O livro “Transformações das Áreas de Minerações de Agregados e Industriais no Estado de São Paulo: Passado, Presente e Perspectivas para o Futuro” dá uma boa visão sobre a importância de se difundir a recuperação de antigas áreas mineradas.
A publicação apresenta dezenas de exemplos da transformação de áreas de mineração em novos espaços de convivência, preservação e desenvolvimento sustentável.
A obra foi realizada pelo engenheiro geólogo Hércio Akimoto, o geógrafo e geólogo Reginaldo Silvestre, o arquiteto e urbanista Danilo Amaral e a jornalista Luana Oliveira, e contou com apoio da Sindareia (Sindicato das Indústrias de Mineração de Areia do Estado de São Paulo) e Anepac (Associação Nacional das Entidades de Produtores de Agregados para Construção).
O livro apresenta vários casos surpreendentes e desconhecidos. A recuperação de área minerada não era uma obrigação em lei. Mas em 1989, o Estado de São Paulo instituiu legislação sobre o assunto, criando a necessidade de as minerações apresentarem em seu licenciamento Plano de Recuperação de Área degradada. Com isso, a iniciativa privada passou a ter protagonismo nesse assunto.
Um dos exemplos mais emblemáticos no livro ocorreu onde hoje está a Arena do Corinthians, na Zona Leste de São Paulo. No local, funcionava a Pedreira Itaquera, inaugurada em 1957.
A região na época se expandia com vias e loteamentos populares os quais a mineradora atendia para a execução de obras. Em 1999, a pedreira encerrou as atividades e a cava com mais de 120 metros de profundidade foi preenchida com material inerte.
Nas áreas de estoque de minério e beneficiamento da pedreira ergueu-se o estádio do Corinthians a partir de 2011. O grande terreno da antiga mineradora deu lugar também a galpões industriais.
O livro é didático e apresenta mapas com as áreas transformadas.
A região onde fica o estádio da Portuguesa, às margens do rio Tietê, foi antigo local de extração de areia. Na várzea do rio, naquele trecho, se minerava e, segundo relatos, as pilhas de areia eram colocadas no terreno do atual estádio.
O local onde foi construído o pátio da Linha 6 – Laranja do metrô de São Paulo era onde se localizava a antiga pedreira Morro Grande, no extremo da Zona Norte da capital paulista.
O pátio agora será usado estacionamento de trens quando começar a operar a linha, além de oficina, almoxarifado e centro de controle operacional.
O livro também traz antigas pedreiras em diferentes cidades que se transformaram em empreendimentos comerciais, como shopping e centros logísticos.
Há exemplos também no livro de áreas transformadas pelas próprias mineradoras a partir de cavas exauridas. A Mineração Itabrás opera extração de areia em quatro leitos de rio na região de Jundiaí. Em 1995 foi implantando pela mineradora em uma área de 14 mil m² – já utilizada para mineração de areia – um complexo com quadras esportivas, restaurante, lago e casa de shows.
O Itaquá Park Shopping, o primeiro grande shopping center de Itaquaquecetuba, foi construído m uma área anteriormente destinada à mineração pelo Grupo Itaquareia.
Algumas áreas mineradas, mostra o livro, se tornou áreas de preservação ambiental. O projeto mais conhecido é a Floresta Nacional de Ipanema, criada em 1992, abrangendo os municípios de Iperó, Araçoiaba da Serra e Capela do Alto.
No local, o Morro de Araçoiaba possui grande diversidade mineral, inclusive de minerais pouco comuns no Estado de São Paulo. Em 1810, no período do Império, foi instalada a Real Fábrica de Ferro São João de Ipanema. O local foi tombado em 1964 e hoje toda sua área é preservada. A Flona tornou-se um dos principais pontos de turismo do interior de São Paulo.





