A crescente demanda por infraestrutura aeroportuária no Brasil, impulsionada por concessões e o aumento do fluxo de passageiros, exige soluções de engenharia inovadoras para a modernização e aumento de capacidade de terminais existentes. A ampliação do Aeroporto Internacional de Belém enfrentou essas demandas nas obras em curso para a instalação de novos mezaninos. O projeto do Aeroporto de Belém visava atender às expectativas dos usuários decorrentes do período de concessão, com a necessidade de expandir o primeiro pavimento, onde se localizam restaurantes e o lado restrito do terminal. Para tal, foi proposta a construção de dois mezaninos em estrutura metálica. A principal dificuldade da Eterc Engenharia residia na execução das fundações para essas estruturas em locais de alta circulação, especificamente no saguão de check-in e no de desembarque. A utilização de equipamentos de grande porte convencionais era inviável devido ao espaço limitado de acesso e à imperativa necessidade de manter o aeroporto plenamente operacional, minimizando transtornos aos passageiros e à rotina do terminal.
COMO FOI EXECUTADO O PROJETO
Diante das severas restrições de espaço, tempo e impacto operacional, a equipe de engenharia, em parceria com projetistas estruturais, optou pela utilização de estacas metálicas helicoidais como solução de fundação. Este tipo de fundação, composto por uma ou mais placas em forma de hélice soldadas a uma haste central de aço, é cravado no solo por rotação, sem a necessidade de escavação ou remoção de solo. As principais vantagens das estacas helicoidais para este cenário incluíam instalação rápida devido a praticidade do processo, contribuindo para ganhos significativos de tempo na fase de construção.
A execução também pode ser realizada com equipamentos menores, adequados para áreas com espaço limitado, como o interior de um terminal aeroportuário. As estacas helicoidais oferecem alta capacidade de carga, garantindo a estabilidade das novas estruturas. Para a cravação das estacas no projeto do Aeroporto de Belém, foi utilizada uma retroescavadeira equipada com um braço adaptado, capaz de fornecer o torque necessário para a execução eficiente das estacas helicoidais.
A utilização de uma retroescavadeira em um ambiente fechado e sem ventilação adequada, como o saguão do aeroporto, apresentava um obstáculo significativo relacionado à emissão de gases poluentes pelo escapamento do equipamento. Para mitigar esse impacto e garantir a qualidade do ar e o bem-estar dos ocupantes do terminal, foi implementado um sistema de exaustão. Este sistema consistiu na adaptação de um duto de exaustão diretamente ao escapamento da retroescavadeira, que direcionava os gases poluentes para fora do terminal. Isso possibilitou a operação contínua do equipamento sem comprometer a qualidade do ar interno, protegendo a saúde e segurança dos trabalhadores e passageiros, além da conformidade com as normas ambientais.
A implementação bem-sucedida das fundações para os novos mezaninos no Aeroporto de Belém, utilizando estacas metálicas helicoidais e um sistema de exaustão adaptado, exemplifica a capacidade da engenharia em superar desafios complexos em projetos de infraestrutura.






