Empresários de obras rodoviárias propõem estatal de planejamento

O presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor), José Alberto Pereira Ribeiro, está propondo a criação da Empresa Brasileira de Planejamento Logístico (EBPL), entidade estatal que seria responsável por grandes projetos na área de transportes. A proposta foi feita na reunião do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
"O sistema logístico brasileiro se ressente de uma estrutura de planejamento de médio e longo prazos em nível governamental, o que limita drasticamente os horizontes também do setor privado em suas decisões de investimento em infraestrutura, diretamente ou em parceria com o governo", justificou Ribeiro. Lembrou que o extinto Geipot, estatal de planejamento de transportes, "permitiu avanço considerável no desenvolvimento da infraestrutura logística".
O presidente da Aneor negou que sua sugestão represente o retorno da estatização na economia. "São críticas de fundo estritamente ideológico. Diante da escala e do nível de complexidade da nossa economia, o planejamento de investimento em infraestrutura a partir de uma empresa de projetos é vital, sendo sua ausência um entrave direto ao desenvolvimento", assinalou.
Segundo ele, a EBPL é uma necessidade para a economia. "A função que irá exercer exige um ente público, pois seu trabalho pressupõe investimentos a fundo perdido, que só o setor público pode fazer", acrescentou. Ribeiro citou como um bom precedente a criação da EPE, a Empresa de Pesquisa Energética, sem a qual, na sua opinião, não ocorreria a retomada dos grandes projetos hidrelétricos, como as usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte.
"O modelo da EPE, que pode ser melhorado, se aplica ao campo da infraestrutura de transportes. Nos dois setores, a característica central são os projetos de grande escala, longo prazo de maturação, ampla interferência com o meio ambiente e alto risco. Dificilmente o setor privado correria o risco da elaboração dos projetos nesses setores pelas incertezas de retorno", concluiu o presidente da Aneor.
Fonte: Estadão

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