A extensão da Linha 4-Amarela rumo a Taboão da Serra iniciou a etapa de escavações. Após as fases de planejamento, contratação e preparação técnica da obra, o empreendimento avança para uma nova etapa de implantação com a abertura das estruturas subterrâneas.
Essa é a primeira PPP (Parceria Público-Privada) no metrô de São Paulo prevista no contrato de concessão e no Plano Diretor de Trens Urbanos (PDTU) da cidade. O projeto, que marca a primeira vez que o trem atravessa os limites da capital paulista, segue o cronograma previsto para entregar 3,3 km de novos túneis e duas novas estações. Ao todo, serão mais de R$4 bilhões investidos na extensão, que visa aumentar a eficiência da manutenção, operação e diminuir o tempo de deslocamento da população.
“O tempo de viagem do centro de Taboão até a Estação da Luz, no centro de São Paulo, será reduzido de aproximadamente 1 hora e 30 minutos para 28 a 30 minutos, proporcionando um ganho de duas horas diárias na qualidade de vida das pessoas. A estimativa é que 50 mil passageiros por dia útil sejam beneficiados, com a redução do tempo de viagem em 75%, além de uma redução estimada de 30 a 33 mil carros por dia na rodovia. Além disso, a frota será ampliada com a compra de mais seis trens e o projeto também terá integração com ônibus, rodovias e ciclovia. Com isso, esperamos um desenvolvimento urbano e a disponibilização de um transporte público eficiente, seguro e confiável para a população”, conta Ricardo Benício, diretor da Extensão da Linha 4 -Amarela, da plataforma de trilhos da Motiva.
Nesta etapa, as atividades incluem implantação de canteiros, demolições, abertura de acessos técnicos e preparação dos terrenos onde serão construídas as novas estações e demais estruturas operacionais. Ao todo, a obra contará com sete canteiros, sendo um já em operação em Taboão da Serra, enquanto outras frentes seguem em implantação ao longo do traçado.
“O planejamento de dois anos incluiu a estimativa da melhor solução construtiva e localização das estações, levando em consideração a demanda e a densidade populacional de Taboão da Serra, que é considerada a cidade mais densa da América Latina. O principal desafio é o impacto de obras subterrâneas em uma área com esse padrão, minimizando os efeitos de recalques em construções próximas”, conta o executivo.
Preparação do canteiro de obra
Com cerca de 274 mil habitantes e uma das maiores densidades demográficas do país, Taboão da Serra passa a integrar diretamente a malha de transporte de alta capacidade. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o município é atualmente a cidade mais densa do Brasil, com 13.416 habitantes por km², o que reforça a importância da ampliação da oferta de transporte estruturante na região.
Administrada pela plataforma de trilhos da Motiva e executada pelo Consórcio Expresso Linha 4, formado pelas construtoras EGTC e Teixeira Duarte, a extensão contempla a implantação de 13,2 km de trilhos, a utilização estimada de 150 mil m³ de concreto e a execução de mais de 3 mil projetos executivos desenvolvidos especificamente para a obra.
Cerca de 300 profissionais estão diretamente envolvidos nas atividades da extensão, considerando equipes da Motiva, do consórcio construtor, das empresas responsáveis pelos projetos de engenharia e do consórcio certificador. No pico da obra, a estimativa é que aproximadamente 4 mil colaboradores estejam mobilizados nas diferentes frentes de trabalho.

Conheça as etapas da obra
Após a assinatura do aditivo contratual em setembro de 2025, que legitimou a concessionária como administradora da obra, diversas etapas técnicas foram realizadas até o início das atividades atuais. Entre os principais avanços, está a conclusão das sondagens geológicas ao longo dos 3,3 km de extensão, etapa fundamental para garantir a segurança das escavações e a definir com precisão os métodos construtivos que serão aplicados no trecho.
Paralelamente às pesquisas de solo, a extensão mobilizou uma esteira técnica de alta complexidade. Antes do início das obras, o projeto passou por uma etapa de pré-construção e concorrência que contou com a participação de construtoras especializadas em obras subterrâneas. O processo envolveu a avaliação técnica das soluções de engenharia e o avanço dos projetos executivos sob coordenação das equipes de engenharia, seguindo padrões internacionais de governança e contratação.
Até o momento, já foram desenvolvidos estudos de viabilidade, relatório ambiental e os projetos básicos, que definiram o traçado da extensão e o impacto das novas estações. Durante toda a execução das obras, novos levantamentos complementares serão produzidos, considerando infraestrutura de túneis e subestações de energia até sistemas avançados de sinalização e operação.
A execução da extensão segue padrões internacionais de engenharia e gestão de riscos. A técnica de escavação utilizada é o método NATM (New Austrian Tunnelling Method), que consiste em escavar por etapas com reforço imediato das paredes e monitoramento constante do solo, garantindo total segurança para as edificações vizinhas e para o entorno urbano.
Segundo Ricardo Benício, a complexidade da intervenção subterrânea exige planejamento técnico detalhado.
“Estamos tratando de uma intervenção subterrânea de alta complexidade, que exige planejamento detalhado, matriz de risco bem definida e acompanhamento técnico permanente. O método construtivo escolhido foi o New Austrian Tunneling Method (NATM), por ser mais seguro e ideal para a densidade de Taboão, diferente do uso da tuneladora (Tatuzão), que não foi preferida devido ao trecho não ser tão grande. A obra prevê uma subestação primária de energia para maior confiabilidade, duas estações e um terminal de ônibus integrado em Taboão. Atualmente, o trabalho, iniciado em outubro, está na fase de desapropriação (80% concluída), demolição e início das atividades de sondagem e discussão do projeto, com sete frentes de obra planejadas para iniciar ao mesmo tempo. O primeiro de cinco poços NATM, com aproximadamente 40 metros de profundidade, já começou a ser perfurado em Taboão”, explica.
Estações modernas, acessíveis e resilientes às mudanças climáticas
Entre os recursos previstos nas novas estações estão sistemas de drenagem contra enchentes, uso de materiais duráveis, isolamento térmico para reduzir a absorção de calor, iluminação em LED e preparação para instalação de painéis solares. Também haverá captação e reuso de água da chuva, ventilação aprimorada e sensores inteligentes para monitorar temperatura, umidade e fluxo de ar, além do consumo de 100% de energia proveniente de fontes renováveis.
Acessibilidade e inclusão também fazem parte deste pacote, isso porque as estações contarão com rampas, elevadores, escadas rolantes, sinalização tátil e visual, mapas acessíveis, banheiros adaptados e treinamento da equipe para atendimento a pessoas com deficiência.
A Estação Chácara do Jockey contará com dois acessos (pelo parque e pela Av. Prof. Francisco Morato), plataformas laterais de 132 metros, dois elevadores, quatro escadas rolantes, sanitários acessíveis e sala de pronto atendimento. A profundidade média será de cerca de 20 metros em relação ao nível da rua.
Além disso, o projeto prevê mínima intervenção no Parque Chácara do Jockey. Apenas 360 m² da área verde serão afetados, com compensação ambiental realizada no próprio local.
A Estação Taboão da Serra será a porta de entrada do metrô no município. O projeto prevê dois acessos, plataformas amplas também com 132 metros de extensão, dois elevadores, seis escadas rolantes, 17 bloqueios e sanitários acessíveis, além de um terminal de ônibus integrado com capacidade para 22 veículos, ciclovia conectada ao Córrego Poá e bicicletário junto ao acesso principal. Em alguns trechos, a escavação chega a 25 metros de profundidade.
Impacto metropolitano e operacional
A extensão ocorre em um dos principais eixos de deslocamento diário entre a Região Metropolitana e a capital, por onde milhares de moradores passam todos os dias para trabalhar, estudar, entre outras atividades. A conexão direta ao sistema metroviário irá reduzir a dependência do transporte individual e aliviar a pressão sobre corredores viários estratégicos da zona oeste.
Para absorver o aumento da demanda, a frota da Linha 4-Amarela será ampliada com seis novos trens, pela fabricante chinesa CRRC. A ampliação será acompanhada por ajustes operacionais que permitirão manter os intervalos praticados na linha, mesmo com o crescimento do fluxo de passageiros. Durante a fase de implantação, a estimativa é de geração de cerca de 4 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos, com priorização de mão de obra local. No entorno da futura estação, a expectativa é de estímulo ao desenvolvimento urbano e imobiliário. Após o início da operação, a projeção é de que mais de 33 mil veículos deixem de circular diariamente na região, com potencial redução aproximada de 21 toneladas de CO₂ por dia, considerando a migração modal para transporte de alta capacidade. O contrato tem duração de 64 meses, com previsão de conclusão até 2031.
Conheça Ricardo Benício, diretor da Extensão da Linha 4 -Amarela
Executivo sênior com sólida formação técnica e ampla experiência em liderança em grandes organizações de infraestrutura. Engenheiro Civil, com especialização pela Fundação Dom Cabral (FDC) e Fundação Getulio Vargas (FGV), 28 anos de carreira em empresas de destaque como SEINFRA‑CE, Alstom, MetrôRio, Invepar, Arcadis e CCR/Motiva. Atuação consistente na gestão de grandes projetos de infraestrutura, com foco nos segmentos de metrôs, rodovias e aeroportos, abrangendo todo o ciclo do empreendimento: engenharia, implantação, integração, operação e manutenção. Experiência sólida na interação com os setores público e privado, incluindo relacionamento com o poder concedente, além da liderança de estruturas matriciais e equipes geograficamente distribuídas.






