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27 de fevereiro de 2021

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O legado moral do engenheiro Ivo Arzua

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<p> O engenheiro civil Ivo Arzua, falecido dia 9 último em Curitiba, exerceu cargos públicos nos anos da ditadura. Foi prefeito de Curitiba (1962-1967) e ministro da Agricultura (1967-1969).</p>

O engenheiro civil Ivo Arzua, falecido dia 9 último em Curitiba, exerceu cargos públicos nos anos da ditadura. Foi prefeito de Curitiba (1962-1967) e ministro da Agricultura (1967-1969). Deixou legado importante como administrador e uma lição de comportamento moral e ético no exercício dos cargos que exerceu. Para ele, estava rigorosamente demarcada, em todos os seus atos, a divisão entre o público e o privado.

Há dois meses, quando da elaboração da edição 510 da revista O Empreiteiro, conversei com o urbanista Jorge Wilheim sobre o plano diretor de Curitiba. Ele lembrou que foi Ivo Arzua, então prefeito da capital paranaense, quem, por sua proposta, nomeou o arquiteto Jaime Lerner para a presidência do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, o Ippuc, que ele havia criado.

O Ippuc, sob o comando de Jaime Lerner – e na administração municipal de Ivo Arzua – implantou o plano diretor que tornou aquela capital, por longo tempo, um modelo de desenvolvimento urbano para outras cidades brasileiras.

Ele jamais negou ter sido, como ministro da Agricultura, um dos signatários do famigerado AI-5, cuja vigência, conforme exigiu por escrito, deveria ser de cura duração. E, quando a linha dura venceu, contrariamente às suas expectativas, ele pediu demissão.

Há algum tempo, Ivo Arzua criticou o Ippuc, considerando que o instituto não vinha desenvolvendo as suas ações conforme a linha de trabalho que o norteara, na origem. Por exemplo: não estava procurando a população para estabelecer, com ela, o diálogo democrático necessário à deflagração de suas ações.

Quando de seu falecimento, dia 9 deste mês, foi lembrado um episódio ocorrido há cerca de dez anos. A TV de Curitiba acompanhou o antigo administrador a uma agência da Caixa. Ele foi até lá, acompanhado da mulher, para quitar a última parcela da compra de seu apartamento, com um cheque de R$ 248,00. Foram 14 anos de prestações. O ato, por si, se explica. E preserva, para as futuras gerações, um peso simbólico, em uma época em que atitude como essa constitui um exemplo de apreço pela ética e pela moralidade.

Fonte: Nildo Carlos Oliveira

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