12 obras do PAC vão por água abaixo em Santa Catarina.

As enchentes que atingiram Santa Catarina e o grande volume de chuvas ocorridas na região durante todo o ano comprometeram o cronograma das obras em rodovias e ferrovias do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) em todo o estado. Só em outubro, as obras passaram 29 dias paralisadas por falta de condições de terraplanagem, de acordo com a superintendência regional do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte (Dnit-SC). Em todo o ano, os tratores permaneceram 100 dias parados nas rodovias catarinenses.

Normalmente, as obras de terraplanagem e pavimentação precisam de ao menos três dias dias secos para poderem começar, o que, nos últimos meses, se tornou um evento raro no estado. O volume de chuvas na região mudou a estabilidade do solo e, em conseqüência, complicou ainda mais o andamento dos trabalhos.

As enchentes só vieram agravar o quadro de atraso. Segundo a assessoria de imprensa do Dnit, a meta do órgão era terminar 2008 com 70% das obras concluídas. Com as chuvas e as cheias, esse percentual deve ficar em, no máximo, 50%. Ao todo, o PAC deve injetar em Santa Catarina um montante de R$ 16,9 bilhões até 2010. As rodovias e ferrovias, voltadas para ampliar a capacidade de escoamento da produção agrícola do estado para o mercado interno e para o Mercosul, correspondem a uma fatia de R$ 1,185 bilhão no total dos recursos.

A duplicação da BR 470, no trecho que liga as cidades de Navegantes e Blumenau – no coração do Vale do Itajaí – e trechos da duplicação da BR 101 apresentam os piores cenários entre as obras do PAC no estado. A queda de uma barreira no km 235 da BR 101, na semana passada interditou a rodovia durante sete dias e provocou um congestionamento de 25 km a partir do município de Palhoça em direção ao sul do Estado.

Perdas também nos portos

Responsáveis pelo escoamento de 4% das exportações brasileiras, os portos de Itajaí e Navegantes, ambos beneficiados por investimentos do PAC, tiveram perdas estimadas em US$ 370 milhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento. Os dois portos, que juntos movimentam uma média de US$ 31 bilhões diários, estão paralisados. O governo federal já liberou R$ 350 milhões em recursos para a reconstrução dos dois terminais, incluindo a reconstrução de armazéns e a dragagem do rio. Ainda assim, a expectativa é que em 30 ou 60 dias de trabalho os portos devam recuperar 50% de sua capacidade de operação.

Caos no saneamento

Os danos na rede de abastecimento de água e de esgotos nas cidades catarinenses mais atingidas pelas enchentes interromperam as obras do PAC na área de saneamento na região do Itajaí. Blumenau, por exemplo, teve suas quatro estações de tratamento de água paralisadas pela cheia e por deslizamentos de terra. As obras de expansão da coleta de esgoto – que recebem R$ 40 milhões do governo federal, dentro do orçamento do PAC – estavam no começo, com apenas três de seus 140 quilômetros, com conclusão prevista para o início de 2010, foram interrompidas por falta de operários.

Foram todos deslocados para o trabalho de limpeza e retirada de lama da cidade – conta o diretor de de operações do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) da cidade, Ramiro Nilson. Segundo ele, a prioridade é recuperar o acesso à água.

Nós chegamos a ficar 100% sem água potável durante dias. Ainda falta recuperar o fornecimento para de 50 mil moradores.

Fonte: Estadão

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