Cidades brasileiras podem seguir modelo de Crescimento Inteligente

Para Keith Oropeza, arquiteto norte-americano reconhecido por seus projetos para o Complexo Disney e Universal Studios entre outros, o urbanismo sustentável tem de privilegiar o pedestre.

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Cidades médias que apresentam forte desenvolvimento têm agora uma grande oportunidade de promover um Crescimento Inteligente, onde os espaços e serviços são especialmente destinados ao pedestre, em lugar do automóvel. Essa é a recomendação do arquiteto norte-americano Keith Oropeza, que esteve recentemente no Brasil para mais uma reunião com os técnicos da Scopel Desenvolvimento Urbano, na qual foram identificados os principais conceitos arquitetônicos para o desenvolvimento dos residenciais da empresa.

A base deste trabalho é o “Smart Growth”, ou Crescimento Inteligente, uma tendência que vem sendo adotada em todo o mundo e que, segundo Oropeza, tem qualidades que podem ser seguidas por cidades em crescimento. Keith é reconhecido mundialmente como um dos criadores de projetos realizados para o Complexo Disney, Universal Studios, Sea World e Busch Gardens, entre outros. Atualmente, está à frente da consultoria E-Sciences Sustainable Landscape Architecture, com sede em Orlando, Flórida – EUA.

Segue entrevista com Keith Oropeza, feita durante sua visita ao Brasil.

Pergunta:O que é o Smart Growth, ou Crescimento Inteligente.

Keith Oropeza: Em linhas gerais, é um conceito urbanístico que propõe que as comunidades sejam um local onde as pessoas possam fazer tudo a pé, com grande redução do trânsito de automóveis, em que haja um uso misto entre residências, empresas, comércio, etc, e muitas áreas verdes. A proposta é que haja um crescimento dentro da comunidade e não uma expansão para outras áreas, com a conseqüente redução dos custos de infraestrutura e de transporte. Eu costumo dizer que é uma volta ao velho urbanismo, no qual as pessoas viviam e trabalhavam no centro da cidade, algo que foi abandonado, principalmente nos Estados Unidos, onde as pessoas residem longe dos locais de trabalho, do comércio e outras conveniências.

Pergunta:Quais são os principais aspectos desse conceito?

Keith Oropeza:O Smart Growth segue 10 princípios: Projetar Casas Menores; Variar as Alternativas de Projetos; Privilegiar o Pedestre; Promover a Colaboração Comunitária; Incentivar nas pessoas o Senso de Pertencer ao Lugar; Desenvolver Decisões Justas e Aplicáveis à realidade da comunidade; Mesclar os Usos entre residências, comércios, escritórios, etc.; Preservar Espaços Abertos e Belos, além das Áreas Ambientais; Oferecer Formas de Transporte Variadas; e Direcionar o Desenvolvimento para as Comunidades Existentes.

Pergunta:Esses conceitos já estão sendo aplicados? Qual tem sido o resultado?

Keith Oropeza:Já existem cerca de 600 comunidades na Flórida e em outros estados norte-americanos que estão aplicando o conceito do “Smart Growth”, algumas com mais, outras com menos sucesso. O importante é não aplicar o modelo simplesmente, mas identificar o potencial e as oportunidades existentes na comunidade. Se ela faz parte de uma área central ou se está localizada em uma região distante das principais conveniências, deve-se buscar uma abordagem mais adequada a essas realidades.

Pergunta:Você vê a possibilidade de aplicar esse modelo no Brasil, onde há sérios problemas de segurança?

Keith Oropeza:Sim, é possível, mas logicamente será necessária a adoção de abordagens um pouco diferentes, talvez um híbrido, que privilegie os princípios do “Smart Growth” levando em conta as necessidades locais.

Pergunta: O Smart Growth pode ser aplicado em cidades brasileiras?

Keith Oropeza:Minha vinda ao Brasil teve o propósito de conhecer as regiões onde ele pode ser implantado pela Scopel e identificar a abordagem mais adequada para cada projeto específico. O problema central, que precisamos resolver, é que nos tornamos preguiçosos. Usamos o automóvel para tudo. O modelo aplicado pela Scopel em vários residenciais propõe a valorização do espaço e a qualidade de vida com muito verde e foco nas pessoas.

Sobre Keith Oropeza:Com mais de 28 anos em projetos urbanísticos, o arquiteto Keith Oropeza segue a tendência que mescla as ciências dedicadas ao urbanismo com as ambientais para criar espaços bonitos, responsáveis e sustentáveis para as mais diversas aplicações, sejam passeios públicos, parques temáticos ou condomínios urbanos. Antes de mudar-se para a Florida, atuou em Washington – DC, onde realizou diversos projetos paisagísticos destinados a melhorar a segurança na região das embaixadas da capital dos Estados Unidos. Entre seus principais projetos estão: Universal Studios, em Orlando, Sea World, em Discovery Cove, Busch Gardens, em Tampa, Loews Royal Pacific Resort, Florida Hospital, Chipan Springs Resort, em Taiwan e Discovery Lagos, em Shenyang, China. Somente na região central do estado da Florida, Oropeza desenvolveu os seguintes projetos viários: SR 50, Universal Boulevard, Hollywood Way, Major Boulevard, Orange Avenue e Rollins Street. Hoje, Oropeza está à frente da consultoria E-Sciences Sustainable Landscape Architecture, com sede em Orlando, Flórida – EUA.

Fonte: Estadão

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