Estrutura metálica com núcleo de aço pré-fabricado —em módulos tipo Lego — é executada na metade do tempo

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Estamos falando de um prédio de 284 m de altura e 58 pisos em Seattle, nos Estados Unidos, comparado a uma estrutura metálica com núcleo de concreto. O Rainer Square Tower-RST será entregue em setembro próximo, após apenas 10 meses de obras.

Esse projeto estrutural inovador é cria de Ron Klemensic, executivo principal da MKA Magnusson Klemensic Associates, que desenvolveu o conceito de painéis metálicos tipo sanduíche compósito, que parecem um Lego gigante, são pré-fabricados em linha industrial e chegam prontos para a montagem final para formar o núcleo do edifício também de estrutura metálica, que tem como função resistir a cargas laterais.

Uma vez montados quatro lances (pisos) do núcleo metálico, no qual os módulos são empilhados e soldados, o miolo é preenchido de concreto autoadensável, sem precisar de formas nem armadura, constituindo um sanduíche.

O edifício Rainer Square Tower tornou realidade um conceito estrutural resistente a sismos, que vem sendo estudado há cerca de uma década. Sua execução é 50% mais rápida do que a estrutura metálica tradicional com núcleo de concreto moldado in loco.

Embora o prédio venha a ser entregue em setembro, a estrutura metálica estava concluída no 58º piso em 9 de agosto, pela TEC-The Erection Co. O projeto arquitetônico é da NBBJ e a incorporadora é Wright Runstad & Co.

A Supreme Group que respondeu pela estrutura metálica afirma que o núcleo pré-fabricado exige a entrega dos projetos executivos um ano antes do prazo normal, mais seis meses de antecedência para a pré-fabricação, incluindo detalhes das redes hidráulicas e elétricas e as bordas das lajes.

As equipes do prédio RST demoraram dois anos e meio no detalhamento dos projetos, prevenindo-se de surpresas de uma obra inovadora. Em fins de 2017 e começo de 2018, construíram dois mock-up em escala real, para checar a sequência de montagem do núcleo metálico e a concretagem do miolo vazio dos módulos.

A pandemia da Covid-19 permanece afetando a rotina e a economia mundial. O Brasil sofreu também os impactos da doença, mas nossos números começam a mostrar arrefecimento. O governo, nas esferas federal, estadual e municipal, implantou iniciativas que neutralizaram parte dos efeitos negativos. Apesar disso, o futuro ainda mostra incertezas. O governo e as empresas precisam agir com sincronia e convergência para enfrentar e superar os desafios da etapa de retomada.

O Brasil possui amplo e diversificado parque industrial e vasto acúmulo de competências no segmento de Engenharia e Construção (E&C). Contudo, os projetos industriais que devem marcar o futuro próximo do Brasil são de grande porte e vão requerer alta capacidade de caixa das empresas de E&C,
que vão implantar essa nova e promissora etapa de crescimento.

Com efeito, o novo marco do saneamento e o Novo Mercado de Gás (NMG), que avançará mais com a aprovação do PL6407/13, ao lado de atacar atrasos históricos do país, vão criar demanda para vários projetos industriais de grande porte.

A Cobrazil passou pelas crises recentes mantendo um princípio inabalável: manter as pessoas, sistemas, processos e demais recursos que asseguram a perpetuação de sua alta capacidade na atividade de E&C. São 103 anos de conhecimento e experiência. Mas a pré-fabricação dos módulos do núcleo trouxe benefícios visíveis no sítio. Não havia armaduras congestionadas porque elas nem existiam. Nem formas de concretagem e tempo de cura do
concreto. Não houve interferências entre montagem da estrutura metálica e concretagem, pois esta vinha sempre 4 pisos abaixo.

536 MÓDULOS NO NÚCLEO METÁLICO

O núcleo do prédio, que se reduz de três a duas células nos pisos superiores, foi montado com 536 módulos pré-fabricados, inclusive 30 painéis em formato H que integram vigas de ligação. Há 157 elementos de coluna periférica, que são preenchidos de concreto.

Os painéis medem 4,66 m de altura, 57 a 112 cm de espessura e comprimento de 9 a 12 m. As placas foram compradas na Coreia do Sul porque não havia empresa americana para formar placas de 4,2 m de largura e 1,25 cm de espessura. O peso varia entre 5 t a 20 t.

As placas são ligadas por 350 mil barras transversais, que tem 700 mil furos e 700 mil soldas. Para atender o prazo de pré-fabricação, a Supreme subcontratou mais seis empresas.

Os painéis são abertos nas extremidades para receber o concreto que flui das colunas da estrutura do núcleo. Os elementos das colunas têm os
furos alinhados para a passagem do concreto.

Numa sequência típica, a TEC monta um lance de dois andares do núcleo metálico e a estrutura do piso em volta; segue para começar o lance seguinte acima; quando inicia o terceiro lance, TEC entrega para a turma da concretagem o 1º piso, para colocação de redes e armadura em quatro dias, seguido de concretagem da laje.

A concretagem dos painéis do núcleo ocorre quatro pisos abaixo da frente de montagem das lajes, que utilizam elementos metálicos que ficam embutidos no concreto. Existem ainda vigas de reforço para amarração do guindaste de torre, que acompanha a estrutura do prédio que sobe.


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