Coronavírus: Aprendendo com a China como construir hospital em 10 dias

Brasil tem muito a aprender neste projeto do governo chinês, agora que a pandemia do coronavírus se agrava – no meio ainda de um tiroteio político kafkiano. Analistas ocidentais apontam a obra como somente possível num país de governo central com plenos poderes — ao mobilizar 800 máquinas, mais de dez mil trabalhadores, que trabalharam 24 horas em turnos, dormindo algumas horas apenas por noite, segundo cobertura da imprensa local – e entregaram o hospital temporário em apenas 10 dias. 

A pré-fabricação em plantas industriais fora do canteiro foi chave nesse processo em Wuhan, epicentro da epidemia do coronavírus, que já mostra sinais de declínio do problema, graças à rigorosa quarentena de três meses em diversas regiões. 

Segundo Architect’s Newspaper, autoridades locais suspenderam a operação de 16 hospitais temporários dedicados a pacientes com sinais de Covid 19 — e um deles deu alta ao último grupo de pacientes recuperados em 1º de março passado.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) e o governo chinês divulgaram que na província de Hubei, onde fica Wuhan, não houve nenhum caso novo em 24 horas no dia 20 de março. No total, dados do governo mostram 81 mil casos confirmados desde o início da epidemia em dezembro passado, com 3.136 mortes. Menos de 7 mil doentes continuam em tratamento no país. 

O presidente Xi Jinping visitou Wuhan em março e passou pelo hospital Huoshenshan (significa Montanha do Deus do Fogo) de 1.000 leitos, com 60 mil m², uma das duas instalações temporárias construídas em 10 dias apenas. Esse hospital, que vamos identificar como HSS, utilizou a mesma planta de um hospital pré-fabricado erguido na capital Beijing na epidemia de SARS em 2003. Ambas as obras vieram complementar o trabalho do governo local que já havia convertido centros de convenção e estádios como unidades médicas provisórias. Wuhan é uma das 10 maiores cidades da China, posicionado estrategicamente como polo logístico conectados a diversas regiões.

A construção do HSS começou em 23 de janeiro e foi concluído em 2 de fevereiro, com a admissão do primeiro paciente na manhã seguinte. Uma instalação gêmea construída também com pré-fabricados, chamada Leishenshan (Montanha do Deus do Trovão), foi aberta em 8 de fevereiro num estacionamento ocioso no distrito vizinho de Jiangxia. Para crer nessa façanha, há diversos vídeos postados na internet sobre essa obra de 10 dias. 

O prédio do HSS tem dois pisos e 30 unidades de tratamento intensivo e alas de isolamento. Trabalharam na obra 7 mil homens e mulheres. A equipe médica e de enfermagem de 1.400 membros veio das forças armadas. Como é um hospital temporário dedicado a pacientes de coronavírus, e não um hospital permanente, suas instalações se resumem ao setor de triagem, equipamentos de imagem, laboratório clínico, farmácia e alas com enfermarias de isolamento. Nas áreas de isolamento, a pressão do ar precisa ser negativa e ter filtragem HEPA — sigla em inglês para filtragem de alta eficiência que captura 99,97% das partículas do ar que passa através dos filtros.  

Em Wuhan, um novo centro de convenções foi adaptado para 1.500 pacientes e 1.260 funcionários da equipe médica, sendo o de maior capacidade entre as unidades temporárias agora desativadas. Ele foi batizado como Hospital Wuhan Living Room e foi recondicionado em poucos dias com toda a instalação hospitalar e médica necessária. 

Segundo Architect’s Newspaper, o neurologista que dirige o hospital, Dr. Zhang Junjian, declarou a agência Associated Press que até final de março deve encerrar as operações, na medida que o número de pacientes novos cai vertiginosamente e as altas crescem.  “Vamos encerrar nossa missão”, disse ele. 

Como se vê, o Brasil que está no começo desta rota desafiante, o governo precisa mobilizar todos os recursos disponíveis — em conjunto com os estados, prefeituras e o setor privado — para que a população possa ser atendida nesse dramático cenário de pandemia. Mas é preciso agir! 

Nos EUA, o prazo emergencial seria 90 dias 

O site Fieldwire dedicado à construção nos EUA, consultou diversas empresas especializadas em obra modular pré-fabricada sobre o tempo necessário para se executar um projeto similar naquele país. Elas apontaram naturalmente que o governo chinês não teve de lidar com sindicatos trabalhistas nem regulamentos neste projeto. 

Diversas indústrias de pré-fabricados teriam que ser mobilizadas para operar 24h na produção dos módulos de concreto com estrutura metálica, para possibilitar que fossem empilhados — se o projeto prever piso térreo mais o superior. Paralelamente, máquinas estariam nivelando o terreno e concretando as fundações do hospital temporário. 

Outra alternativa seria o governo antecipar o quanto antes o projeto desses hospitais temporários, a fim de contratar a produção desses módulos pré-fabricados, além de definir os sítios a serem ocupados.

Os especialistas dessas empresas americanas apontam que numa emergência um hospital temporário pode ser montado em 90 dias. Em 2011, um hospital de 60 leitos foi construído em 88 dias em Joplin, Missouri, Estados Unidos, quando um tornado destruiu o centro médico daquela cidade.  

A construção modular pré-fabricada também foi empregada depois nos Estados Unidos – mas não em situação de catástrofe – no Miami Valley Hospital, em Miami; Heart and Orthopedic Center em Dayton, Ohio, com 178 quartos; e no Texas Health Harris Methodist Hospital, de quatro andares, em Fort Worth, Texas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *