A mobilidade urbana na Baixada Santista tem como um de seus maiores desafios históricos a travessia de veículos entre os municípios de Santos e Guarujá. O projeto de ligação seca, apresentado originalmente com um traçado de 4,6 quilômetros de extensão — incluindo 1 quilômetro de ponte estaiada —, foi projetado para mitigar o gargalo logístico que afeta diretamente o cotidiano de mais de um milhão de habitantes das cidades de Santos, São Vicente e Guarujá.
Diariamente, cerca de 24 mil veículos dependem do sistema de balsas para realizar a travessia. Durante a temporada de férias e feriados prolongados, o fluxo da Baixada Santista praticamente dobra, elevando a demanda para mais de 30 mil veículos por dia e gerando severos impactos no tráfego local. O projeto da ponte estaiada surgiu não apenas como uma solução de engenharia civil para o fluxo viário, mas também como um elemento de transformação paisagística para a região portuária.
Detalhes Técnicos e Engenharia do Projeto
A engenharia do complexo viário foi dimensionada para atender tanto ao tráfego urbano quanto às rigorosas restrições de gabarito do Porto de Santos. Com um investimento estimado inicialmente em R$ 700 milhões e prazo de execução de 30 meses, a proposta estrutural previa os seguintes parâmetros:
- Extensão Total: 4,8 quilômetros de novas pistas.
- Trecho Estaiado: 1 quilômetro de extensão de alta complexidade rodoviária.
- Capacidade: Duas faixas de rolamento em ambos os sentidos.
- Gabarito Vertical: Altura livre de 80 metros para garantir a navegação de grandes navios no canal do porto.
- Declividade Máxima: Rampa com inclinação limitada a 6% para a segurança de veículos pesados.
Conexões Urbanas e Acessos Planejados
Os pontos de engate da estrutura foram estrategicamente desenhados para conectar os eixos viários principais de cada município.
- Lado de Santos: Acesso projetado pela Avenida Mário Covas, nas proximidades da Avenida Coronel Joaquim Montenegro (Canal 6).
- Lado de Guarujá: Conexão prevista na Avenida Santos Dumont, nas imediações do Rio Santo Amaro.
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O Gargalo Logístico da Travessia por Balsas
A necessidade de uma rota rodoviária contínua é evidenciada pelas limitações geográficas da região. Tradicionalmente, o deslocamento entre Santos e Guarujá exige a escolha entre duas alternativas de transporte:
| Rota de Conexão | Extensão / Escopo | Impacto Operacional |
| Via Rodoviária | Cerca de 45 quilômetros | Utiliza as rodovias Anchieta e Cônego Domenico Rangoni. |
| Via Marítima (Balsas) | Travessia direta do canal | Sistema que chegou a registrar a marca histórica de 8,6 milhões de veículos transportados em um único ano. |
A implantação de uma infraestrutura estaiada de grande porte visa eliminar o tempo de espera associado ao transporte marítimo, otimizando o escoamento de cargas direcionadas ao Porto de Santos e melhorando a qualidade de vida da população flutuante que frequenta o litoral paulista.



