Intenção de investimentos relatados por grandes grupos ao BNDES é sinal de volta da confiança

A volta da sempre intensa discussão sobre o crescimento econômico acelerado no Brasil, por ora suspensa devido à crise externa, é só questão de tempo à medida que a recessão der sinais de esmaecer no mundo, ou, quanto menos, se estabilizar, e começar a tomar corpo a campanha eleitoral pela sucessão do presidente Lula.

O debate é aquecido por dados objetivos – tipo a evolução da taxa de juros, projeção de inflação, desempenho do PIB (Produto Interno Bruto), taxa de investimentos -, e pelas expectativas subjetivas do ânimo empresarial. Números e sentimentos se mesclam, dependendo o resultado da confiança no futuro. Em última instância, é função da credibilidade do processo político e da saúde da economia.

O primeiro bloco de informações aponta para a saída da crise em velocidade moderada. A maioria dos economistas forma sua convicção manuseando os dados numéricos, a fonte primária de informação, e do que extrai faz a cabeça da sociedade. A análise dos números que estão ai não indica nada brilhante, mas também não muito medíocre como da Caixa Econômica Federal à área imobiliária e do Banco do Brasil à agricultura e às pequenas e médias empresas -, a normalidade poderá voltar em menos tempo que o esperado.

É mais isso, os bancos públicos atuando sem folga, e não a intervenção direta do Estado, o que pode funcionar. A seleta de obras de infraestrutura do PAC é o melhor exemplo. As que dependem da ação do governo são as mais atrasadas, enquanto as sob responsabilidade direta do setor privada, com apoio do BNDES, estão fluindo, noves fora os problemas de licença ambiental.

A jaula destrancada

O investimento em infraestrutura e os programas das estatais, em especial da Petrobras, garantem o crescimento mínimo do produto, e mais não se faz devido à inépcia do planejamento dos projetos que estão a cargo de ministérios. Mas o que faz diferença é a expansão privada, que detém 80% da taxa de investimentos no país.

A maioria das expansões parou ou está em marcha-lenta. As que se destinam à exportação provavelmente serão revisadas para menos. E a parte da produção para mercado interno condiciona-se à segurança sobre a evolução futura do consumo.

Sobre o primeiro caso não há o que fazer: é função da economia global. No segundo, a qualidade da política econômica é determinante para liberar o chamado “espírito animal” do empresário. Ações catalisadoras ativam tal processo.

O BNDES bota pique…

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, retomou as exposições de projetos e planejamento dos grandes grupos privados à área técnica do banco, extraindo daí o otimismo de retorno dos investimentos e de novas, grandes iniciativas.

Semana passada esteve lá a Camargo Corrêa. Esta semana irá a Votorantim. O empresário Jorge Gerdau já agendou a apresentação seguinte, em que ele mesmo estará à frente.

O resultado é que Coutinho prevê a taxa de investimentos em 19% do PIB no final do ano, contra 17% no primeiro trimestre, e 21% em um a dois anos. Qualquer empurrão extra antecipará esta meta.

… e o BC só de olho

Até o fim do ano a expectativa do BNDES é que a taxa de ocupação da indústria, hoje de 79%, chegue a 80% a 81%, limpando o terreno para a retomada de novos projetos.

Não haveria segundo esta ótica o fechamento mais cedo do que possa temer o BC do tal hiato do produto – medida um tanto arbitrária que indica o potencial de crescimento sem bulir a inflação. É uma das referências do BC para ajustar a Selic.

O que os industriais estão dizendo ao BNDES traz conforto à continuidade do alívio dos juros – e, no agregado, ao bem estar. O problema voltaria ao de sempre, as disfuncionalidades fiscais, e as incertezas, à evolução da economia global.

Fonte: Estadão

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