Editorial questiona a qualidade das obras de recuperação rodoviária após auditorias apontarem deficiências em cerca de 70% das estradas analisadas.
Estamos diante de fatos preocupantes sobre a qualidade das obras de recuperação de estradas vicinais no Estado de São Paulo.
Uma reportagem percorreu rodovias anteriormente auditadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e constatou que algumas delas, reformadas havia pouco mais de um ano, já apresentavam condições precárias de tráfego.
As intervenções, que deveriam proporcionar melhores condições de circulação e maior durabilidade ao pavimento, não impediram a rápida deterioração das vias.
Auditorias apontam deficiências em 70% das estradas analisadas
Segundo os dados mencionados na reportagem, cerca de 70% das estradas vicinais analisadas apresentavam algum tipo de deficiência.
O percentual levanta questionamentos sobre a qualidade dos serviços contratados e a efetividade dos investimentos realizados na recuperação dessas rodovias.
As empresas responsáveis pelas reformas receberam pelos serviços executados. No entanto, a deterioração precoce das vias exige uma avaliação das condições em que as obras foram planejadas, realizadas e fiscalizadas.
A situação remete aos questionamentos sobre a chamada Operação Tapa-Buracos, desenvolvida anteriormente pelo governo federal.
Em ambos os casos, o problema central é a necessidade de assegurar que os recursos públicos destinados à manutenção rodoviária resultem em melhorias efetivas e duradouras.
Falhas na execução e fiscalização podem comprometer a durabilidade do asfalto
Não se pode atribuir toda a responsabilidade pela deterioração das estradas exclusivamente às empresas contratadas sem examinar os demais fatores envolvidos.
Há diferentes aspectos que precisam ser avaliados, entre eles o gerenciamento das obras, a seleção dos materiais empregados e a fiscalização dos serviços.
Outro ponto relevante é o controle do excesso de peso dos caminhões que circulam pelas rodovias.
O tráfego de veículos com cargas superiores às condições previstas para o pavimento pode acelerar o surgimento de deformações e comprometer sua durabilidade.
Essas questões, entretanto, não diminuem a gravidade das deficiências identificadas nas estradas analisadas.
Quando uma parcela tão elevada das vias apresenta problemas pouco tempo depois das reformas, é necessário investigar as causas e apurar eventuais responsabilidades.
Pavimento rodoviário precisa oferecer vida útil compatível com o investimento
Um pavimento deve ser projetado e executado para apresentar condições adequadas de utilização durante vários anos.
O editorial toma como referência uma vida útil mínima de oito a dez anos, questionando como rodovias recém-reformadas podem se deteriorar em período tão curto.
O asfalto não pode perder suas condições de uso praticamente de um dia para o outro.
A situação observada nas estradas vicinais também encontra paralelo em ruas e avenidas da cidade de São Paulo.
Em determinados casos, vias que acabam de receber novo pavimento passam a apresentar sinais de desgaste pouco tempo depois da intervenção.
Esse cenário coloca em discussão a qualidade dos materiais, os métodos construtivos e o acompanhamento técnico das obras.
Recuperação de rodovias exige controle de qualidade e responsabilidade
A conservação das estradas vicinais é fundamental para garantir a circulação de pessoas, mercadorias e serviços.
Quando as obras de recuperação não apresentam a durabilidade esperada, os prejuízos vão além das condições de tráfego.
Há desperdício potencial de recursos públicos, necessidade de novas intervenções e comprometimento da confiança da população na aplicação dos impostos.
Diante das deficiências apontadas, não basta executar novas reformas. É necessário examinar os contratos, avaliar a qualidade dos serviços e identificar os fatores responsáveis pela deterioração precoce do pavimento.
Obras rodoviárias precisam ser planejadas, executadas e fiscalizadas com rigor técnico, para que os investimentos públicos resultem em infraestrutura duradoura.
Fonte: Estadão.


