Estimativas apontam que cerca de 2,4 milhões de pessoas foram impactadas pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, maior evento climático da história do estado. Além dos impactos nas cidades, houve danos à infraestrutura de transportes do estado. Cerca de 13,7 mil quilômetros de vias – entre federais e estaduais – foram afetadas.
A Rodovia da Produção (BR-386), nome dado por ser uma das principais vias que viabilizam a circulação de produtos industriais e agropecuários, e uma das regiões mais castigadas pelas chuvas, o Vale do Rio Taquari, registrou mais de 100 pontos de desabamento de taludes, dos quais 20 classificados como críticos.
Com apoio de geólogos e de equipes especializadas, o time de engenharia da ViaSul, empresa da Motiva responsável pela administração da BR-386, atuou na contenção dos deslizamentos e na liberação da via. A retomada da trafegabilidade era essencial para permitir que os recursos necessários para o atendimento das pessoas impactadas nos municípios pudesse chegar.
“Esta etapa exigiu um esforço coletivo de toda a equipe da concessionária, inclusive dos nossos fornecedores, que viabilizaram os equipamentos – entre retroescavadeiras, caminhões e helicópteros muitas vezes distantes dos locais da ocorrência para os pontos necessários, de forma rápida e integrada”, diz Fernando Henrique de Marchi, diretor-presidente da concessionária.

RIO TAQUARI – SÍMBOLO DAS ENCHENTES
O Rio Taquari atingiu sua cota histórica: mais de 32 metros. Considerado o ponto mais crítico e impactado pelas chuvas, a ponte do rio Taquari (km 349), sofreu danos estruturais, causados pela força da água e pela colisão de uma embarcação, que se não fosse o acompanhamento e atuação das equipes poderia ter colapsado.
OS BASTIDORES DA RECONSTRUÇÃO
Com a redução gradual das chuvas e o rebaixamento do nível do rio, a concessionária iniciou uma análise detalhada dos possíveis danos estruturais. Inicialmente, porém, a grande quantidade de detritos acumulados na ponte durante a enchente limitava a atuação das equipes técnicas.
Após a normalização, foram realizadas inspeções subaquáticas com apoio de mergulhadores, visando avaliar os impactos nas fundações. Essas inspeções confirmaram a existência de danos na fundação da ponte norte. Diante desse cenário, a ViaSul adotou medidas imediatas, incluindo a interrupção total do tráfego na ponte norte. A circulação na rodovia passou a operar em sistema de contrafluxo pela ponte sul, com uma faixa por sentido e uma terceira faixa reversível, garantindo a manutenção do fluxo viário com segurança.
Para compreender a extensão dos danos, foi adotada metodologia integrada de diagnóstico, combinando inspeções físicas, ensaios não destrutivos, monitoramento dinâmico e modelagem numérica calibrada. O objetivo não era apenas identificar danos aparentes, mas quantificar o comprometimento da rigidez estrutural e embasar decisões relativas à interdição, ao reforço e ao restabelecimento seguro da operação.
A Obra de Arte Especial foi instrumentada com acelerômetros para medição das vibrações e do comportamento global da estrutura, extensômetros para registro de deformações em pilares, fundações e tabuleiro, além de sensores de temperatura para controle das variáveis ambientais. Considerando que eventos de cheia extrema frequentemente provocam erosão localizada do leito do rio e perda de confinamento lateral das estacas, foi realizado levantamento batimétrico multifeixe, permitindo identificar com precisão a condição das fundações existentes.
Os dados obtidos foram analisados em conjunto com ensaios voltados à integridade do concreto da superestrutura e dos pilares. A partir dessa base técnica, procedeu-se à análise dinâmica e modelagem estrutural em software especializado, concluindo-se que os danos estavam concentrados nas fundações dos apoios.
Com base nesse diagnóstico, foi desenvolvido projeto de reforço estrutural, prevendo a execução de 4 novas fundações adicionais por bloco, compostas por tubulões encamisados com embutimento em rocha por meio de estaca raiz. Os novos elementos foram integrados por meio de bloco de fundação solidarizado aos blocos existentes com barras de protensão, garantindo a recomposição da capacidade resistente e da estabilidade global do sistema.
A concessionária concluiu, em abril de 2025, as intervenções necessárias, restabelecendo com segurança o tráfego integral de veículos na ponte.








