Usiminas prevê ano difícil, mas investe R$ 2,9 bilhões

Em um cenário de crise econômica e inversão do ciclo de alta da siderurgia mundial, a Usiminas lançou ontem sua nova identidade visual, que visa a fortalecer a imagem da companhia, de acordo com a nova cultura empresarial que a direção atual quer implementar em todas as empresas do grupo, que valoriza as características positivas e busca inserir outras qualidades. "O atual estresse econômico afeta as empresas, mas motiva a Usiminas a agir, a se adaptar ao mundo em transformação para dar repostas à demanda produtiva, econômica e social", disse o presidente da empresa, Marco Antônio Castello Branco.

A agilidade na tomada de decisões, que já foi objeto de crítica por parte de alguns sócios, parece ser uma das primeiras qualidades que a empresa está incorporando. Desde setembro, quando a siderúrgica vislumbrou a posterior queda da demanda, a siderúrgica iniciou um projeto de redução de custos operacionais. A Usiminas avalia um potencial de cortes de R$ 1,2 bilhão. Desse total, R$ 400 milhões já foram identificados, algumas ações já estão sendo implementadas e gerando economia, disse o executivo. Além disso, a empresa reviu o plano de investimentos.

Até mesmo o custo da campanha de divulgação da nova logomarca foi reduzido, de R$ 30 milhões para R$ 4 milhões. "Prevíamos uma maior exposição na mídia, mas hoje é inviável", disse o executivo, acrescentando que aproveitará a publicação do balanço para divulgar a nova marca. Além disso, cartões de visita e uniformes ó serão trocados à medida que forem surgindo demanda de uso.

Investimentos de R$ 4 bi

Segundo Castello Branco, a Usiminas vai investir neste ano cerca de R$ 4 bilhões, ante os R$ 5 bilhões inicialmente previstos. Deste total, R$ 2,9 bilhões em manutenção e projetos de expansão já em andamento. O restante será aplicado na conclusão da compra da distribuidora gaúcha Zamprogna. A empresa postergou o seu principal projeto de expansão: a construção da nova usina de placas em Santana do Paraíso (MG), cujas obras, ao custo de US$ 5,7 bilhões, deveriam iniciar este ano e ser concluídas em 2011.

Inicialmente previsto para ter 5 milhões de toneladas, após o acirramento da crise, no final de 2008, o projeto foi revisto para ser realizado em duas etapas, de 2,5 mil toneladas cada uma. Agora, está sob nova análise, sem data precisa para ser iniciado. "A revisão é natural, não dá para descolar da realidade", disse Castello Branco. Ele afirmou que a empresa vai precisar de mais capacidade no futuro, mas os investimentos são feitos utilizando 50% de caixa e 50% de financiamentos. "O crédito está escasso e vamos gerar menos caixa, porque estamos operando a 50% da capacidade."

Por isso, a prioridade foi dada ao novo laminador de tiras a quente em Cubatão (SP), que deverá produzir 2,3 milhões de toneladas anuais, à ampliação da produção de galvanizados em 550 mil toneladas anuais, ambos a serem concluídos em 2011, e à nova coqueria, que deverá entrar em operação até o final deste ano. Além disso, também será realizada a primeira fase de expansão da mineração, para 10,5 mil toneladas anuais.

O ano de 2009 deverá ser muito ruim para o setor de siderurgia, avaliou o presidente da Usiminas. "Inicialmente esperava uma recuperação a partir do segundo trimestre do ano, mas já revi essa avaliação e acho que isso não vai acontecer antes do quarto trimestre", disse, explicando que a demanda caiu drasticamente, tanto no mercado nacional quanto no exterior. "As nossas exportações estão abaixo do esperado", disse. A previsão da companhia é produzir este ano entre 10% e 15% menos do que foi produzido em 2008, quando a Usiminas produziu 8 mil toneladas de aço. As margens também cairão, com a queda das vendas e dos preços.

As vendas menores já obrigaram a empresa a paralisar três de seus cinco alto-fornos, o que acarretou na demissão de 700 pessoas.
Castello Branco ressaltou que as importações são um fator de alto risco para o setor. "O consumo interno aparente de aço recuou cerca de 4,% nos últimos meses. Já as importações avançaram. Se o consumo cai e as importações crescem, nós temos que produzir menos", afirmou, defendendo a alíquota de importação de aço para proteger o setor da concorrência desleal com os produtos chineses.

Fonte: Estadão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *