Com a renovação da concessão, a modernização da Autopista Fluminense (BR-101/RJ) receberá investimento de R$ 10,18 bilhões, dos quais R$ 6,1 bilhões serão destinados a obras de duplicação, ampliação de faixas, novas passarelas, paradas de ônibus e estrutura de apoio para caminhoneiros. Outros R$ 4,1 bilhões serão revertidos à operação e manutenção. A concessionária estima a geração de 87 mil empregos diretos, indiretos e por efeito renda durante a vigência da concessão, renovada até 2048.
O novo contrato de 22 anos da BR-101/RJ é resultado do leilão realizado em novembro de 2025, vencido pela Arteris Fluminense, que já administrava o trecho, que compreende a divisa do Rio de Janeiro com o Espírito Santo e o entroncamento com a Ponte Presidente Costa e Silva, em Niterói. A empresa assumiu novas obrigações de investimento e ampliação da infraestrutura viária. Entre elas, a duplicação de 49,6 km de vias, construção de 52,6 km de faixas adicionais e de 81,7 km de multivias.
A ordem de serviço para o início das obras foi assinada pelo Ministério dos Transportes em 11 de maio. “Estamos destravando um gargalo em uma região onde vivem 4,5 milhões de pessoas e por onde circulam diariamente trabalhadores e cargas que movimentam o principal hub logístico, petrolífero e de energia do País”, afirmou o ministro dos Transportes, George Santoro.
Segundo a pasta, o modelo de concessão da BR-101/RJ integra a Política Pública de Outorgas instituída pela Portaria nº 848/2023, que estabelece novos parâmetros para os contratos federais de concessão rodoviária. A proposta prevê a antecipação de obras prioritárias, a padronização dos contratos e a vinculação dos reajustes tarifários à entrega efetiva dos serviços previstos.
Obras prioritárias
Os principais gargalos da Autopista Fluminense concentram-se no trecho entre Itaboraí e Niterói, caracterizado por tráfego intenso, elevada circulação de veículos pesados e forte interação com acessos urbanos e ocupações lindeiras, o que resulta em perda de capacidade viária e maior incidência de acidentes, como revela Rafael Luiz Caldo, superintendente de Obras da Arteris Fluminense.

“Os trechos mais críticos, nesse início de concessão, são os que concentram maior volume de tráfego e maior complexidade de obra. O principal deles está entre os quilômetros 297 e 320, na região de Itaboraí, São Gonçalo e Niterói, onde estão previstas faixas adicionais, reforço de solo e melhorias na drenagem”, assinala Caldo, lembrando que também terão prioridade nos três primeiros anos da nova concessão a duplicação entre os quilômetros 144 e 190 (em Macaé), as intervenções em Campos dos Goytacazes e a implantação do free flow em áreas urbanas. “Mais adiante, a partir do quarto ano, entram a Variante de Itaboraí e a duplicação da travessia urbana de Casimiro de Abreu”, completa.
A implantação de faixas adicionais ao longo da Autopista Fluminense exigirá soluções geotécnicas para reforço do solo e adequação dos sistemas de drenagem, especialmente em trechos com solos moles e compressíveis sujeitos à alta pluviosidade e ocupação irregular. Entre os segmentos mais desafiadores estão a duplicação entre os quilômetros 144 e 190, as intervenções na região de Campos dos Goytacazes e a implementação do sistema free flow em áreas urbanas.
Segundo a Arteris, as obras também envolvem desafios ambientais e sociais, incluindo trechos situados em áreas de influência da reserva do mico-leão-dourado e ocupações na faixa de domínio da rodovia. Para mitigar os impactos, estão previstas medidas como monitoramento de fauna e implantação de passagens específicas para animais.
Rodovia terá novas obras de arte especiais e faixas adicionais
De acordo com a Arteris, está prevista a duplicação de 45,7 km de extensão entre os quilômetros 144 e 190, no trecho entre Casimiro de Abreu e Macaé, com execução entre 2026 e 2032. O projeto inclui quatro dispositivos, quatro novas obras de arte especiais e dois acessos. Também será realizada a duplicação de 3,85 km de extensão entre os quilômetros 205 e 208, na região urbana de Casimiro de Abreu, com implantação de obras de arte especiais, vias marginais e retornos em nível. A conclusão dessa intervenção está prevista para até 2034.
Serão implantados 46 km de faixas adicionais entre os quilômetros 297 e 320, com conclusão até 2030, ampliando a capacidade da rodovia para três faixas por sentido nesse ramal. Também estão previstos cerca de 6 km adicionais de faixas em pista simples na região de Campos dos Goytacazes, entre os quilômetros 7 e 45, com execução até 2034. Segundo a Arteris, paralelamente, será executado um programa de restauração e recuperação de pavimento ao longo dos 322,1 km da rodovia. O cronograma inclui ainda a construção de multivias em Campos, entre 2027 e 2034, e da Variante de Itaboraí, entre 2029 e 2032.
Ao longo da concessão estão previstos dez dispositivos de retorno em desnível, sete retornos em nível e 16 acessos à rodovia. No conjunto das obras de arte especiais, serão construídas 12 novas pontes, realizadas intervenções em 39 estruturas existentes e executados seis alargamentos, além da implantação de 21 passarelas. Segundo a concessionária, as obras serão realizadas de forma escalonada entre 2026 e 2039, priorizando os pontos com maior impacto operacional e de segurança.
Nas contas da Arteris, serão utilizadas aproximadamente 315 mil toneladas de CBUQ para novas implantações e 424 mil toneladas para restauração, além de 181,6 mil toneladas de aço e 72 mil metros cúbicos de concreto. Também serão usadas 773 mil toneladas de materiais pétreos e 26 mil toneladas de cal para melhoria de solos. O programa inclui ainda revegetação de 900 mil m² e compensação ambiental em 90 hectares.
Em termos de tecnologia e monitoramento digital, serão utilizados drones para levantamentos topográficos, sistemas automatizados de pavimentação como MOBA e SYTECH, plataformas digitais de gestão com RDO eletrônico e integração com sistemas inteligentes de transporte (ITS) para a operação da rodovia.
Para essa nova fase da rodovia, estão previstas ampliações da iluminação em travessias urbanas e dispositivos, além da implantação de 220 câmeras de monitoramento e de conectividade 4G em todo o trecho até 2029. A estrada já conta com bases operacionais, ambulâncias, guinchos e monitoramento contínuo, e terá, até 2027, um Ponto de Parada e Descanso no km 133, com infraestrutura voltada aos caminhoneiros.
Rodovia é utilizada para escoamento do setor de petróleo
As intervenções na BR-101/RJ vão ampliar a capacidade viária da rodovia, melhorando o fluxo do tráfego em pontos considerados críticos e fortalecendo o escoamento da produção petrolífera do Rio de Janeiro. A estrada desempenha papel estratégico na integração econômica da região ao conectar a costa fluminense à Bacia de Campos, uma das principais regiões produtoras de petróleo do País, concentrando intenso fluxo de cargas e veículos leves. O projeto de modernização também prevê a redução de custos logísticos e o fortalecimento da competitividade da indústria fluminense.
A Autopista Fluminense liga importantes municípios para o setor de óleo e gás, como Macaé, Campos dos Goytacazes e São João da Barra, além de integrar portos e empresas que sustentam parte relevante da produção nacional de petróleo. Além da importância logística e industrial, a rodovia também exerce forte impacto sobre o turismo regional. O trecho é uma das principais portas de entrada para a Região dos Lagos, destino que reúne cidades como Búzios e Cabo Frio e movimenta a economia fluminense ao longo de todo o ano.
A rodovia impacta diretamente 13 municípios do Rio de Janeiro, responsáveis por aproximadamente 17,8% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. O maior volume de tráfego é registrado na Avenida do Contorno, em Niterói, com cerca de 102 mil veículos por dia. Na região de Silva Jardim, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e Macaé, o volume diário médio de tráfego é de 15 mil veículos. Já no trecho próximo à divisa com o Estado do Espírito Santo, o volume diário médio de tráfego é de seis mil veículos.
Com a Autopista Fluminense, a Arteris é responsável por operar cerca de 2.643 km de rodovias no País, incluindo as concessões da Régis Bittencourt, Litoral Sul, Planalto Sul, Intervias e ViaPaulista. De acordo com a empresa, a experiência acumulada nessas concessões está sendo aplicada na BR-101/RJ, especialmente nas áreas de gestão de ativos, segurança viária, uso de tecnologia e padronização operacional.









