Apesar de ter aderido aos Princípios do Equador, conjunto de diretrizes sociais e ambientais voltadas ao financiamento responsável, o Banco Santander, da Espanha, enfrentava críticas de organizações ambientais por sua participação no financiamento da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia.
Durante reunião realizada em Washington, D.C., com instituições financeiras signatárias dos Princípios do Equador, organizações ambientais questionaram a participação do banco no Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira e defenderam sua retirada do empreendimento.
Segundo essas entidades, o envolvimento do Santander no projeto entraria em conflito com os compromissos socioambientais assumidos pela instituição.
Hidrelétricas do Rio Madeira geram debate socioambiental
As usinas de Jirau e Santo Antônio, em construção no Rio Madeira, principal afluente do Rio Amazonas, estavam no centro de discussões sobre os impactos ambientais e sociais associados à implantação de grandes empreendimentos hidrelétricos na Amazônia.
Organizações ambientais afirmavam que os projetos poderiam provocar impactos sobre os ecossistemas da região e atingir povos indígenas e outras comunidades tradicionais que dependiam do rio.
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As entidades também questionavam aspectos relacionados aos processos de licenciamento ambiental e aos riscos financeiros associados aos possíveis impactos socioambientais dos empreendimentos.
Santander participava do projeto de Santo Antônio
O Santander desempenhava papel na estrutura financeira da Hidrelétrica de Santo Antônio e, segundo o conteúdo original, possuía participação de 5% no capital do projeto.
As críticas surgiram em meio à adesão do banco aos Princípios do Equador, iniciativa criada para incorporar critérios ambientais e sociais à análise de financiamentos de grandes projetos.
Ao adotar os princípios, as instituições financeiras assumem compromissos relacionados à avaliação e gestão dos riscos socioambientais dos empreendimentos financiados.
As organizações ambientais argumentavam que a participação do Santander na usina deveria ser analisada à luz desses compromissos.
Organizações questionam impactos ambientais
Roland Widmer, então coordenador do Programa Eco-Finanças da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, criticou a participação da instituição financeira no empreendimento.
“O financiamento do Banco Santander para a usina de Santo Antônio vai permitir drásticos impactos socioambientais na Amazônia”, afirmou.
Widmer também apontou, na ocasião, questionamentos relacionados ao licenciamento ambiental e aos impactos sobre comunidades da região.
Glenn Switkes, então diretor do Programa Amazônia da organização International Rivers, também defendeu a retirada da instituição financeira do projeto.
“O apoio do Banco Santander à usina de Santo Antônio é uma clara contradição às aspirações para a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental e social”, afirmou.
Princípios do Equador entram no centro da discussão
Em comunicado divulgado em 30 de abril, o Santander afirmou que critérios ambientais e sociais seriam aplicados mundialmente aos novos projetos de financiamento, empréstimos e atividades de assessoria, em conformidade com os Princípios do Equador.
As organizações ambientais, porém, sustentavam que a participação do banco na Hidrelétrica de Santo Antônio deveria ser revista diante dos impactos que atribuíam ao empreendimento.
O debate colocou em evidência uma questão que ganhava importância no financiamento de grandes obras de infraestrutura: a incorporação de critérios ambientais e sociais às decisões das instituições financeiras envolvidas nesses projetos.
Fonte: Estadão





