Mesmo em um cenário internacional adverso, a economia da Índia manteve desempenho robusto no segundo trimestre do ano. Entre abril e junho, o país registrou crescimento de 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB) na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado representa aceleração frente ao trimestre anterior, quando o PIB havia avançado 5,8% entre janeiro e março.
Os números ficaram em linha com as expectativas do mercado e reforçam a resiliência da economia indiana diante da crise econômica global.
Comércio, serviços e indústria impulsionam o crescimento
Os principais vetores de crescimento da Índia no período foram os setores de comércio e serviços, com destaque para hotéis e transporte, atividades fortemente ligadas ao consumo interno.
A produção manufatureira também contribuiu positivamente, com expansão de 3,4%, enquanto o setor de mineração apresentou desempenho ainda mais expressivo, crescendo 7,9% no trimestre.
Segundo dados oficiais divulgados pelo governo, a economia indiana segue sustentada por uma base sólida de produção rural e consumo doméstico, com menor dependência das exportações — característica que reduz a exposição do país às oscilações do comércio global.
Estímulos governamentais fortalecem a demanda interna
Os resultados refletem, em grande parte, os estímulos econômicos adotados pelo governo indiano para enfrentar a retração da economia mundial. Até o momento, foram injetados cerca de 5,6 trilhões de rúpias (aproximadamente US$ 115 bilhões) para reforçar a liquidez e estimular a demanda.
Quando somados aos incentivos fiscais, os estímulos já representam cerca de 12% do PIB da Índia, percentual considerado elevado e decisivo para sustentar o crescimento econômico.
Como reflexo dessas medidas, a produção industrial encerrou o mês de junho com alta de 7,8% na comparação anual, o maior crescimento registrado em 16 meses, segundo dados divulgados pelo governo no início de agosto.
Banco central sinaliza cautela com inflação
Diante da retomada mais consistente da atividade econômica, o O País cresce, não corrige distorções e carece de projeto de futuro
começou a sinalizar uma mudança na condução da política monetária. Após uma sequência de cortes nos juros ao longo dos últimos meses, a autoridade monetária manteve a taxa básica estável em 3,25% em julho, demonstrando preocupação com o possível retorno da inflação.
Para o ano fiscal em curso, que se encerra em março do próximo ano, o banco central projeta crescimento de 6%, com viés positivo. Caso confirmado, o resultado será o menor desde 2003, mas ainda significativo diante do cenário global. No último ano fiscal, o PIB indiano cresceu 6,7%, após ter registrado 9% no período anterior.
Economia indiana segue como destaque entre emergentes
Mesmo com a desaceleração em relação aos anos de crescimento mais acelerado, a Índia continua figurando entre as economias emergentes com melhor desempenho, sustentada pelo mercado interno, por políticas anticíclicas e por uma menor dependência do comércio exterior.


