A companhia francesa Velcan Energy, listada na Bolsa de Paris, oficializou um robusto plano de expansão no setor elétrico brasileiro. Com um investimento projetado de R$ 800 milhões, a empresa foca na construção e operação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), apostando na estabilidade do mercado nacional e na viabilidade financeira gerada pelos créditos de carbono.
1. Portfólio de Projetos: De Santa Catarina a Minas Gerais
O plano de expansão da Velcan começou a se materializar com ativos estratégicos em estados com alto potencial hídrico:
- Usinas em Operação/Obras: A PCH Rodeio Bonito (SC), com 15 MW, marcou o início das operações.
- Expansão em Minas Gerais: Três novas centrais aguardam licenciamento para somar 90 MW ao portfólio, com investimentos de R$ 360 milhões.
- Meta de Curto Prazo: O diretor-geral, Jean-Luc Rivoire, projeta atingir a marca de 200 MW de geração própria, distribuídos em até oito usinas.
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2. Estratégia de Mercado: Venda no Ambiente Livre (ACL)
Diferente de modelos tradicionais que dependem exclusivamente de leilões do governo, a Velcan planeja comercializar sua energia no Mercado Livre (Ambiente de Contratação Livre).
Essa estratégia permite negociar diretamente com grandes consumidores industriais, garantindo margens mais atrativas e flexibilidade contratual. A empresa adota uma postura cautelosa, aguardando janelas de oportunidade de preços para fechar contratos de longo prazo.
3. Créditos de Carbono: O Diferencial de Viabilidade
Um ponto fundamental na tese de investimento da Velcan é a obtenção de créditos de carbono. Como as PCHs são fontes de energia limpa, a empresa planeja vender cotas equivalentes na Europa para compensar emissões industriais naquele continente.
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“Os créditos de carbono são uma motivação que justifica o investimento; sem eles, talvez muitos desses empreendimentos sequer fossem viáveis”, afirma Rivoire.
4. Brasil vs. Índia: Análise de Risco e Retorno
A Velcan também possui forte presença na Índia, onde opera com biomassa e hidrelétricas. O executivo destaca uma comparação interessante entre os dois mercados:
- Brasil: Taxa real de retorno estimada em 13%, com menor risco regulatório e institucional.
- Índia: Retorno de até 26%, porém com custos e riscos de execução significativamente maiores.
A aposta no Brasil é sustentada pela demanda crescente do país, que necessita de um acréscimo anual de 4.000 MW a 5.000 MW para suportar o crescimento econômico, posicionando as PCHs como soluções ágeis e de menor impacto ambiental.




