A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) enfrenta um desafio histórico para garantir sua segurança hídrica. Projeções indicam um déficit potencial de 4 m³/s em períodos de seca até 2030. Pensando então em reforçar o fornecimento nesta região através do Reuso Potável Indireto (RPI), a equipe da Odebrecht desenvolveu um projeto inovador, visando recarregar o Sistema Billings utilizando efluentes tratados da ETE Barueri.
A empresa utilizou Inteligência Artificial (IA) no conceito do projeto, o que acelerou significativamente o estudo, reduzindo o tempo de desenvolvimento de mais de 60 dias para apenas 14 dias – uma redução superior a 75%. Isso resultou em maior produtividade, mais interações e menor retrabalho.
O CONCEITO DO PROJETO
A solução proposta visa a recarga do manancial do Sistema Billings por meio do Reuso Potável Indireto de efluentes tratados da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Barueri, criando uma lógica circular de gestão hídrica. O sistema era composto por:
- 1. Adução dedicada: Implantação de uma nova adutora de aproximadamente 12 km para transportar até 15 m³/s de efluente tratado da ETE Barueri até o Rio Pinheiros, a montante da Estrutura de Retiro;
- 2. Aproveitamento de infraestrutura existente: Utilização do sistema de bombeamento do Rio Pinheiros (Usinas Elevatórias São Paulo e Pedreira), historicamente usado para controle de cheias, para elevar a água até as proximidades da Represa Billings;
- 3. Tratamento avançado: Construção de uma nova Estação Produtora de Água de Reuso (EPAR-I) com capacidade de até 15 m³/s, localizada próximo à Usina Elevatória Pedreira. Esta estação realizará um tratamento terciário avançado – utilizando tecnologias como Lodo Granular Aeróbio (Nereda®) e desinfecção por UV – para garantir que a água lançada na Billings atenda a rigorosos padrões de qualidade, antes de ser novamente captada e tratada pelas estações de tratamento de água da SABESP.
Este sistema não apenas amplia a oferta hídrica, mas também se integra a programas existentes, como a despoluição do Rio Pinheiros, e potencializa a geração de energia na Usina Henry Borden, configurando uma solução sinérgica e sustentável.
UTILIZAÇÃO IA NA ELABORAÇÃO DA PROPOSTA
Para a equipe da Odebrecht, a principal inovação deste estudo foi a combinação de conhecimento humano especializado com o poder de processamento da IA. A equipe técnica da empresa definiu os objetivos e critérios de decisão, e a ferramenta foi aplicada por meio de uma plataforma de IA chamada Smart Odebrecht, que foi empregada para acelerar análises comparativas de múltiplos cenários, sugerir arranjos de adução e bombeamento, identificar inconsistências (Ex.: metas de qualidade da água vs. etapas de tratamento) e etc. Por último, os resultados foram validados por especialistas, incluindo acadêmicos da USP (Universidade de São Paulo (USP).

Nesta plataforma, foram utilizados vários modelos de LLM e outras funcionalidades de IA generativa, incluindo o embasamento (“Grounding”) dos dados. Dentre as ferramentas estão: Deep Research, utilizado para investigar um tema complexo por meio de múltiplas interações de busca e análise, produzindo relatórios extensos; e Nano Banana, utilizado para criar ou editar imagens de alta precisão — inclusive infográficos, mockups e materiais visuais ricos — garantindo qualidade profissional (até 4K), integração com informações reais e controle detalhado sobre estilo, texto e composição.
PRINCIPAIS RESULTADOS
A aplicação desta metodologia híbrida gerou resultados quantitativos e qualitativos, tais como:
- Prazo: O projeto conceitual, que tradicionalmente levaria pelo menos 60 dias, foi concluído em apenas 14 dias – uma redução de mais de 75%.
- Produtividade e retrabalho: A agilidade permitiu um número maior de interações e estudos no mesmo período.
- Segurança Hídrica: Simulações matemáticas indicam que, com a transposição de 15 m³/s, o sistema atenderia 100% das demandas existentes (ETAs ABV e RG) e 99,73% da nova demanda projetada, eliminando virtualmente os déficits de abastecimento.
- Entregas: Ao final das duas semanas, foram entregues a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), o pré-dimensionamento de elementos críticos (bombas, tubulações, adutora) e uma estimativa orçamentária em ordem de grandeza, com um capex total estimado em R$ 5,97 bilhões para o cenário de 15 m³/s.
- Economia: Além do ganho de tempo, a utilização de recursos de IA nas análises técnicas e simulações gerou uma economia da ordem de US$ 60.000, destinado para a contratação de uma equipe de Engenharia especializada adicional, caso se optasse pela metodologia usual.
Sobre os resultados qualitativos, a Odebrecht destacou que a implementação de IA no projeto promoveu clareza no conceito, integração de disciplinas, além de ter fortalecido a base para a tomada de decisão. “Fica evidente que a IA não substitui a engenharia, mas sim a potencializa. A capacidade humana de realizar análises críticas, interpretar resultados complexos e tomar decisões estratégicas permanece insubstituível. A IA atua como uma ferramenta que acelera e organiza o trabalho técnico, permitindo que os engenheiros se concentrem no que fazem de melhor: resolver problemas com criatividade e rigor”, concluiu a equipe.







