A descarbonização do setor de transportes é um dos principais desafios da agenda de sustentabilidade aplicada à infraestrutura pesada. Obras como túneis, rodovias, ferrovias e pontes concentram volumes elevados de emissões de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida, mas ainda são menos avaliadas sob esse aspecto do que edifícios comerciais ou residenciais.
Dados técnicos apresentados pela SYSTRA indicam que um edifício comercial de cerca de 6.500 m² pode gerar aproximadamente 6 mil toneladas de CO₂ equivalente, enquanto um túnel rodoviário de 1.000 metros pode alcançar cerca de 20 mil toneladas de CO₂ equivalente. O impacto ocorre desde a extração e transporte de materiais até a operação e o descarte da infraestrutura ao final de sua vida útil.
Apesar dessa magnitude, a avaliação da pegada de carbono em projetos de transporte ainda enfrenta obstáculos técnicos, como a diversidade de componentes, métodos construtivos e contextos locais, o que dificulta a padronização dos cálculos e a incorporação desses dados no processo decisório.
Para lidar com essa lacuna, vêm sendo desenvolvidas ferramentas digitais voltadas especificamente para infraestruturas de transporte. Entre elas está o CarbonTracker, sistema apresentado pela SYSTRA com o objetivo de rastrear e monitorar as emissões de gases de efeito estufa ao longo de todo o ciclo de vida de um projeto, desde a fase de concepção até a entrega da obra.
Segundo informações técnicas da empresa, a ferramenta funciona a partir de três etapas principais: a configuração conforme as características do projeto e o contexto local; o cálculo da pegada de carbono com base nos dados disponíveis; e o monitoramento contínuo
do desempenho ambiental ao longo das fases de projeto, construção e fim de vida útil.
O CarbonTracker considera emissões associadas à produção de materiais, transporte, execução da obra, operação e descarte, expressas em toneladas de CO₂ equivalentes. Os cálculos utilizam fatores de emissão específicos para diferentes componentes e modos de transporte, ajustados à matriz energética de cada país. Os resultados podem ser exportados em planilhas, permitindo análises comparativas entre alternativas de projeto.

A metodologia adotada segue normas internacionais de avaliação do ciclo de vida, como a ISO 14040, ISO 14044 e a EN 15978, além de ser compatível com certificações como a PAS 2080, voltada à gestão de carbono em infraestrutura. As emissões são avaliadas desde a extração de matérias-primas até a desconstrução da obra ao final de sua vida útil.
O uso desse tipo de ferramenta também está alinhado ao avanço de mecanismos de financiamento sustentável, como green bonds, incentivos fiscais e exigências contratuais relacionadas à resiliência climática e a critérios ESG. Segundo informações técnicas apresentadas pela SYSTRA, a ferramenta foi desenvolvida para apoiar a incorporação de métricas ambientais desde as fases iniciais de planejamento e gestão de projetos de infraestrutura. Projetos como este estão entre os perfis esperados no 7º Prêmio Inova Infra 2026, que recebe inscrições até o dia 31 de janeiro. Para se inscrever, acesse o link.





