Medo de ler, medo de pensar

Suplemento da Gazeta Russa, que circula hoje na FSP, traz artigo da crítica de teatro Tatiana Shebáeva, sob o título "Quem tem medo dos livros?"

Conta, a articulista, que a revisão das normas de educação nacional atualmente em curso na Rússia fará com que a literatura deixe de ser obrigatória para alunos do ensino médio. O argumento é de que, nessa era digital, os jovens não têm tempo para se debruçar sobre a literatura, por exemplo, de Dostoiévski ou de outros autores clássicos, caso queiram aprender matemática.

Difícil passar pela cabeça da gente que Górki, Tolstói, Mikhail Cholokov e tantos outros autores russos universais sejam negligenciados, do ponto de vista de conhecimento, no esforço do aprendizado profissional. Ela recorda que, em seus tempos de colégio, era vergonhoso um estudante alardear que não conhecia sequer rudimentos de "Guerra e Paz". Hoje, não esboçam qualquer preocupação em demonstrar que o ignoram.

Surpreendente, na informação, é que em um país conhecido no mundo, em especial pela força de sua notável literatura, esta perca espaço, ou todo o espaço possível, no ensino médio.

Ninguém nega que por aqui as coisas também não vão no melhor caminho nessa matéria. Ler mesmo, buscar conhecer o desenvolvimento social e humano em autores que captaram hábitos, costumes, enfim, o "sentimento do mundo", de que falava Drummond, tem constituído uma exceção.

A leitura estimula o pensamento e a capacidade de refletir e exercitar a inteligência. E, para os que especulam em cima dessa realidade que explora todo o potencial humano só em função de seus interesses, o ato de pensar pode significar possibilidade de rebeldia, revolta, conscientização. O que me leva àquela sutiliza de Millor: "Livre pensar, é só pensar".

Fonte: Estadão

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