Toda estação de tratamento de esgoto (ETE) gera dois produtos principais. O primeiro é a água tratada, que representa a solução para a qual a ETE foi construída. O segundo é o lodo, o principal desafio operacional e financeiro de todo o processo. Uma gestão de lodo ineficiente pode consumir mais de 50% de todos os custos de uma ETE. A urgência desta gestão se torna clara com os dados do saneamento no país. Quase 100 milhões de brasileiros ainda não possuem acesso à coleta de esgoto, segundo o Instituto Trata Brasil. A expansão necessária da rede de tratamento para cobrir este déficit aumentará drasticamente a geração de lodo, tornando sua gestão ainda mais crítica. A boa notícia é que este paradigma está mudando. A abordagem moderna para a gestão de lodo em ETE foca na transformação deste resíduo, deixando de ser um problema caro a ser descartado e se tornando um recurso valioso a ser aproveitado.
A tecnologia, chave para destravar este potencial, começou a ser implantada pela Goetze Lobato Engenharia, na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) CIC Xisto, em Curitiba, no Paraná. O local será ampliado, passando de 490 l/s (litros por segundo) para 1.368 l/s de vazão, uma combinação de processos anaeróbios (sem necessidade de oxigênio no tratamento) com processos aeróbios (necessita de oxigênio), em cada reator, melhorando o processo de tratamento e já prevendo o atendimento às condições e padrões de lançamento preconizadas pelas resoluções dos órgãos ambientais e de outorga. A ampliação do sistema beneficiará 787 mil habitantes, conforme explica Guilherme Goetze, gerente de Contrato da empresa e autor do projeto. Segundo ele, a solução encontrada não se resume somente a BRC e aplicação de BIOBOB, apesar de ser uma parte vital do negócio. A questão principal foi enfrentar o principal problema que todas as concessionárias de esgoto enfrentam, que é a gestão do lodo, gerado após o tratamento de esgoto.
“Nós fomos atrás do que seria a solução mais eficiente, tanto em termos de ciência energética quanto custos operacionais, para destinar e tratar esse lodo. A alternativa basicamente se divide em duas partes: em primeiro está na aplicação da tecnologia dos BRC somados aos BIOBOBs (biorreator combinado), que ocupa muito pouco a área e gera 25% do lodo que seria gerado com uma solução tradicional de lodos ativados previstos no edital. Essa pequena geração de lodo nos possibilita a segunda alternativa que seria o que a gente inicialmente traçou como meta, aplicar a solução de jardins de mineralização de lodo, que, de longe, é a mais eficiente já desenvolvida até hoje, porque é totalmente natural, feita com a utilização de plantas”, conta.
Para o sistema de entrada está sendo desenvolvido um sistema de tratamento preliminar compacto de capacidade muito maior que outros existentes no mercado. “Enquanto o maior que você vai encontrar em operação no Brasil deve ter uns 300 e 400 litros por segundo de capacidade de vazão, o que nós estamos desenvolvendo para o país chega a 600 litros de capacidade de vazão, o produto está sendo desenvolvido especificamente para esse projeto”, explica Guilherme. Além do benefício voltado à saúde pública, com água de qualidade entregue para a população, o fator social também será contemplado. A previsão é que 15 mil empregos diretos sejam criados com as obras de ampliação e outros 75 mil de forma indireta. “Uma das grandes vantagens dessa solução é que diferentemente de outras, como a própria solução de tratamento térmico, incineração do lodo previsto em edital, esse não gera resíduo, gera um ativo para ser utilizado em agricultura, ou seja, ele vira adubo”, finaliza.
EMPRESAS ENVOLVIDAS
- Executante: Goetze Lobato Engenharia – GEL;
- Cliente: SANEPAR;
- Detentor da tecnologia empregada para tratamento do esgoto através de Bio Reatores combinados (BRC): BIOPROJ;
- Detentor da tecnologia do sistema de pré-tratamento de esgoto compacto: Vibropac;
- Projetista dos Jardins de mineralização para tratamento do lodo: Transform.






