Gastos e falta de consciência

Vamos falar de gastos e de falta de consciência. Não me refiro a despesas miúdas, destas que somente acumuladas mudam de figura. Mas daquelas graúdas que, somadas, nos levam a imaginar o pior dos mundos para o País.

Há algum tempo houve um sopro de esperança quando os presidentes da Câmara e do Senado acharam por bem acabar com a iniquidade do pagamento do 14º e do 15º salários de parlamentares. Na prática, nunca houve necessidade de pagamento dessa ordem. Os parlamentares já são pagos para além do que merecem. O que nunca lhes tem faltado é a mais ampla disponibilidade de verba.

Por causa disso persiste, enraizados, alguns questionamentos na cabeça do brasileiro: Quanto custo um parlamentar? E, acaso ele merece ganhar o que ganha? Pesquisa recente e passada, feita aqui e alhures, tem deixado claro para esta e para as próximas gerações, que o parlamentar brasileiro é o segundo mais caro do mundo.

Cada um nunca recebe menos que R$ 78 mil para contratar assessores; ganham R$ 26,7 mil por mês, além de auxílio-moradia de R$ 3 mil, sujeito a reajustamentos. E podem dispor de cotas parlamentares da ordem de R$ 30 mil. Portanto, estão lá no topo da abastança califária.

Imaginávamos que o corte salarial seria uma medida de reconhecimento de que, enfim, algo hes mexeu na consciência. Hoje, contudo, três semanas depois de anunciada a medida moralizadora, vemos que a mesa diretora da Câmara coloca em pauta projetos que criam cerca de 60 cargos para, ali, enterrar o dinheiro economizado. Resumo da ópera: eles não têm jeito. Ficou o dito por não dito.

Mas, o Executivo também não dá bons exemplos. Haja vista a viagem presidencial a Roma, para ver o Papa, que representou enormes gastos com 52 quartos no hotel Westin Excelsior, na Via Veneto, e com o aluguel de 17 carros. Sobram razões, portanto, à população de Petrópolis, que protestou contra a visita presidencial na missa em memória das 33 pessoas mortas nas enchentes ocorridas na cidade há nove dias. Tanta gastança supérflua, quando ali há necessidade de obras contra enchentes e de habitação para remover a população das áreas de risco. A falta de consciência dessa gente é alguma coisa devastadora.

Fonte: Nildo Carlos Oliveira

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