A Ibrame colocou em operação a primeira fábrica de vergalhão de cobre do estado do Rio de Janeiro, marco industrial que deve estimular o desenvolvimento da cadeia de produção e transformação do cobre na região e reduzir a dependência de fornecedores de outros estados.
A iniciativa se insere em um contexto favorável criado em 2012, quando o governo do Rio de Janeiro passou a conceder tratamento tributário especial ao setor, reduzindo a alíquota do ICMS de 19% para 2% para empresas que realizassem investimentos superiores a R$ 40 milhões.
Indústria âncora para a cadeia do cobre
“Como o cobre semielaborado é um insumo básico para diversos processos industriais, a instalação da IBR-Lam tem potencial para atrair outras empresas para a região”, afirma Luiz Osvaldo Pastore. Segundo a companhia, com a entrada em operação da unidade, o Rio de Janeiro deixa de adquirir 100% do cobre de outros estados e passa a atuar também como fornecedor do insumo.
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Investimento e capacidade produtiva
A nova unidade industrial demandou investimento de R$ 110 milhões. A capacidade instalada permitirá atingir entre 100 mil e 110 mil toneladas por ano nos próximos três anos. Para o primeiro ano de operação, a produção estimada é de 75 mil toneladas.
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Nos processos de fundição, a fábrica utilizará dois tipos de matéria-prima:
- cátodo de cobre (cobre puro);
- sucata de cobre, reforçando a lógica de reaproveitamento de materiais.
“A produção será composta por 60% de cátodo e 40% de sucata”, explica Sérgio Ragusa.
Suprimento internacional e mercado interno
De acordo com o executivo, Chile e Peru responderão por 75% do fornecimento de cátodo, enquanto os 25% restantes virão do mercado interno. Já a sucata de cobre será integralmente adquirida de fornecedores do estado do Rio de Janeiro, fortalecendo a economia local e a cadeia de reciclagem.
Demanda aquecida e aplicações industriais
Segundo Sérgio Ragusa, o mercado brasileiro de cobre atravessa um período de forte aquecimento, impulsionado por investimentos em diferentes setores produtivos. “Nossos principais clientes estão na indústria de base, infraestrutura, construção civil, indústria automobilística, além de projetos de hidrelétricas, usinas eólicas e óleo e gás”, afirma.
O avanço desses segmentos reforça o papel estratégico do cobre como insumo essencial para obras, sistemas elétricos, energias renováveis e processos industriais, consolidando a Ibrame como um ator relevante na indústria metalúrgica nacional.


