Suape amplia infraestrutura operacional e prevê usina de metanol verde

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Estão previstos investimentos de aproximadamente R$ 1,8 bilhão em infraestrutura no Porto de Suape até 2030. Localizado a 40 km do Recife (PE), o complexo – administrado pela estatal Suape Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco em convênio com o governo federal – terá, apenas em 2025, mais de R$ 320 milhões aplicados em obras. O plano de expansão inclui, até 2026, o arrendamento de novos terminais, ampliando a capacidade operacional e a atração de cargas.

Entre as obras de infraestrutura portuária em curso está a dragagem do canal interno. A intervenção tem custo de cerca de R$ 200 milhões. O consórcio Van Oord/Jan De Nul, vencedor da licitação, utiliza duas dragas para aprofundamento do canal, que atingirá 16,2 metros, prevendo a remoção de 3,8 milhões m³ de sedimentos. O prazo para conclusão da dragagem é de cinco meses.

“O serviço é fundamental para permitir a atracação em segurança de porta-contêineres de 366 m de comprimento e de outras embarcações de classe mundial com capacidade otimizada de carga”, afirma diretor-presidente do Complexo de Suape, Armando Monteiro Bisneto. O mesmo contrato contempla a dragagem e a manutenção da bacia de evolução externa para a profundidade de 16,4 m e dos píeres de granéis líquidos (PGLs) 3A e 3B, para até 18,5 m.

Também se destaca a requalificação do molhe de proteção, atualmente em sua quarta etapa. O valor contratado foi de R$ 123 milhões, a serem investidos nos 1.780 m da estrutura costeira. O cronograma de execução é distribuído ao longo de 47 meses, pela construtora Venâncio. O projeto visa a recomposição do prolongamento do molhe, que sofreu danos significativos na berma hidráulica ao longo dos anos. Os trabalhos devem ser concluídos em maio de 2028.

Entre as dificuldades de engenharia enfrentados nas obras, segundo Monteiro, destaca-se a geotecnia local. “Ao longo do território de Suape são encontrados muitos depósitos de solo mole, condição comum para áreas de mangue. A grande concentração de material de alta plasticidade dificulta a execução de fundações, aterros e contenções. Com isso, as obras projetadas para o território necessitam de soluções técnicas mais complexas”, explica o executivo.

Para a expansão da infraestrutura portuária, está prevista no rol dos projetos prioritários a construção dos cais 6 e 7. Tais equipamentos portuários darão continuidade à linha de cais atualmente existente no porto, de 1 a 5. “Destacamos, também, o planejamento para implantação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), com o intuito de ofertar as condições atrativas para empreendedores que operem com exportação”, diz o diretor-presidente.

NOVAS TECNOLOGIAS NA GESTÃO

Para os serviços de manutenção, está em fase de contratação o apoio técnico, o gerenciamento e a fiscalização das atividades, incluindo a implantação de um sistema supervisório – tecnologia computacional que coleta, monitora e gerencia dados de processos industriais e instalações – alimentado por IoT (internet das coisas) e por equipes de campo. “A solução permitirá a visualização digital da infraestrutura existente, dos projetos, dos manuais correlatos e do histórico de serviços realizados e em andamento”, frisa.

O sistema supervisório será integrado a uma central de abertura de chamados, que permitirá a usuários previamente cadastrados registrar não conformidades e ações de fiscalização em campo. Essa integração possibilitará o cruzamento entre chamados e ordens de serviço em execução, com informações atualizadas sobre os avanços já realizados. Também será intensificado o uso de drones e nuvens de pontos, visando melhor planejamento e execução de projetos, com integração ao modelo BIM e suporte à conferência dos serviços ao final das obras – o que ampliará a produtividade e a confiabilidade dos dados. Além disso, todos os projetos e relatórios de manutenção serão armazenados em uma plataforma gerenciada por inteligência artificial própria.

“Os projetos estruturantes estão sendo contratados em plataforma BIM, o que amplia a eficiência na compatibilização entre disciplinas e produtos. De forma geral, os avanços registrados incluem importantes ganhos na capacidade de realizar levantamentos, fiscalizações, projetos e dimensionamentos, todos apoiados por tecnologias como IoT, inteligência artificial, aprendizado de máquina, além de mão de obra especializada”, revela o diretor-presidente de Suape. A contratação da empresa que será responsável pelo sistema supervisório integrado ao BIM aguarda o desenrolar do procedimento licitatório.

Armando Monteiro Bisneto,
Diretor-presidente do
Complexo de Suape
Renata Loyo, diretora de
Infraestrutura Complexo d
e Suape

A administração do porto vem trabalhando há cerca de dois anos na implantação do sistema Port Management Information System (PMIS), desenvolvido pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR). Em operação desde o fim de 2023, o PMIS automatiza etapas críticas da operação portuária, substituindo planilhas e sistemas isolados por uma plataforma integrada, com dashboards inteligentes e comunicação via APIs (do inglês application programming interfaces ou interfaces de programação de aplicações).

Monteiro destaca, ainda, que o setor de infraestrutura tem como planejamento a criação de uma IA dedicada, que apoiará suas atividades, tal como gerenciamento de arquivos digitais. “Para complementar a iniciativa, encontra-se em andamento a aquisição dos serviços de digitalização do arquivo físico existente. Além disso, continua o executivo, “estamos em tratativas com uma empresa para uso de IA no monitoramento remoto das operações nos cais e píeres. A ideia é utilizar as câmeras de monitoramento, adotando a tecnologia de OCR, para identificar situações que venham a colocar em risco as pessoas e o patrimônio, gerando alertas.”

LOGÍSTICA PORTUÁRIA

Devido à sua grande extensão territorial – cerca de 17.300 hectares –, o Porto de Suape adota uma estrutura organizacional voltada não apenas à operação portuária, mas também à gestão integrada da ampla área sob sua administração. Um exemplo disso é a gestão compartilhada da fiscalização dos cerca de 44 km de rodovia pedagiada que atravessam a área do porto – trecho concedido à empresa CRA. O executivo lembra também da estruturação para a atração de novas cargas e da integração do porto com a sua hinterlândia. “Não podemos deixar de comentar sobre o planejamento do atracadouro para se integrar à ferrovia Transnordestina, quando se viabilizar o trecho Salgueiro-Suape”.

Segundo ele, Suape já tem um projeto executivo do ramal interno, de cerca de 8,79 km, dos quais aproximados 3 km estarão dispostos em obras de arte especiais, ligando o ponto externo da ferrovia com as áreas internas do porto até a sua margem esquerda, com final na área reservada ao futuro terminal de minérios, na Ilha de Cocaia. Também há estudo em andamento na Infra S.A. para o trecho da margem direita, de grande importância para a integração completa do porto ao modal ferroviário. “Pretendemos também construir uma central de compartilhamento de dutos, melhorando a distribuição dos granéis líquidos operados no porto”, adiciona o executivo.

INVESTIMENTOS PRIVADOS NOS TERMINAIS

Os operadores privados também têm investido em suas áreas no porto de Suape. No ano passado a APM Terminals, do grupo A.P. Moller – Maersk, anunciou investimento de R$ 1,6 bilhão para ampliar suas operações em Suape, com a construção de um novo terminal de contêineres. O novo espaço permitirá aumentar em mais de 50% a capacidade de movimentações de contêineres. O Consórcio Piatec/HTB é o responsável pela obra. Previsto para entrar em operação em meados de 2026, o terminal começará a operar com a capacidade de movimentação de 400 mil TEUs/ano. Além disso, será o primeiro terminal 100% eletrificado do grupo na América Latina. A criação do novo terminal vai gerar na fase de construção 500 empregos diretos e 2.000 indiretos. Na operação, a previsão é de serem gerados cerca de 350 empregos diretos e aproximadamente 1.400 indiretos.

Há, também, segundo Monteiro, projetos para a ampliação de tancagens de granel líquido no porto, a exemplo dos recentes investimentos da empresa Ultracargo e Temape, “o que fortalece a vocação de Suape como hub de graneis líquidos, reforçando a nossa posição como o maior desse tipo de carga no País”. Graneis líquidos representam cerca de 70% das operações do porto. Isso faz com que as instalações portuárias tenham uma extensa rede de dutos interligados a partir dos Píeres de Graneis Líquidos (PGLs) até os terminais, e principalmente, à Refinaria Abreu e Lima (Rnest).

“Na área portuária, estamos passando por um planejamento intenso para estruturar o portfólio de novos arrendamentos, cumprindo com as fases necessárias para novos leilões já no próximo ano. Nesse sentido, vamos lançar a concessão de um pátio de veículos, de um terminal de carga geral e de um terminal de granel líquido. Além disso, temos um estudo de pré-viabilidade pronto, que indica potencial para implantação de um terminal de granel vegetal em uma área greenfield”, revela Monteiro.

Segundo o executivo, o porto – que possui 262 empregados, entre efetivos e comissionados – vem aumentando a movimentação de contêineres e fortalecendo a sua posição em relação a operações de automóveis e granéis líquidos, visando manter uma posição de referência como porto indústria. Suape fechou o ano de 2024 com 24,8 milhões de toneladas movimentadas, a segunda maior da sua história de 46 anos, um crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior. Entre as operações que mais cresceram, está a de contêineres, com aumento de 23,4% em relação a 2023. “Destaque também para os graneis sólidos, com aumento relevante na movimentação de coque e clinquer, que deve ultrapassar neste ano a marca de 1 milhão de toneladas voltadas à exportação”, completa Monteiro.


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