A Raízen, joint venture entre o Grupo Cosan e a Shell, impulsiona a produção de etanol de segunda geração (E2G) no Brasil por meio de um plano estratégico de investimentos orçado em R$ 24 bilhões até 2030. O combustível sustentável — também denominado bioetanol, etanol celulósico ou etanol verde — utiliza resíduos biomassivos da cana-de-açúcar para elevar a produção sem necessidade de expansão da área agrícola cultivada.
A companhia anunciou o início das obras civis para duas novas plantas no interior de São Paulo, orçadas em R$ 1,2 bilhão cada (somando R$ 2,4 bilhões de aporte nesta fase). As unidades estão sendo construídas anexas às usinas Vale do Rosário, no município de Morro Agudo, e Gasa, na cidade de Andradina.
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Mapa de Expansão e Status das Obras das Usinas E2G
Com o início dos trabalhos de terraplanagem em Morro Agudo e Andradina, a Raízen passa a contar com cinco plantas industriais de E2G em andamento simultâneo. A infraestrutura soma-se ao complexo do bioparque Costa Pinto, em Piracicaba (SP), em operação contínua e considerado a maior usina de etanol celulósico do mundo em escala comercial.
| Unidade / Bioparque | Localização | Status da Obra / Fase de Engenharia | Capacidade Prevista / Entrega |
| Costa Pinto | Piracicaba (SP) | Operação comercial (Pioneira desde 2015) | Escala global |
| Bioparque Bonfim | Guariba (SP) | Montagem de equipamentos, conexões e comissionamento | Conclusão no 2º semestre de 2023 |
| Barra Bonita | Barra Bonita (SP) | Construção de fundações prediais | Previsão de entrega para 2024 |
| Valparaíso (Univalem) | Valparaíso (SP) | Construção de fundações prediais | Previsão de entrega para 2024 |
| Vale do Rosário | Morro Agudo (SP) | Contratação e execução de terraplanagem | 82 mil m³/ano (Previsão: 2025) |
| Usina Gasa | Andradina (SP) | Contratação e execução de terraplanagem | 82 mil m³/ano (Previsão: 2025) |
Demanda Global, SAF e Aplicações no Automobilismo
A estratégia de expansão fabril é sustentada por contratos de venda de longo prazo firmados com clientes internacionais focados em descarbonização, destinados predominantemente ao mercado da União Europeia. A carteira contratada da Raízen soma 4,3 bilhões de m³ de E2G comercializados, incluindo um acordo com a Shell para o fornecimento de 3,3 milhões de m³ do biocombustível até o ano de 2037.
As aplicações do produto abrangem diversos eixos de alta tecnologia e exigência regulatória:
- Automobilismo de Alta Performance: O E2G compõe a mistura do combustível da Scuderia Ferrari na Fórmula 1 e integra a totalidade do combustível renovável adotado na temporada da NTT Indycar Series.
- Indústria de Cosméticos: Utilização exclusiva do bioetanol purificado nas linhas de fragrâncias do Grupo Boticário.
- Bioquerosene de Aviação (SAF): Acordos estruturados preveem o uso do etanol de segunda geração para a produção de Sustainable Aviation Fuel. A companhia firmou parceria com a Embraer para apoiar o fornecimento do insumo até a meta de consumo 100% renovável da fabricante no Brasil.
Como É Produzido o Etanol Celulósico: Engenharia de Processo
Diferente do etanol de primeira geração (E1G) — derivado do caldo direto e do açúcar extraído da cana —, o E2G utiliza a biomassa lignocelulósica residual composta pelo bagaço e pela palha da cultura agrícola. A fabricação compreende três fases de engenharia química e biotecnologia:
- Pré-Tratamento da Biomassa: Processo tecnológico de fracionamento das estruturas vegetais para soltar a lignina (composto que concede rigidez estrutural à planta) dos carboidratos.
- Hidrólise da Celulose: Quebra da celulose e da hemicelulose liberadas, convertendo a estrutura vegetal em açúcares fermentáveis (glicose e xilose).
- Fermentação e Destilação: Processamento biológico do mosto açucarado. A conversão da xilose exige a utilização de leveduras geneticamente modificadas, culminando na purificação e destilação do álcool avançado.
O reaproveitamento integral dos resíduos vegetais eleva em 50% o potencial de produção de biocombustíveis no mesmo hectare produtivo, proporcionando uma pegada de carbono 30% menor do que o E1G e até 80% menor quando comparada aos combustíveis fósseis tradicionais.





