A descaracterização de uma barragem de rejeitos não implica o desligamento dos sistemas de controle. Na unidade Serra Grande, em Crixás (GO), a Aura Minerals mantém a estrutura MSG sob vigilância constante, operando um Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG) durante 24 horas por dia. O ativo foi recebido da AngloGold Ashanti já em estado de descaracterização, mas a mineradora optou por manter protocolos de segurança equivalentes aos de unidades em plena atividade. O foco é garantir que o barramento remanescente de 90 metros permaneça estável e integrado ao meio ambiente.
“Para manter essa vigilância, o CMG conta com uma equipe dedicada de cinco profissionais que trabalham em regime de turnos. Além disso, a unidade dispõe de um engenheiro exclusivo para supervisionar os dados gerados pela instrumentação automatizada em tempo real”, informa Cassia Maeda Araújo, coordenadora de Geotecnia da unidade. A espinha dorsal deste monitoramento é o uso de uma Estação Total Robótica (ETR). O equipamento realiza o controle automatizado e manual da estrutura, detectando qualquer oscilação técnica que possa indicar instabilidade no terreno ou no material consolidado.
Os dados captados pela ETR e por outros instrumentos geotécnicos são processados imediatamente no CMG local. Essa agilidade permite que a empresa responda prontamente a qualquer alteração nos indicadores, antes mesmo de os dados serem reportados ao sistema regulatório nacional. Segundo Cassia Maeda, o monitoramento contínuo é uma necessidade técnica que não termina com o fim das obras físicas. “O monitoramento pós-descaracterização exige o mesmo nível de rigor que uma barragem ativa”, pontua. A coordenadora ressalta que a transição eficiente entre a gestão das duas mineradoras manteve a continuidade do registro desses dados.
O histórico de monitoramento permite à equipe atual realizar análises preditivas sobre o comportamento do solo e do antigo reservatório. Além da vigilância remota por sensores, a Aura Minerals mantém uma rotina de inspeções presenciais. A frequência adotada pela unidade é de uma visita semanal, totalizando 52 inspeções de campo por ano – o dobro das 26 vistorias exigidas pela legislação brasileira. Esse fluxo de controle integra o Programa de Gestão de Risco de Barragem de Mineração (PGRBM) da unidade. O documento passa por uma revisão completa para implementação até agosto de 2026, visando atender às diretrizes da Resolução 95 da Agência Nacional de Mineração (ANM).
“Realizamos inspeções de campo semanais, totalizando 52 por ano — o dobro das 26 exigidas pela regulação. Além disso, emitimos relatórios mensais de inspeção (LOR) realizados por terceiros e relatórios semestrais de inspeção regular (RIS) validados por auditorias externas”, explica Maeda. Desde 2021, a unidade Serra Grande não efetua o aporte de rejeitos em polpa, migrando para a disposição a seco em pilhas (PDR). A antiga barragem MSG permanece apenas como um depósito de material consolidado, sem capacidade operacional para novos armazenamentos.
Desafios de Manutenção e Segurança Comunitária
Um dos principais desafios da equipe de geotecnia é gerir o sistema de drenagem da área descaracterizada. É necessário garantir que a estrutura não retenha águas pluviais ou de nascentes, direcionando o fluxo corretamente para jusante através de canais periféricos, detalha a coordenadora. A hidrossemeadura é utilizada para proteger o solo, mas árvores de grande porte são proibidas por razões de segurança. A Aura também mantém ativo o Plano de Ação de Emergência (PAEBM) para a comunidade de Crixás. O sistema inclui rotas de fuga, pontos de encontro e simulações periódicas, mantendo a população informada sobre os protocolos de segurança da área.
A descaracterização e o monitoramento 24h são apresentados pela mineradora como pilares de sua agenda ESG. De acordo com Cassia Maeda, a eliminação de riscos de longo prazo e a conformidade absoluta com as diretrizes do setor são fundamentais para a operação sustentável da mina.





