A nova edição do Livro Azul da Infraestrutura, lançada pela Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), traz um panorama detalhado sobre o cenário do setor no Brasil. Embora os números de 2025 mostrem avanços, o relatório acende um alerta sobre a necessidade de maior equilíbrio entre o capital privado e o investimento estatal.
O Cenário do Investimento em 2025
Em 2025, o Brasil atingiu a marca recorde de R$ 280 bilhões em investimentos, com uma forte predominância do setor privado, responsável por 84% desse montante. No entanto, essa disparidade revela a baixa participação do Estado em uma área vital para o crescimento econômico.
Principais Indicadores do Setor:
- Hiato de Investimento: Reduziu de 1,89% do PIB (2024) para 1,7% (2025).
- Estoque de Infraestrutura: Atualmente em 36% do PIB, bem abaixo da média internacional, que supera os 60%.
- Depreciação: Os ativos brasileiros depreciam entre 1,5% e 2% do PIB ao ano. Investir abaixo desse patamar significa aceitar o sucateamento do patrimônio nacional.
A Queda do Investimento Público
Um dos pontos mais críticos apontados pelo estudo é a retração do investimento estatal nas últimas décadas. Entre 2010 e 2025, o investimento público total (federal, estadual e municipal) caiu de 7% para 3%. No âmbito da União, o cenário é ainda mais restrito: a queda foi de 4% para apenas 1%.
Para Antonio Toledo, CEO da Timenow, a falta de priorização orçamentária compromete a competitividade do país. “Reconhecer os avanços é legítimo, mas o país ainda investe pouco, mantendo o Brasil preso a gargalos estruturais”, afirma o executivo.

O Paradoxo da Produtividade
Investir mais recursos não é, isoladamente, uma garantia de sucesso. Dados do Observatório da Produtividade (FGV IBRE) indicam que, entre 1995 e 2020, setores como construção e transporte aumentaram a oferta de empregos, mas sem ganhos proporcionais de eficiência.
“Estamos diante de um paradoxo: investimos mais e geramos mais empregos, mas não transformamos esse esforço em maior rendimento por trabalhador”, destaca Toledo.
Como transformar Obras em Eficiência?
Para que a infraestrutura brasileira seja sinônimo de competitividade, o CEO da Timenow defende uma mudança de mentalidade:
- Engenharia Madura: Priorizar o planejamento e a qualidade técnica sobre a execução imediata.
- Governança Sólida: Contratos orientados a desempenho para garantir a sustentabilidade dos resultados.
- Visão de Longo Prazo: Abandonar a lógica imediatista para construir uma agenda que una volume de recursos à qualidade institucional.
Conclusão
O desafio do Brasil para os próximos anos não é apenas gastar mais, mas investir melhor. O equilíbrio entre o capital privado e a retomada estratégica do investimento público, aliado à eficiência operacional, é o único caminho para transformar obras em crescimento sustentável.


