All confirma investientos de R$ 600 MI para 2009

Sem medo da crise, ferrovia intensifica investimentos em equipamentos, na ampliação da frota e em obras na via permanente, para conquistar mais carga geral.

A crise mundial não deve desviar muito de rota os trens da América Latina Logística (ALL). A empresa concessionária acaba de confirmar que deverá realizar, ao longo de 2009, investimento na ordem de R$ 600 milhões em seu sistema, não muito distante dos R$ 700 milhões calculados como meta para este ano, no final de 2007.

Os recursos serão aplicada em projetos de expansão que envolvem novos equipamentos, ampliação e a reforma de parte da frota para atender o aumento da demanda previsto para o período. "As mudanças são essenciais para atender o incremento previsto para o próximo ano no volume transportado", comentou Alexandre Zanelatto, diretor de produção da ALL. Zanelatto se refere a um dos principais projetos, que vai redesenhar parte dos trens para oito mil t de capacidade, a serem movimentados em um tipo de trilho específico, denominado "bitola larga", no trecho de ferrovia que vai do Alto Araguaia (MT) até o Porto de Santos. Segundo a operadora, estão previstas composições com 80 vagões em média.

Para garanrir o crescimento de 2009, a ALL também investiu em 90 controles remotos para tração distribuída, conhecidos como Locotrol. O equipamento permite operar locomotivas inseridas no meio da composição e será utilizado inicialmente no trecho entre Araraquara e Santos.

O controle distribui os esforços nos engates do trem, contribui para uma melhoria de 60% na frenagem, além de aumentar os níveis de segurança. "Com o Locotrol, as máquinas remotas recebem os comandos da locomotiva-líder e mandam seus status para ela novamente. O pessoal da operação está muito empolgado com a novidade. É um importante avanço tecnológico", destaca Luiz Carlos Hohmann, Gerente de Engenharia e Operação de Trens.

Internamente, a crise também não se refletiu em mudanças no controle de custos. "Mudamos pouquíssimo o nosso plano para o ano que vem, foram ajustes cosméticos", contou Bernardo Hees, presidente da ALL. De acordo com ele, dos R$ 600 milhões, cerca de R$ 550 milhões serão destinados a investimentos no Brasil (para locomotivas, vias permanentes, vagões e 40 pátios de cruzamento e manobra) e o restante na Argentina.

A ALL passará a usar em fevereiro trens de 8 mil toneladas, do Alto Araguaia (MT) até Santos (SP) "O volume praticado hoje é de 6 mil toneladas. Com maior produtividade, o novo trem consome menos diesel e desgasta menos a via permanente". Também no primeiro trimestre irá inaugurar seu primeiro terminal de grãos, no porto de Paranaguá, com capacidade estática para 50 mil toneladas, no qual foram investidos R$ 35 milhões. "O mercado pode ficar mais difícil, como estão falando, mas temos muita participação a ganhar", comentou Hees.

A empresa calcula que tem capacidade para multiplicar por quatro a cinco vezes o volume de transporte sem aumentar a malha ferroviária. Fora isso, negocia com o BNDES investimentos de R$ 700 milhões para que terceiros construam 250 quilômetros de trilhos até Rondonópolis (MT). Hoje, a empresa tem participação de 40% no transporte de grãos e quer passar de 45% em 2009 nas áreas em que atua, enquanto no segmento industrial quer saltar de 20% para até 30% nos segmentos que já atende (combustíveis, madeira e outros).

O executivo acrescentou que, com a crise, os custos com logística ganharão mais atenção, e o uso de ferrovia será uma opção mais econômica. "Do jeito que estava antes, a indústria estava produzindo pra vender, e sobrava pouco espaço para pensar em logística. Agora os clientes vão pensar mais", prevê. Hees contou que tem expectativa de crescer no segmento de contêiner, com carga fechada e frigorificada. "Se você compara nosso preço com o rodoviário, somos pelo menos 20% mais baratos, e pagamos 100% dos impostos". A diferença, disse ele, poderia ser maior. "Muitos transportadores autônomos não pagam impostos que, se fossem considerados, fariam a diferença chegar a 35%, 40%".

Na ALL não devem ocorrer demissões em 2009. Pelo contrário, estão previstas até 400 contratações, sendo 250 para o cargo de maquinistas, que são formados pela empresa. O próprio Hees é maquinista. "Já conduzo trem há mais de cinco anos. É o que eu gosto de fazer", contou o executivo. Sobre 2008, diz: "é o melhor ano da nossa história". A movimentação de carga foi menor que o esperado no terceiro trimestre, mas Hess adiantou que "o volume do quarto trimestre está sendo muito forte" e que a empresa está "bem perto" de cumprir as metas.


Fonte: Estadão

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