como a maior linha de navegação chinesa, cuja subsidiária comprou partes minoritárias em terminais em Antuérpia, Suez e Cingapura, entre 2003 e 2007. Dois anos depois, comprou 50% do porto de Piraeus, na Grécia. Os investimentos somaram US$ 1 bilhão.

A China Merchants Holdings gastou o dobro disso, ao investir na Nigéria, Colombo, Tanzânia, Togo e Djibouti, além de 49% da Terminal Link, uma operadora francesa de terminais que estava endividada. Outra empresa — China Shipping Terminal — comprou em maio parte do terminal de Zeebrugge, na Bélgica, além de deter participação pequena em outros em Seattle e Los Angeles, nos Estados Unidos.

Alguns analistas acreditam que o país tem ambições de dominar os portos que atendam à nova geração de meganavios, mais eficientes em combustível, para ligar Ásia e Europa passando pelo Canal de Suez. Já está em serviço o Jules Verne, o maior do mundo, que comporta 16 mil contêineres e tem 16 m de calado. A Maersk dinamarquesa encomendou 20 navios à Daewoo, na Coreia do Sul, com capacidade para 18 mil contêineres. Uma empresa chinesa contratou a Hyundai para construir cinco navios que levam 18.400 contêineres. O porto de Colombo, por exemplo, tem profundidade suficiente para navios de 18 m de calado e seus guindastes podem atender a embarcações que tenham 24 cofres de carga enfileirados na largura.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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