A região da Imbiribeira, na zona sul do Recife (PE), caracteriza-se por uma planície estuarina de baixas cotas, o que dificulta o escoamento das águas pluviais. O adensamento urbano, muitas vezes irregular, intensificou a impermeabilização do solo, ampliando os picos de cheia e expondo milhares de famílias a riscos hidrológicos e sanitários. No local, a Avenida Mascarenhas de Morais apresenta uma configuração hidrológica complexa, com áreas rebaixadas no interior da bacia que impedem o escoamento superficial a jusante, resultando em pontos crônicos de alagamento. O desafio proposto à engenharia não foi apenas drenar a água, mas conceber um sistema capaz de operar em uma malha urbana consolidada, sem desapropriações massivas e seus impactos sociais. Diante da escassez de terrenos livres para grandes lagoas de contenção na região, a solução técnica adotada pela TPF Engenharia foi a implementação de reservatórios sob o pavimento e dois sistemas bombeados.
COMO FOI EXECUTADO O PROJETO
Esta abordagem inovadora utiliza o subsolo das vias públicas como volume de armazenamento temporário e contorna cotas desfavoráveis de terreno por meio de sistemas de bombeamento, permitindo que a atividade urbana continue na superfície enquanto o sistema de drenagem atua no subsolo. As redes tubulares de microdrenagem foram rigorosamente redimensionadas para garantir a eficiência hidráulica e caminhamento adequado. Além disso, o sistema foi projetado para suportar eventos pluviométricos com tempo de recorrência de 25 anos, um padrão elevado que confere segurança a longo prazo para a infraestrutura local.
Um dos pontos altos deste projeto foi a reengenharia de valor aplicada à instrumentação e controle. Durante a fase de detalhamento, identificou-se que a prática convencional de instalar grandes medidores de vazão eletromagnéticos (neste caso, para tubulações de DN 1.200 mm) representaria um custo de capital proibitivo e um risco operacional elevado. Em sistemas de drenagem pluvial, ao contrário do saneamento ou abastecimento, a medição de vazão não tem fins de faturamento e o equipamento ficaria ocioso na maior parte do ano (períodos de estiagem), sujeito a travamento e vandalismo.
A solução adotada pela equipe foi a implementação de uma estratégia mista e econômica. Assim, utilizou-se um medidor de vazão ultrassônico portátil (tipo clamp-on) apenas durante a fase de testes e start-up do sistema, garantindo a calibração das bombas. Após os testes, o medidor caro foi removido e armazenado em segurança. A operação contínua passou a ser monitorada via automação por transdutores de pressão, que oferecem leitura indireta de vazão com custo de manutenção drasticamente menor. Esta decisão técnica demonstra uma visão holística do ciclo de vida do projeto, priorizando a funcionalidade real sobre a especificação padrão cega.
Houve também uma análise detalhada sobre as válvulas de retenção. A solução adotada foi a especificação de válvulas de retenção de portinhola única. Este equipamento possui passagem ampla e livre, ideal para fluidos com sólidos, garantindo fechamento rápido e manutenção simplificada. A viabilidade do projeto é sustentada por um detalhamento executivo que antecipa os desafios de campo. Foram elaborados estudos para o escoramento das valas e reservatórios, essenciais em solos moles de planície. A infraestrutura da casa de bombas foi projetada com equipamentos de movimentação de carga (ponte rolante e monovia), facilitando a manutenção futura de bombas e motores pesados.







