Em Barueri, na Grande São Paulo, se desenvolve importante obra da Sabesp dentro do programa Integra Tietê, de despoluição do rio. Trata-se da construção subterrânea de interceptor de esgoto, sifão e túnel de travessia na margem direita do rio Tietê, que transportará, por gravidade, efluentes de Barueri e Santana de Parnaíba para a estação de tratamento de esgoto (ETE) Barueri, localizada na margem esquerda.
As obras, que se iniciaram no final de 2025, estão sendo executadas pelo consórcio Vad Engenharia, Augusto Veloso e Telar, com gerenciamento da TPF Engenharia e Engecorps. A previsão de término dos trabalhos é em abril de 2027. O custo do projeto (interceptor e sifão) é de R$ 231 milhões. Atualmente, 150 trabalhadores estão envolvidos nas obras.
A importância do sifão no projeto, de acordo com Marcelo Jesus, engenheiro da Sabesp que acompanhou a revista O Empreiteiro na visita às obras, é que para ele se convergirá todo o esgoto captado pelo extenso interceptor.
O sifão ficará instalado no fundo de um poço de 30 m de profundidade, que ainda está sendo escavado – atualmente está a 22 m de profundidade. Este poço do sifão é elíptico e o maior diâmetro é de 8 m e o menor 6 m.
No fundo do poço será construído o sifão invertido, com previsão de recepcionar 730 l/s de esgoto proveniente do interceptor – tanto do ramal oeste como do ramal leste.

O sifão invertido será constituído de duas tubulações que transportarão esgoto coletado pelo interceptor. As tubulações do sifão em PEAD (polietileno de alta densidade) têm 800 mm cada uma, e elas se prolongam numa travessia sob o rio Tietê. Uma terceira tubulação de 900 mm em PEAD será instalada também na travessia para futura linha de recalque.
O sifão, explica Marcelo Jesus, tem a função hidráulica de conduzir o efluente pelas duas tubulações. O trecho que ambas as tubulações percorrerão por debaixo do rio Rio Tietê ainda será construído. Essas duas tubulações se conectam no outro lado do rio com outro poço, que faz a interligação do sistema com a estação de tratamento de esgoto Barueri, ali próxima.
Ainda sobre o sifão, serão instalados nele comportas para eventual fechamento para manutenção das tubulações e também cestos para retenção de materiais grossos provenientes do esgoto conduzido pelo interceptor.
TRAVESSIA
A travessia sob o rio Tietê estava prevista de ser construída em agosto e sua parte superior ficará a cerca de 5 m abaixo do fundo do rio. A escavação da travessia será feita pelo método NATM e começará pelos dois extremos dela, localizados nas margens do rio.
O diâmetro do túnel que vai fazer a travessia do Tietê é de 2,20 m e é designado como tubo camisa, já que por ele passará as duas tubulações de 800 mm cada, e a terceira linha para uso futuro de 900 mm.
O engenheiro Marcelo explica que os tubos de travessia por debaixo do Tietê têm diâmetros menores porque é necessário este estrangulamento em relação ao interceptor, para fazer o arraste do efluente, evitando acumular sujeira nos dutos e minimizando ao máximo a manutenção deles.
INTERCEPTOR
Sobre o interceptor, o ramo oeste dele ainda não começou as obras, mas o leste já tem 70% de avanço. O túnel do interceptor acabado – ou seja, após a execução do revestimento em concreto projetado – terá 1,80 m de diâmetro.
O ramo leste do interceptor mede 4 km de extensão com 29 poços – com 17 m de profundidade cada – e está sendo escavado pelos métodos NATM e tubo cravado por meio de shield. No ramo oeste do interceptor, com 5 km de extensão, ele terá 19 poços e a execução será feita somente pelo método NATM.
Detonações controladas, com plano de fogo para causar o menor impacto possível, estão sendo efetuadas em alguns trechos das obras subterrâneas do interceptor.
REDES
Há outra frente de trabalho sendo conduzida pelo consórcio construtor, além do projeto principal do interceptor, sifão e travessia do Tietê. Trata-se dos coletores trocos e redes de esgoto, com 47 km no total de obras lineares e subterrâneas, utilizando metodologias variadas, como shield, furo direcional e vala a céu aberto.
O principal obstáculo desta frente é a travessia subterrânea em três pontos da rodovia Castello Branco, nos quais serão utilizados shields com diâmetro de 1.500 mm. O método foi considerado o mais seguro para realizar os trabalhos em solo heterogêneo sob a rodovia de alto tráfego.
A Sabesp informa que os trabalhos têm sido feitos com o máximo de segurança e no traçado do interceptor há poucas interferências de rede. A ocupação do viário para realização dos trabalhos, principalmente do interceptor, tem sido realizada com o mínimo de impacto aos que circulam pelos trechos em obras, de acordo com a empresa de saneamento.



