Depois dos transtornos causados em 2024 pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul, mudou-se o olhar sobre os projetos de engenharia, de acordo com Fernando de Marchi, diretor-presidente da ViaSul, concessionária do grupo Motiva.
“A engenharia precisa analisar a nova realidade e pensar com métrica diferente, a partir dos índices pluviométricos que aconteceram em 2024”, diz em entrevista à revista O Empreiteiro. “Todo nosso projeto é focado hoje em resiliência, trazendo modelagens novas, para, quando for implementá-lo, apresentar mais robustez à construção”, complementa.
O executivo palestrou no 9º Fórum Infra, realizado pela revista O Empreiteiro, em São Paulo (SP). A sua apresentação foi focada na reconstrução de rodovias no Rio Grande do Sul.
A ViaSul administra desde 2019 sistema rodoviário com 473 km no Rio Grande do Sul, envolvendo as rodovias BR-101 (entre Torres e Osório), BR-260 (entre Osório e Porto Alegre), BR-386 (entre Canoas e Carazinho) e BR-448 (entre Porto Alegre e Sapucaia do Sul).
Nas chuvas de 2024, a BR-386 sofreu severos danos. “Nos anos iniciais estavam previstos a duplicação de 75 km. Começamos os trabalhos em 2021, mas em 2024 aconteceram as enchentes. Isso foi impactante porque a gente já vinha desenvolvendo bem. Tivemos retrocesso em alguns pontos. Tivemos que executar toda parte de terraplenagem”, explica.
Agora, a ViaSul faz adequação dos projetos tendo como parâmetro a resiliência climática. “O olhar dos projetos é diferente que a gente tem do passado. Tem que tentar entender o que pode acontecer”, avalia.
Com as mudanças climáticas, Fernando crê que se tornou essencial a engenharia reavaliar seus projetos.
Os transtornos causados na BR-386 ocorreram principalmente porque o Rio Taquari subiu 32 m, provocando problemas em pelo menos 90 pontos da rodovia, incluindo em pontes, viadutos, pavimento e encostas.
Segundo a ViaSul, os principais desafios após a tragédia foram acessar as áreas isoladas, avaliar estruturas submersas, trabalhar com novas possibilidades de chuvas e garantir segurança às equipes.
Entre as atividades emergenciais realizadas pela concessionária após as enchentes, incluíram contenção e proteção de encostas, recuperação de pavimento e acessos e restabelecimento dos sistemas de drenagem da rodovia.



