Nova direção da Aeerj quer fortalecer as empresas locais

Em discurso em que defende o fortalecimento das empresas de engenharia do Estado do Rio de Janeiro e a melhoria da gestão de obras públicas, a nova direção da Aeerj mostra a direção escolhida para apressar o processo de reestruturação em que se mostra empenhada

 

A posse do novo conselho consultivo, presidido por Francis Bogossian, e do presidente executivo da entidade, Luiz Fernando dos Santos Reis, dia 28 último, na sede do Sistema Firjan, Rio de Janeiro, demarcou o terreno e fixou as linhas de trabalho da entidade para o triênio 2014-2017.

 

A reestruturação da entidade começou a consolidar-se com a reformulação dos seus estatutos e, agora, com as atividades do primeiro conselho consultivo e da presidência executiva. É a maior mudança na entidade, desde que ela foi fundada em 1975.

 

Luiz Fernando dos Santos disse que a palavra-chave desse processo é profissionalização.  A mudança significa que a presidência executiva passa a atuar com total independência em relação a qualquer empresa associada e com um enorme comprometimento em defesa de todas elas. Essa desvinculação fornece, segundo ele, os meios para que ela busque, de forma isenta, o crescimento e o maior fortalecimento das empresas de engenharia no Estado.

 

Ao explicar o processo, ele disse que, na análise do Ranking da Engenharia Brasileira, publicado pela revista O Empreiteiro (edição de 2013), “encontramos entre as 15 maiores construtoras do País, uma única com origem em nosso Estado: a Carioca Engenharia. E, ainda, segundo a mesma publicação, se analisarmos o ranking das maiores empresas da região Sudeste, excluindo as de São Paulo – e estamos falando do Rio, Minas e Espírito Santo – só encontraremos três do Rio de Janeiro, ocupando a 13ª, 14ª e a 17ª posições. E, das 11 empresas que na década de 1970 fundaram a nossa entidade –  Carioca, CBC, Erco, EBTE, Itapema, Esusa, Construtora União, Copal, Koteca, J. Madruga e Cocico,  só duas se encontram ativas: a Carioca Engenharia e a EBTE”.  

 

Luiz Fernando ressaltou, no entanto, que nem sempre as coisas foram assim. “As grandes obras de engenharia do Rio de Janeiro, como o aterro do Flamengo, os túneis Rebouças e Santa Bárbara, o Rio Centro e a Perimetal, além do sistema de abastecimento de água do Guandu,  para citar apenas algumas, foram executadas por empresas do Rio, que hoje não existem mais”.

 

Por conta dessa análise, ele indagou: “Por que, ao mesmo tempo em que perdemos as nossas empresas, outros estados conseguiram expandir e fortalecer as suas? A Aeerj, que reúne 193 empresas responsáveis pela execução de 80% das obras públicas licitadas no Estado e nos municípios do Rio de Janeiro, que gera 145 mil empregos diretos e 90 mil indiretos, quer refletir a força de seus empresários por meio de uma instituição afinada com seus associados e ainda com a vigorosa representatividade da construção, da indústria e da economia do Rio de Janeiro.”  O engenheiro deixou claro que é por causa disso que o evento estava sendo realizado ali, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro..

 

Ele assinalou também que o País volta a viver momentos de incerteza e a enfrentar indefinições econômicas e sociais. São sinais preocupantes, com a inflação acima dos parâmetros estabelecidos, o que se reflete no dia a dia das empresas locais. Disse que, em conseqüência, a Aeerj preconiza a melhoria da qualidade na gestão das obras públicas, sendo necessária, para isso, a melhoria do planejamento em longo prazo e da qualidade dos projetos. A entidade quer também que a prática de preços reflita a realidade dos custos e de todos os demais fatores diretos e indiretos que afetam as obras públicas no Estado.

 

O discurso de Luiz Fernando estava afinado com o de Francis Bogossian, que ao abrir os trabalhos da cerimônia de posse disse que hoje “o Estado do Rio vive um momento único, como resultado da conjunção dos investimentos federais, estaduais e municipais”. 

Fonte: Nildo Carlos Oliveira

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