A ArcelorMittal projeta para o segundo semestre de 2032 a conclusão definitiva da descaracterização da barragem de Serra Azul, em Itatiaiuçu (MG). O cumprimento deste cronograma, pactuado com órgãos reguladores e de controle, está diretamente atrelado ao uso intensivo de tecnologias de operação remota, que permitem a movimentação segura dos 4,7 milhões de m³ de rejeitos acumulados na estrutura.
A barragem, construída originalmente pelo método de alteamento a montante, possui 85 metros de altura e está inativa desde 2012. Em 2019, a estrutura entrou em nível de emergência após estudos apontarem baixo fator de segurança com risco de liquefação. O início da remoção efetiva do material ocorreu em agosto de 2025, logo após a entrega da Estrutura de Contenção a Jusante (ECJ), uma barreira de proteção definitiva com 400 metros de comprimento e 50 metros de altura.
BLINDAGEM TÉCNICA E AVANÇO DAS CAMADAS
Diretor Executivo da Mineração Serra Azul, Sérgio Botelho explica que a estratégia de intervenção foi rigorosamente desenhada para garantir que o fator de risco fosse neutralizado antes mesmo da primeira escavação. “A construção da ECJ foi o marco regulatório e técnico que permitiu o início seguro da descaracterização. Hoje, a estrutura original, que tem 85 metros de altura, está protegida por um muro robusto, composto por tubos de aço preenchidos com rocha e drenagem de última geração”, afirma.
A operação atual já apresenta resultados visíveis na topografia da barragem. De acordo com Botelho, o processo segue um planejamento de sete etapas consecutivas, onde cada fase corresponde à remoção de uma camada completa da superfície do reservatório. “Já avançamos na remoção da segunda camada da descaracterização, o que representa uma redução física de 5 metros na altura total da estrutura. Até o momento, mais de 385 mil m³ de rejeito já foram retirados e encaminhados para o reprocessamento”, detalha.
Para garantir a estabilidade durante a retirada, a engenharia mantém uma declividade controlada no reservatório. Essa medida facilita o escoamento natural da água para os sumps (reservatórios secundários) de bombeamento instalados na região a montante, evitando o acúmulo de líquidos que poderiam comprometer a segurança da massa de rejeitos remanescente.
OPERAÇÃO REMOTA E PROTEÇÃO HUMANA
O diferencial tecnológico na barragem de Serra Azul reside na ausência de operadores dentro da zona de risco primário durante a fase de escavação inicial. A ArcelorMittal implementou uma frota de caminhões, escavadeiras e tratores remotamente controlados. Segundo Sérgio Botelho, a escolha pelo uso de máquinas não tripuladas é uma camada de proteção adicional inegociável.
“A ArcelorMittal prioriza as melhores técnicas disponíveis e a segurança de todos os envolvidos durante o processo de descaracterização. Nos anos iniciais, as atividades serão realizadas com o uso de equipamentos remotamente controlados. Essa tecnologia nos permite operar com precisão cirúrgica no desmonte da estrutura, mantendo nossas equipes em postos de comando seguros, fora da projeção direta do reservatório”, ressalta Botelho.
Além dos equipamentos autônomos, a gestão de segurança conta com o suporte do sistema ZTRAX, que utiliza sensores GPS em tempo real para o monitoramento da localização de todos os trabalhadores que circulam no complexo. A rede de vigilância é complementada por radares de alta precisão, satélites, sismógrafos e piezômetros automatizados. “O acesso à Zona de Autossalvamento (ZAS) é interrompido imediatamente caso qualquer mudança que afete o nosso plano de operação, monitoramento e manutenção da barragem ocorra”, pontua o diretor.
EXPANSÃO E AUMENTO DE VIDA ÚTIL DE SERRA AZUL
A descaracterização da barragem a montante é o passo fundamental para a renovação da unidade de Serra Azul. A mineradora projeta que o pico das obras mobilizará cerca de 300 profissionais, atuando em um cronograma que visa não apenas a remoção dos rejeitos, mas a reintegração total da área à paisagem natural da região até 2032.
Paralelamente ao passivo mineral, a ArcelorMittal consolida um plano de expansão robusto para a unidade, que elevará a produção dos atuais 1,6 milhão para 4,5 milhões de toneladas/ano de minério de ferro. Este novo ciclo produtivo rompe definitivamente com o modelo de barragens convencionais.

“A transição para o empilhamento a seco e a conclusão da descaracterização em 2032 marcam uma nova era para a mina. Adotamos o processamento que elimina a necessidade de novas barragens e construímos uma planta de produção de pellet feed focada em atender nossa unidade de pelotização no México. Com esses investimentos, estendemos a vida útil de Serra Azul até 2053, garantindo uma operação moderna, sustentável e, acima de tudo, segura para a comunidade de Itatiaiuçu”, conclui Sérgio Botelho.
Toda a produção resultante da ampliação será exportada para alimentar siderúrgicas do próprio grupo ArcelorMittal, integrando a unidade mineira em uma cadeia global de suprimentos que agora prioriza métodos de disposição de rejeitos em pilhas drenadas.

FICHA TÉCNICA DA BARRAGEM:
- Nome: Mina de Serra Azul
- Localização: Itatiaiuçu (MG)
- Altura Atual (medida da base ao coroamento): A altura da barragem era de 85 metros. Já esta-se removendo a segunda camada da descaracterização, reduzindo ao todo em 5m. A estrutura original é protegida agora pela Estrutura de Contenção a Jusante (ECJ), que possui 400 metros de comprimento e 50 metros de altura no ponto mais alto.
- Capacidade/Volume Total (volume de rejeitos que pode ser armazenado): 4,7 milhões de m³ de rejeitos.
- Método de Construção (alteamento a Montante, Jusante ou Linha de Centro): Método a Montante
- Tipo de Rejeito (sólidos e água – polpa – resultantes do processamento): Rejeito de minério de ferro
- Gestão de Segurança: A estrutura é monitorada 24 horas por dia, sete dias por semana, e os indicadores de segurança permanecem inalterados desde o acionamento do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM), em 2019. São utilizados radares, ETRs, sistemas GNSS, piezômetros, sismógrafos, câmeras de alta resolução e tecnologia de localização GPS (ZTRAX) para os colaboradores.





