Vencedora do Leilão de Transmissão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), realizado em março, na sede da Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, a Engie Brasil, reconhecida por ser uma das líderes em energia renovável do país, definiu uma estratégia para seguir em desenvolvimento no setor. Com capacidade instalada própria de cerca de 13 GW em 120 usinas, o que representa cerca de 5% da capacidade nacional, a empresa possui 100% de sua capacidade instalada proveniente de fontes renováveis e com baixas emissões de gases do efeito estufa, como usinas hidrelétricas, eólicas, solares e a biomassa.
“O grupo tem um planejamento bem claro no que se refere a evolução na área de redes de energia (power network), que inclui infraestrutura elétrica de transmissão e distribuição, exemplificada pela recente aquisição de uma distribuidora de energia na Inglaterra. Essa ambição de crescimento se estende ao Brasil e à América Latina, e aqui no país nossa meta é de se desenvolver cada vez mais. A prova disso está na conquista do leilão de transmissão da Aneel, onde arrematamos o lote 2 e os sublotes 3A, 3B, 3C e 3D, consolidando nosso plano de expansão nacional com novas concessões nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Ceará”, explica Gustavo Labanca, Diretor de Transmissão de energia da companhia.
O lote 2 e os sublotes 3A, 3B, 3C e 3D foram arrematados com uma Receita Anual Permitida (RAP) de R$122,7 milhões e investimentos totais estimados pela concessionária em cerca de R$1,5 bilhão. Com a aquisição, a empresa será responsável pela construção de uma linha de transmissão que vai conectar os estados do Paraná e Santa Catarina.
O investimento previsto deve ser superior ao Capex estimado pelo regulador, que é de R$800 milhões, para a implantação de 143 km de linha de 230 KV. A empresa já possui pré-acordo com empresas responsáveis pela construção e montagem, mas o desafio fundiário na região Sul do Brasil, especialmente em áreas de plantação de soja, requer negociação para o direito de uso da faixa de servidão, além do licenciamento ambiental necessário. A estruturação do financiamento para o empreendimento é crucial, com a expectativa de alavancagem financeira devido ao fluxo de caixa estável após a operação.
“O lote 2 (Paraná e Santa Catarina) se conecta a uma subestação existente da empresa, em Ponta Grossa, e cerca de 80% da nova linha corre paralelamente a uma já existente na região. Essa sinergia operacional com o projeto Gralha Azul(primeiro de linhas transmissão) e o projeto Graúna(arrematado no Leilão de Transmissão da Aneel em 2024), permite que a empresa otimize a mobilização de mão de obra e gerencie ambas as obras com a mesma equipe, resultando em maior eficiência na implantação de 740 km de linha, além de se beneficiar do conhecimento da região”, explica o executivo.
Por outro lado, o Lote 3 concentra o maior volume de investimentos do certame e prevê aportes superiores a R$1,3 bilhão para a construção de cinco compensadores síncronos nos estados do Rio Grande do Norte e Ceará, em linha com o intervalo definido pelo regulador. A fase atual é de contratação final e acerto de termos e condições com fornecedores para cronogramas de entrega e comissionamento, sendo que a Rap (Receita Anual Permitida) adicional desses projetos será de R$ 122 milhões, o que representa um aumento de cerca de 10% na Rap da empresa nos próximos dois a três anos.
A companhia será responsável pelas obras do sublote 3A , que contempla a implantação do compensador síncrono na subestação Ceará-Mirim II, no Rio Grande do Norte, com investimento estimado em R$285 milhões. O sublote 3B prevê a construção do síncrono na subestação Quixadá, no Ceará, com aporte estimado em R$272 milhões. O sublote 3C abrange a implantação na subestação Morada Nova, no Ceará, com investimento estimado em mais de R$538 milhões. Já o sublote 3D inclui a construção do compensador na subestação Açu III, no Rio Grande do Norte, com investimento aproximado de R$285 milhões. O prazo previsto para conclusão das obras é de até 42 meses.
“Os sublotes no Ceará e Rio Grande do Norte (Lote 3) se beneficiam da presença da empresa na região, que já possui ativos de geração renovável (eólica e solar) e operações de transporte de gás. O conhecimento da região e dos *stakeholders* locais facilita o desenvolvimento do projeto, que inclui cinco compensadores síncronos, um equipamento essencial para gerar energia reativa, mitigar o *curtailment*(desligamento obrigatório de usinas renováveis pelo ONS,Operador Nacional do Sistema, mesmo quando há vento ou sol), e aumentar o despacho de energias renováveis, contribuindo para a transição energética”, conta o executivo.
O prazo das concessões do serviço público de transmissão, que compreende as etapas de licenciamento, construção, operação e manutenção das instalações, será de 30 anos, contados a partir da data de assinatura dos contratos. A companhia também prevê antecipar a entrega dos empreendimentos arrematados, reforçando seu compromisso com eficiência operacional e cumprimento de prazos.
“O objetivo global da empresa é ser a melhor em transição energética e alcançar metas Net Zero para 2045 (e 2030 para escopos 1 e 2 no Brasil), fundamental para o desenvolvimento de um sistema de transmissão robusto. Reconhecemos que o setor de transmissão é o que mais investimos desde o racionamento de 2001, e os novos projetos, demandados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), contribuirão para a maior transferência de energia entre regiões e mais flexibilidade na operação, o que é vital para o aproveitamento de fontes intermitentes de energia renovável”, finaliza.
Outra empresa destaque no leilão da Aneel foi a Cymi Construções e Participações, que ficou com os lotes 1 e 5. O lote 5, com 505 km de linhas e três subestações, é o de maior extensão de rede e foi projetado para atender à região de Novo Progresso (PA) a partir de Cláudia (MT). O lote 1, composto por instalações no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, teve três interessados: Consórcio Olympus, Axia Energia Sul e a vencedora Cymi, que ofertou R$ 46.611.311,00 em RAP, com deságio de 46,85%.
Já o lote 5, também vencido pela Cymi com oferta de R$ 91.194.333,00 e deságio de 50,89%, é composto por instalações em Mato Grosso e no Pará e teve como concorrentes Taesa, Celeo Redes Brasil, FIP Warehouse, EDP Energias do Brasil, Consórcio Olympus e Axia Energia Sul.
O consórcio BR2ET Transmissora venceu o lote 4, que prevê obras em Sergipe e no Nordeste da Bahia para ampliar a capacidade de transmissão na região, com oferta vitoriosa de R$ 25.563.777,00 e deságio de 37,89%, tendo como concorrentes Axia, Celeo Redes Brasil, Alupar e Consórcio Atlas.
Ao todo, segundo a Aneel, os empreendimentos contratados demandarão a construção e manutenção de 798 km de linhas de transmissão e a expansão de 2.150 MVA em capacidade de transformação, além da instalação de compensadores síncronos. Os lotes estão distribuídos por 11 estados: Bahia, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe, Santa Catarina e São Paulo. O prazo para conclusão das obras varia de 42 a 60 meses, conforme a complexidade de cada projeto. A expectativa da Aneel é de geração de cerca de 8,5 mil empregos diretos e indiretos ao longo da execução dos empreendimentos.
Número de empregos que serão gerados em cada um dos lotes arrematados pela Engie Brasil, no leilão de transmissão da Aneel:
- Total: 4.500 empregos
- Lote 2 – 550 empregos estimados
- Lote 3 – 3950 empregos estimados
Número de empregos que serão gerados em cada um dos lotes arrematados pela Cymi Construções e Participações, no leilão de transmissão da Aneel:
As obras devem ser concluídas em 49 meses, com estimativa de criação de 1.295 empregos, no lote 1 e 2020 no lote 5.
Gustavo Labanca – Diretor de Transmissão de energia da Engie Brasil
Executivo com mais de 25 anos de experiência no setor de energia, com conhecimento no desenvolvimento de novos negócios e mercado financeiro, desde 2019, é CEO da TAG – Transportadora Associada de Gás, acumulando também o cargo de Head of Operations Brasil para GBU Networks na ENGIE desde Julho de 2021. É atualmente Conselheiro Suplente da ENGIE Brasil Energia, tendo atuado como presidente do Conselho de Administração da ATGÁS (Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto) entre 2020 e 2022.







