Diante de um cenário em que a produtividade agrícola depende cada vez mais da capacidade de resistir a eventos climáticos extremos, a floresta em pé passa a ser reconhecida como parte da infraestrutura produtiva no campo. Na prática, a vegetação nativa contribui para maior resiliência climática e estabilidade hídrica – fatores cada vez mais determinantes para o agronegócio.
Evidências recentes reforçam essa mudança de perspectiva. O estudo “Decades Matter”, da Universidade de Cornell, mostra que práticas que combinam agricultura e biodiversidade elevaram a rentabilidade em mais de 2.800% em 20 anos sem perda de produtividade. Em paralelo, análises da Zero Carbon Analytics indicam que o desmatamento pode gerar o efeito oposto, com impactos já observados na produtividade da soja no cerrado devido à alteração no regime de chuvas.
É nesse contexto que se insere o modelo da Agropalma, empresa brasileira reconhecida mundialmente na produção sustentável de óleo de palma. Com operações no Pará, a companhia estruturou sua atuação com base na integridade do ecossistema. Desde 2002, a empresa adota uma política de não-desmatamento, o que significa que novos plantios são estabelecidos apenas em terras já degradadas por outras atividades humanas.
Na prática, áreas produtivas e florestais coexistem. Posicionadas lado a lado, as palmeiras ajudam a reduzir os impactos sobre as bordas das florestas, protegendo contra ventos, incêndios, excesso de insolação e outros agentes de degradação, enquanto as áreas preservadas auxiliam na regulação de temperatura, umidade e regime de chuvas.
“Hoje em dia, o produtor que não olha para clima, água e biodiversidade como partes intrínsecas da sua produção opera com mais risco”, afirma Túlio Dias Brito, diretor de Sustentabilidade da Agropalma. “A floresta é uma aliada direta da produtividade e o agronegócio pode ser vetor de sua preservação.”
Brito enfatiza que, ao proteger as florestas, como acontece na relação da companhia com a Amazônia, a biodiversidade também é preservada, o que colabora para a saúde do ecossistema, favorecendo, por exemplo, o controle biológico de pragas e diminuindo a dependência de insumos químicos.
Água: sustento da lavoura, origem na floresta
A conservação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) exerce um papel direto na proteção de nascentes, rios e córregos – ativos essenciais para a produtividade agrícola. Ao manter a vegetação nativa há maior infiltração de água no solo, contenção do assoreamento e melhoria da qualidade das águas e do ciclo de chuvas, sustentando tanto a lavoura quanto as comunidades ao redor. Na Agropalma, esse cuidado se traduz em práticas estruturadas de gestão hídrica. A empresa atua na preservação da qualidade dos cursos d’água e no tratamento eficiente do efluente da produção de palma (POME).
Como alternativa ainda mais sustentável ao tratamento do POME, a companhia investiu em um projeto inovador e construiu uma usina de bioevaporação e compostagem dos efluentes. A planta industrial utiliza as técnicas e tecnologias mais modernas em operação no mundo e tem como objetivo principal transformar os resíduos sólidos e líquidos provenientes da extração do óleo de palma em adubo orgânico de alta qualidade. Essa iniciativa visa não só reduzir o impacto ambiental, como também maximizar o aproveitamento de recursos, alinhando-se aos princípios da economia circular.
Captura de carbono
Outro fator relevante é a dinâmica de carbono. O cultivo em áreas previamente degradadas, aliado à preservação florestal, potencializa o sequestro de CO₂ e a mitigação das mudanças do clima. Esse modelo dialoga com uma tendência global de incorporar serviços ecossistêmicos, seja a regulação climática, a disponibilidade hídrica ou a fertilidade do solo, como ativos estratégicos.
“Produzir na região amazônica exige uma visão de longo prazo. Nós só conseguimos manter a operação consistente quando cuidamos do ambiente que a alicerça”, diz Brito. “Na Agropalma nós aprendemos ao longo dos anos que não existe produtividade sustentável sem equilíbrio ambiental. Quando a floresta está saudável, ela garante as condições para que a produção também seja”, acrescenta.
Ao consolidar esse modelo, a Agropalma chancela uma lógica que ganha espaço no setor: a floresta em pé não é custo, nem compensação, mas infraestrutura produtiva. Em um cenário de crescente instabilidade climática, preservar se estabelece como uma estratégia de negócio.



