Com as mudanças climáticas recentes, pavimentos asfálticos necessitam ter capacidade de manter o desempenho adequado sob regimes térmicos mais severos, além da resposta a eventos hidrológicos extremos. Assim, o desenvolvimento de CAPs de alto desempenho, com elevada resistência à deformação permanente em altas temperaturas, constitui uma estratégia relevante de adaptação climática.
Diante desse cenário, a equipe da Motiva desenvolveu uma mistura asfáltica produzida com um ligante asfáltico de alto desempenho, formulado com foco em resiliência climática frente ao aumento das temperaturas máximas médias do pavimento e à atuação de tráfego pesado e lento em segmentos com aclives acentuados.
Após a etapa laboratorial, a mistura foi aplicada em pista experimental submetida a condições reais e severas de clima e tráfego. Após 12 meses de monitoramento em campo, observou-se resultado satisfatório quanto ao afundamento nas trilhas de roda, indicando desempenho adequado da solução proposta frente às solicitações térmicas e mecânicas impostas.
COMO O MATERIAL FOI DESENVOLVIDO
O aumento das temperaturas de serviço dos pavimentos asfálticos, associado à intensificação do tráfego pesado e lento, tem se consolidado como um dos principais fatores de degradação prematura dos revestimentos, especialmente em segmentos críticos como aclives acentuados.
A avaliação do ligante asfáltico consistiu em submeter o CAP a um conjunto de ensaios laboratoriais, com o objetivo de verificar sua adequação às condições severas de temperatura e tráfego consideradas neste estudo. A Tabela 1 apresenta os principais resultados obtidos para o CAP Stylink AM 80/85-E.
TABELA 1 – CARACTERIZAÇÃO DO LIGANTE

A equipe observou que o ligante apresentou um excelente desempenho quanto ao ensaio reológico MSCR, o que denota uma boa resistência a deformação permanente, defeito típico recorrente do segmento experimental. Além disso, o CAP apresentou elevada recuperação elástica (87%) e baixa penetração (18 dmm), indicando boa tenacidade e resiliência.
Segundo a equipe, a mistura asfáltica desenvolvida foi avaliada em laboratório quanto às suas propriedades volumétricas e mecânicas, com o objetivo de verificar a adequação da dosagem adotada às condições de carregamento e temperatura consideradas neste estudo. A Tabela 2 apresenta os principais parâmetros da mistura.
TABELA 2 – CARACTERIZAÇÃO DA MISTURA ASFÁLTICA

Considerando que a deformação permanente é o principal mecanismo de degradação no segmento experimental, a resistência da mistura asfáltica ao fluxo permanente foi avaliada por meio do ensaio de Flow Number, adotado como principal indicador de desempenho sob altas temperaturas e carregamentos repetidos, especialmente representativos de condições de tráfego pesado e lento. Os resultados obtidos permitem avaliar a capacidade da mistura em retardar o acúmulo de deformações permanentes em condições críticas de operação.
O TESTE E OS RESULTADOS
Após a validação laboratorial, a mistura asfáltica desenvolvida foi aplicada em trecho experimental executado em janeiro de 2025, em um segmento crítico da BR-116/SP, caracterizado por aclive acentuado, predominância de tráfego pesado e lento e histórico recorrente de deformações permanentes. O desempenho em campo foi avaliado por meio de levantamentos do Afundamento de Trilha de Rodas (ATR), realizados com escâner de pavimentos, totalizando quatro medições entre janeiro e dezembro de 2025. A Figura 2 apresenta a evolução do ATR ao longo do período de monitoramento, apesar da diferença de leitura entre o escâner 1 e o escâner 2, é possível observar pouca evolução dos níveis de deformação permanente na estrutura, bem abaixo do limite máximo estabelecido. Esse comportamento indica elevada estabilidade plástica da mistura asfáltica sob condições severas de temperatura e carregamento, corroborando os resultados obtidos em laboratório.
FIGURA 1 – ENSAIO DE FLOW NUMBER (DEFORMAÇÃO PERMANENTE)

Os resultados do estudo demonstraram que a mistura asfáltica desenvolvida apresentou comportamento altamente satisfatório. Ao longo de 12 meses de monitoramento em campo, não foi observada evolução significativa do afundamento nas trilhas de roda, evidenciando elevada estabilidade plástica e adequada resistência à deformação permanente sob condições severas de operação. “A coerência observada entre os indicadores laboratoriais e o desempenho em campo confirma a efetividade da abordagem orientada ao desempenho adotada e demonstra que o uso de CAP de alto desempenho constitui uma estratégia eficaz para aumentar a resiliência climática de pavimentos asfálticos submetidos a altas temperaturas e tráfego pesado e lento, contribuindo para a redução de intervenções prematuras e para a maior durabilidade do revestimento em segmentos críticos”, concluiu a equipe.






