O mercado imobiliário de São Paulo registrou o lançamento de 65 mil novos imóveis residenciais no primeiro semestre de 2026, uma alta de 6,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho mantém a capital paulista em um patamar elevado de atividade. Além dos projetos recentes, o volume comercializado no semestre incluiu unidades remanescentes de anos anteriores, aproximando o setor do recorde de 150 mil unidades negociadas em um intervalo de 12 meses.
Entre janeiro e junho deste ano, foram comercializados 58 mil imóveis novos na capital paulista, crescimento de 1,8%, segundo os dados consolidados na Pesquisa do Mercado Imobiliário do Secovi-SP. O Valor Geral de Lançamentos somou R$ 33,5 bilhões, queda de 11,8%, enquanto o Valor Geral de Vendas chegou a R$ 28,1 bilhões, redução de 5,5%. A diferença entre o aumento no número de unidades e a retração em valor está relacionada ao peso do Minha Casa, Minha Vida , que respondeu por 71,8% dos lançamentos e 70,6% das vendas no semestre.
O desempenho ocorreu depois de São Paulo alcançar 150,7 mil apartamentos lançados nos 12 meses encerrados em outubro de 2025, conforme levantamento da Brain Inteligência Estratégica publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo. O volume representou crescimento de 31% sobre o período anterior e movimentou R$ 92,63 bilhões em lançamentos. Nos 12 meses terminados em junho de 2026, o mercado acumulou 143,7 mil unidades lançadas e 114 mil comercializadas. A oferta disponível em estoque para venda atingiu 91,5 mil imóveis, quantidade equivalente a 9,6 meses de vendas.
No país, os lançamentos residenciais somaram 211.651 unidades no primeiro semestre de 2026, estabilidade diante das 212.338 unidades do mesmo período de 2025. As vendas cresceram 5,4% e chegaram a 226.536 imóveis novos nas 221 cidades pesquisadas pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) . O MCMV respondeu por 58% dos lançamentos nacionais no segundo trimestre, maior participação do programa desde o início da série histórica, em 2019.
O avanço do setor aparece nos projetos reconhecidos pelo Prêmio Master Imobiliário 2026, promovido pela Federação Internacional Imobiliária (FIABCI-Brasil) e pelo Secovi-SP, em agosto de 2026. A premiação contempla as categorias Empreendimento e Profissional, com avaliação de aspectos técnicos, soluções construtivas, inserção urbana, comercialização e contribuição ao setor. Entre os vencedores de 2026 estão os empreendimentos:
O Acquaville, da MRV, em Londrina (PR), projeto de habitação econômica com 4.904 moradias. O conjunto reúne blocos de quatro pavimentos e torres de até 12 andares, construídos com paredes de concreto usinado moldadas no local. A implantação recebeu R$ 55 milhões em infraestrutura viária e equipamentos urbanos.
O Grupo A. Yoshii, de Londrina (PR), foi premiado pelo case “Inovação e Eficiência na Construção” ao implementar 77 projetos derivados de 575 sugestões de colaboradores. As melhorias abrangeram engenharia, métodos construtivos, experiência do cliente e práticas ESG (ambientais, sociais e de governança). Entre as soluções, se destaca a parceria com a startup ContaBem, o uso de BIM em 100% dos projetos, sensores em concreto, telas de polímero com fibra de vidro, inteligência artificial, reconhecimento facial e utilização de Starlink em obras remotas.
Também foi reconhecido o Neo Alphaville, da MPD Engenharia, em Barueri. Possui uma torre de 37 pavimentos, 115 unidades e apartamentos entre 173 m³ e 244 m³. Em Jundiaí, o centro tecnológico Henkel, desenvolvido com a Athié Wohnrath, reúne um edifício administrativo e 27 laboratórios. O grande diferencial do projeto está em seu edifício administrativo, construído em madeira engenheirada com uma tecnologia de colagem desenvolvida pela própria Henkel. Além disso, a construção reaproveitou mais de 75% dos resíduos e busca certificações ambientais e de bem-estar para os espaços internos.
Para os próximos meses, o mercado projeta estabilidade e crescimento consistente para o setor imobiliário. Esse otimismo é impulsionado pelo desempenho do MCMV, que tem potencial para alcançar até 65% dos lançamentos residenciais. Atento a este cenário, a indústria da construção civil aguarda uma expansão ainda maior ligada à melhora nas condições de financiamento, enquanto a CBIC mantém o foco na articulação de soluções junto a entidades regionais para viabilizar empreendimentos populares em grandes centros urbanos afetados pelo alto custo da terra.



