Com lucro recorrente de R$ 12,5 bilhões em 2022, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou o balanço do ano e anunciou seus projetos para 2023. Entre as prioridades estão a ampliação dos desembolsos, investimentos em infraestrutura, transição energética, inovação e reindustrialização.
Em entrevista coletiva realizada na sede do banco, no Rio de Janeiro, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a instituição pretende dobrar de tamanho até 2026 e elevar seus desembolsos para o equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
“Nosso projeto é voltar ao patamar histórico dos desembolsos do BNDES desde o início da implantação do Real, que é de 2% do PIB. Para isso, queremos dobrar o tamanho do BNDES até 2026 para que possa cumprir seu papel de desenvolvimento econômico e social”, declarou Mercadante.
BNDES registra lucro líquido de R$ 41,7 bilhões
No balanço de 2022, o BNDES alcançou R$ 41,7 bilhões de lucro líquido.
O resultado teve impacto da reclassificação do investimento na JBS, no valor de R$ 5,8 bilhões, de coligada para não coligada; das alienações de ações, que somaram R$ 2,3 bilhões, com destaque para Eletrobras e JBS; e das receitas de dividendos de R$ 18,4 bilhões, principalmente da Petrobras, responsável por R$ 17,2 bilhões.
O diretor financeiro do banco, Alexandre Abreu, destacou que o BNDES manteve a trajetória de redução de ativos observada desde 2015.
Nos oito anos anteriores, os ativos da instituição passaram de R$ 1,4 trilhão, no final de 2014, para R$ 684 bilhões em 2022, representando uma queda real de 51% no período.
“O BNDES hoje tem o mesmo tamanho que em 2008”, afirmou Abreu.
Segundo o diretor, em números corrigidos, a carteira de crédito também estava no mesmo patamar de 2008, mas apresentava redução de 30% em termos de participação no PIB.
Repasses ao Tesouro chegam a R$ 873 bilhões
Mercadante informou que o BNDES repassou ao Tesouro Nacional R$ 873 bilhões em valores nominais desde 2015, considerando pagamentos contratuais e antecipados de financiamento da União, FAT, dividendos e tributos federais.
O montante superou em R$ 227 bilhões a soma de todos os desembolsos realizados pelo banco entre 2015 e 2022, que totalizaram R$ 646 bilhões.
“O BNDES transferiu a mais R$ 254 bilhões que o subsídio que recebeu, de R$ 414 bilhões, entre 2008 e 2014. Cinco vezes o lucro líquido, vinte vezes o recorrente. Não é papel do BNDES financiar o Tesouro nesta velocidade”, disse.
O presidente do banco defendeu uma revisão dessa relação para que a instituição pudesse retomar seu papel como instrumento estratégico de desenvolvimento.
Infraestrutura entra na agenda do BNDES do Futuro
O diretor de Planejamento, Nelson Barbosa, apresentou o plano denominado BNDES do Futuro, que prevê uma agenda de diversificação das fontes de recursos da instituição.
Entre os eixos apresentados estão investimentos em infraestrutura, estruturação de projetos, inclusão produtiva com foco em micro, pequenas e médias empresas, gestão climática, inovação, reindustrialização, transição energética, exportações, diversidade e equidade.
A infraestrutura ganha espaço nessa estratégia por meio da chamada fábrica de projetos, ampliando a participação do banco na estruturação de iniciativas capazes de gerar novos investimentos.
BNDES aposta em inovação, indústria verde e exportações
Outro eixo apresentado foi a modernização da indústria brasileira.
Mercadante destacou a necessidade de abertura de mercados para aumentar a escala e a competitividade das empresas nacionais, associando esse processo à geração de empregos, renda e investimentos em inovação.
“98% do mercado está fora do Brasil. Para nossas empresas terem competitividade, elas precisam exportar. Disputar o mercado internacional gera emprego, renda e impostos. Isso ajuda a modernizar a indústria que precisa ser inovadora e verde. O mundo não terá futuro sem o Brasil”, concluiu, citando frase da diretora Luciana Costa.
A estratégia apresentada pelo BNDES coloca, assim, infraestrutura, inovação, reindustrialização e transição energética entre os pilares previstos para a retomada da atuação da instituição como financiadora do desenvolvimento brasileiro.





