Gafisa consegue nova injeção de capital de acionistas

Com o dinheiro que será obtido com a capitalização e a emissão de dívida, a Gafisa quer se reerguer

Depois de ter perdido espaço para as concorrentes, de ter visto o seu valor na bolsa desabar e de ter as suas operações colocadas de cabeça para baixo durante a gestão de um sócio briguento, a construtora Gafisa conseguiu nesta segunda-feira um voto de confiança dos seus investidores para tentar se reerguer. Os acionistas que participaram de de sua assembleia geral extraordinária – representando cerca de 40% do total – toparam injetar mais capital na companhia e também autorizaram que a empresa pegue mais dinheiro emprestado no mercado para uma reestruturação das suas atividades.

“Os investidores mostraram que estão animados com os planos para a companhia. Seguimos realizando nossas obras e em processo de recuperação de credibilidade”, disse o presidente da Gafisa, Roberto Luz Portella, em entrevista a jornalistas após a assembleia. “Não podemos errar. Já houve erros demais na história da Gafisa.” 

O aporte vai ser feito por meio de um aumento de capital com a emissão de até 26 milhões de novas ações. No início da tarde desta segunda-feira, o papel da Gafisa era negociado em baixa de 1,8% na B3, vendido a 7,68 reais. Os atuais acionistas terão preferência para comprar mais papéis, na proporção da sua atual participação.

A partir de um laudo da consultoria de investimentos Eleven Financial Research, o conselho de administração da Gafisa vai decidir e anunciar até esta terça-feira o preço de venda dessas novas ações, e os investidores terão 30 dias para a subscrição.

O montante de 26 milhões de ações é o máximo possível de ser emitido agora de acordo com o estatuto da construtora, que permite que a Gafisa tenha até 71 milhões de ações em circulação – atualmente, já existem 45 milhões de papéis no mercado.

Na assembleia de hoje, seria votada também uma alteração no regulamento para permitir que o capital fosse ampliado para até 120 milhões de ações, mas o quórum mínimo exigido para essa modificação não atingido. Assim, foi convocada uma nova assembleia para o dia 23 de abril na qual uma capitalização adicional será votada com qualquer quórum.

Além dessa injeção de recursos dos acionistas, a Gafisa vai poder captar no mercado local ou no exterior até 150 milhões de dólares com debêntures conversíveis em ações.

A reorganização da Gafisa começa com uma profunda revisão da sua história recente. Segundo Portella, a construtora estuda medidas judiciais para reexaminar ações tomadas pela GWI entre outubro do ano passado e fevereiro de 2019, quando executivos ligados à gestora de investimentos comandaram a construtora.

FONTE: EXAME

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