A revitalização do edifício A Noite, na Praça Mauá, 7, entra em uma nova etapa com diferentes frentes de trabalho acontecendo simultaneamente. Mais de 200 profissionais circulam diariamente pelo prédio, do amanhecer ao fim da noite, em uma operação que envolve arquitetos, engenheiros e equipes especializadas, além de uma complexa logística para transporte e descarga de materiais. A previsão é que o edifício seja reaberto em 2027, transformado em um residencial com 420 estúdios.
O avanço da obra revela a complexidade de recuperar e adaptar um edifício histórico sem perder elementos que fazem parte de sua identidade. Inaugurado em 1929 e considerado, à época, o primeiro arranha-céu da América Latina, A Noite tem 23 andares e 102 metros de altura e é um dos principais exemplares da arquitetura art déco no Rio.
17 mil m² de proteção e cerca de 800 janelas
Na fachada, um dos elementos mais marcantes do edifício, aproximadamente 17 mil m² de tela fachadeira protegem a estrutura enquanto avançam os trabalhos de recuperação. Tombada, a fachada passa por um processo que inclui prospecções para identificar características originais da construção.
As prospecções realizadas na fachada e no teto do térreo identificaram, entre outros elementos, as cores originais da edificação e uma laje de cubetas que será restaurada. As orientações e a fiscalização das ações de preservação são conduzidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Os elementos identificados pelos institutos serão mantidos e restaurados por uma empresa especializada.
As aproximadamente 800 janelas do edifício também estão sendo tratadas individualmente. A maior parte será substituída em razão do estado das esquadrias encontradas, da necessidade de adequação às normas de segurança e habitabilidade e de questões de manutenção. As exceções são as janelas do 22º pavimento e do hall de entrada, que serão restauradas. As novas esquadrias serão produzidas sob medida, reproduzindo as características originais.
Da Rádio Nacional à nova ocupação
A preservação também se estende ao interior do prédio. As vigas de concreto dos antigos estúdios da Rádio Nacional serão mantidas, e um pavimento chamado Mirante Memória será dedicado à história do edifício, com acesso aberto ao público.
Elementos antigos encontrados durante a obra que não puderam ser recuperados também serão reaproveitados na decoração do novo projeto. Entre as estruturas preservadas está a escada em espiral que conecta o primeiro ao 22º andar.
Com degraus de mármore e corrimãos de ferro, ela traz em sua extensão a letra “N”, referência ao jornal A Noite, que funcionou no edifício. A estrutura de concreto e a escada são bens tombados pelo Iphan, o que torna a compatibilização entre preservação e modernização um dos aspectos centrais do projeto.
11.800 m³ de entulho já retirados
A extensão da obra faz com que os pavimentos estejam atualmente em diferentes fases de execução. Entre os trabalhos em andamento estão os reforços no coroamento e no embasamento, a execução das duas escadas de incêndio, que receberão sistema de pressurização conforme as normas do Corpo de Bombeiros, o fechamento dos apartamentos em drywall e a execução das instalações nos pavimentos-tipo.
Também avançam a recuperação das fachadas e a colocação de contramarcos para receber as novas esquadrias, entre outras etapas.
Até agosto de 2026, já foram concluídos trabalhos de demolição, fundação e reforços do corpo principal do prédio. Durante esse processo, foram retirados 11.800 m³ de entulho, sendo 650 m³ de materiais recicláveis – volume que ajuda a dimensionar a escala da transformação pela qual o edifício está passando.
A previsão é que o A Noite volte a receber moradores em 2027, com 420 estúdios destinados à moradia e também à locação de curta temporada, conciliando uma nova função para o edifício com a preservação de elementos que fazem parte da memória arquitetônica e cultural do Rio.


10 fatos sobre A Noite
1. Foi inaugurado em 1929 e, à época, era considerado o primeiro arranha-céu da América Latina.
2. É um dos principais marcos da Praça Mauá e da paisagem do Centro do Rio. 3. É uma referência da arquitetura art déco na cidade.
4. Tem 23 andares e 102 metros de altura.
5. O projeto reúne dois arquitetos de nacionalidades diferentes: o brasileiro Elisário Bahiana e o francês Joseph Gire, também responsável pelo projeto do Copacabana Palace.
6. Foi sede do jornal A Noite e da Rádio Nacional, dois importantes símbolos do jornalismo e da cultura brasileira.
7. Sua estrutura de concreto armado utilizou técnicas inovadoras para a época, associadas ao engenheiro Emílio Baumgart.
8. A escada em espiral percorre do 1º ao 22º andar, com degraus de mármore, corrimãos de ferro e a letra “N” como referência ao jornal A Noite.
9. A estrutura de concreto e a escada são bens tombados pelo Iphan, reforçando a importância da preservação desses elementos durante a revitalização.
10. O novo A Noite terá 420 estúdios, pensados para moradia e também para locação de curta temporada.





