Cinco estruturas instaladas na Universidade Federal de Lavras combinam estacionamento para bicicletas e geração fotovoltaica, com capacidade estimada de 3.085 kWh por mês.
A Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, implantou cinco eco-bicicletários equipados com painéis solares, combinando infraestrutura para mobilidade sustentável com geração de energia fotovoltaica dentro do campus.
Cada bicicletário foi projetado para receber até 30 bicicletas e possui uma cobertura formada por 21 módulos fotovoltaicos integrados à estrutura.
Os sistemas foram instalados pela Blue Sol Energia Solar como parte de uma iniciativa mais ampla da universidade para estudar e utilizar fontes alternativas e limpas de energia.
Cinco bicicletários podem gerar 3.085 kWh por mês
Segundo as estimativas divulgadas na implantação do projeto, cada eco-bicicletário poderia produzir até 617 kWh de energia elétrica por mês.
Somados, os cinco sistemas alcançariam uma geração mensal estimada de 3.085 kWh.
Na comparação utilizada na época do projeto, esse volume seria suficiente para atender ao consumo mensal de aproximadamente 16 residências.
A produção efetiva, entretanto, varia conforme as condições de geração solar, incluindo incidência de radiação, nebulosidade, chuvas e época do ano.
Cobertura virou estrutura para geração fotovoltaica
Um dos diferenciais do projeto estava no aproveitamento da própria cobertura dos bicicletários para instalação dos módulos solares.
Em vez de utilizar uma área exclusivamente destinada à geração de energia, a universidade incorporou os painéis a uma estrutura que já desempenhava outra função no campus.
Cada cobertura recebeu 21 módulos fotovoltaicos.
Dessa forma, o mesmo espaço passou a cumprir duas funções: proteger as bicicletas e produzir eletricidade a partir da energia solar.
A solução exemplifica uma possibilidade de integração da geração distribuída à infraestrutura de edifícios, estacionamentos e espaços urbanos.
Energia gerada é utilizada na rede elétrica da UFLA
A eletricidade produzida pelos módulos fotovoltaicos foi projetada para ser incorporada à rede interna de distribuição da universidade por meio dos equipamentos responsáveis pela conversão da energia gerada pelo sistema solar.
Com isso, a produção dos eco-bicicletários contribui para atender parte da demanda elétrica do próprio campus.
Segundo o projeto divulgado naquele período, eventuais excedentes poderiam ser injetados na rede da Cemig, seguindo as regras aplicáveis à geração distribuída, contribuindo para reduzir os gastos da universidade com eletricidade.
Eco-bicicletários também funcionam como laboratório
A infraestrutura não foi concebida apenas para gerar eletricidade.
Segundo Joaquim Paulo da Silva, professor do Departamento de Física da UFLA, os eco-bicicletários também poderiam ser utilizados como objeto de estudo por pesquisadores e alunos de diferentes áreas.
Entre elas estavam Engenharia, Ciência da Computação, Física e Química.
A universidade desenvolvia pesquisas relacionadas a novos materiais e à avaliação da qualidade da energia produzida por sistemas fotovoltaicos.
Com isso, os bicicletários passaram a combinar três funções dentro do campus: mobilidade, geração renovável e pesquisa acadêmica.
Universidades podem transformar infraestrutura em laboratório de energia
O projeto da UFLA mostra como estruturas relativamente simples podem receber sistemas de geração distribuída.
Coberturas de bicicletários, estacionamentos, edifícios e outras áreas já existentes podem ser aproveitadas para instalação de módulos fotovoltaicos sem exigir necessariamente uma área dedicada exclusivamente à produção de energia.
No ambiente universitário, essa integração possui uma vantagem adicional: a própria infraestrutura pode produzir dados e experiências utilizados em ensino e pesquisa.
Os eco-bicicletários da UFLA representam, assim, um exemplo de como energia solar, mobilidade sustentável e pesquisa científica podem compartilhar a mesma infraestrutura.




