A planta dedicada à produção de bioquerosene de aviação (bioQAV), também conhecido pela sigla SAF (sustainable aviation fuel; combustível sustentável de aviação), e diesel renovável, na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC) da Petrobras, em Cubatão (SP), está prestes a iniciar os serviços de engenharia.
É a primeira desse tipo da Petrobras. O investimento total é de US$ 1,2 bilhão. A conclusão da iniciativa está prevista para até 2030.
O projeto, de acordo com a Petrobras, surgiu da necessidade da empresa em se alinhar às iniciativas globais de redução de emissões, habilitando a companhia para produção de biocombustíveis, em especial o HVO (hydrotreated vegetable oil; óleo vegetal hidrotratado), chamado também de diesel renovável, e o BIOQAV/SAF através do processamento de matérias-primas renováveis.
A planta dedicada de biorrefino da Refinaria de Cubatão terá capacidade de processamento de 950.000 t/ano, considerando o uso de dois tipos de matéria-prima para funcionamento: 100% óleo de soja e uma mistura 70%/30% de óleo de soja e gordura animal (sebo bovino).
A produção prevista é de 15 mil barris por dia de combustíveis renováveis. Segundo a Petrobras, as matérias-primas, como óleo de soja e sebo bovino, serão provenientes, principalmente, das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste.
A rota tecnológica para produção desses biocombustíveis se dará pelo hidroprocessamento (hidrorrefino) de ésteres e ácidos graxos, a chamada rota HEFA (hydroprocessed esters and fatty acids). Assim, será necessário a instalação de uma unidade de pré-tratamento para remoção dos contaminantes (metais, fósforo e nitrogenados) dos insumos, para atender as especificações da planta de hidrorrefino.
PRÉ-TRATAMENTO
O escopo desta intervenção, de acordo com a Petrobras, inclui projeto básico, projeto executivo, construção civil, montagem eletromecânica, comissionamento (preservação, condicionamento, testes, apoio à pré-operação, partida e operação assistida) e assistência técnica.
A empresa de engenharia, de acordo com o cronograma, terá oito meses para desenvolver o projeto básico e iniciar o projeto executivo da unidade de pré-tratamento de óleos, gorduras e ácidos graxos. As obras devem iniciar dez meses depois da contratação; um ano depois está previsto o início da montagem eletromecânica – mesmo período em que deve se iniciar o período de compra dos equipamentos da planta.
Entre as regras dos contratantes impostas pela Petrobras para os serviços de engenharia está a adoção de novas tecnologias em métodos construtivos de modo a minimizar os serviços de construção no canteiro de obras. A metodologia construtiva e a escolha dos materiais definidos no projeto deverão, de acordo com a estatal, permitir ao máximo a pré-fabricação, restringindo a montagem no canteiro.
OUTROS SERVIÇOS DE ENGENHARIA
Ainda de acordo com o projeto, há outros quatro pacotes de engenharia – além da que deverá ocorrer na unidade de pré-tratamento de óleos – que ainda seriam contratados.

Um deles é a unidade de hidrorrefino (HEFA), com sistema de tratamento de gás e remoção de CO2, além de interligações de utilidades e efluentes. Outro serviço de engenharia inclui adequação de subestações.
Um dos pacotes envolve interligações de tubulação, sistemas de transferência dos tanques intermediários para a unidade de hidrorrefino e desta para os tanques de armazenagem de produtos – além de interligações e adequações com sistemas existentes de utilidades na refinaria, e também de automação, telecomunicações, sistema de combate a incêndio, e interconexão para formulação de diesel RX.
Há ainda um pacote execuções de tancagem de matéria-prima, blend, subprodutos e produtos finais, além de edificações, como laboratório e casa de controle.
William França, diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, afirmou que a implantação da primeira planta de BioQAV e diesel renovável da companhia é um posicionamento de liderança da empresa no Brasil na transição energética: “Vamos entregar produtos com menores emissões de gases de efeito estufa, em linha com as demandas da sociedade e com um mundo em transformação”.
A Tenenge, da Odebrecht, ofereceu o menor valor para construção da unidade de pré-tratamento, principal item do projeto, mas ainda não foi homologada como vencedora do leilão.



